Recebo a notícia através de um telefonema de Manoel Miranda, jornalista da minha geração, que mesmo internado em um hospital do Recife registrou sua  tristeza pelo fato que me contava: “Gesivan morreu!”

Não carecia, e ele bem o sabe, de dizer mais nada.

A banca do Gesivan, na Praça do Montepio dos Artistas, tinha outro nome de batismo (A Nacional), mas se tornara ela mesma o seu dono – até porque ele e o lugar se confundiam.

Sim, gente, marcávamos encontros e papos “no Gesivan”, um anfitrião que era generoso e rigoroso na mesma medida e extensão. Ele era, portanto, um homem justo – o que não era nem nunca será pouco.

É difícil fugir do clichê ao falar de um homem que sabia demais: sabia das coisas da cidade, sabia do que importava sobre pessoas de várias gerações e participava da vida de todos os que por ali passavam: gente, lugares, sem se esquivar da sua presença humilde e impossível der ser ignorada.

O clichê?      

Gesivan leva com ele um pedaço da Maceió que viveu com ele por 60 anos, a cidade não oficial, subversiva, resistente, que fazia da leitura e da conspiração a interseção de vozes distintas e que se encontravam no cantinho que levava o seu nome.

Ele pode não ter nos contado tudo o que sabia – sobre nós, sobre os que só passavam e olhavam de lado, com desprezo e soberba -, mas todos haverão de se perguntar: como um sujeito tão simples e direto foi capaz de atrair tantos e por tanto tempo?

Isso ele não nos contou.

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José Maria Constant: “Temos hoje um movimento antivacina institucionalizado”
  • Manoel Miranda

    Se é a parte que me cabe nesse latifúndio, ocupo-o solenemente. Num mar de letras, Jesivan singrou pilotando sua banca com coragem e elegância. Ele também me apontou maravilhosos grupos de rock. 🙁

  • Há Lagoas

    É bonito perceber que uma admiração sincera é capaz de tocar o coração! Mesmo de quem nunca conheceu Gesivan, mas que, ao ouvir o relato de quem ele foi, se entristece de não ter conhecido uma alma tão nobre.
    Meus sinceros sentimentos aos familiares e amigos…

  • Paulo Magalhães

    Muito triste saber dessa notícia…..Gesivan vai deixar muita saudade, gente simples, e muito gente boa…..vai com Deus meu amigo!

  • Sergio

    Gesivan, sujeito espetacular. Simples e influente. A sua banca era um ponto de encontro. Era estiloso comprar jornais e revistas na banca dele. Tenho em casa uns três livros comprados naquela banca de revistas. Sim, vendia livros. Uma lacuna na cidade.

  • Gouveia

    Nobre e ilustre figura, o verdadeiro artista da praça , Montepio dos artistas
    Homen bom e sem papas na língua, sabia muito e sabia pouco mas sabia
    Como ele próprio sempre falou ” quando acaba o contrato não tem distrato ” Morreu mas deixou a sua história nos familiares só temos a agradecer a todos pelo carinho

  • GUILHERME BRAGA

    A melhor Banca de Revista de nossa cidade e, o melhor jornaleiro. Contador de causo; sobre tudo. Saudades do Amigo. Mais, uma de esse virus nos velou.

  • Williams Roger

    Homem de bem. Ta junto de Deus. Certeza. Perdemos, aqui na terra, uma pessoa de bom coração

  • Maria de Fátima Medeiros Tavares

    Texto lindo, sensível.

  • Banca Nacional dos Artistas

    Como ele mesmo dizia qdo alguém falecia: “encerrou o contrato na terra”.
    Vai na fé camarada Gesi!

  • Cid Carlos

    Lembro me que quando vim estudar na Universidade Federal de Alagoas, em Maceió, quase no final da década de 70, foi um dos primeiros lugares em que estive! Não sei se foi pra comprar algum jornal, alguma revista, mas, com certeza, foi alguma coisa ligada a cultura! As vezes, avistava alguns universitários conversando defronte a banca! E quase sempre, mesmo depois de formado, já que trabalhei no Centro, passava defronte a Banca do Gesivan! As vezes, passava no local até dia de sábado ou domingo e encontrava a banca aberta! Admirava o só em imaginar o amor que ele deveria ter pelo que fazia, em manter a banca! Meus pêsames aos familiares do Gesivan!

  • Carlos

    Uma história de vida conhecida por uns e despercebida por muitos!
    É uma simplicidade das grandes e não deixa nada a desejar os grandes da política local que é mais conhecido pelo mal que aprontou e pode fazer.
    Não imaginava que o dono da banca que não Tinha dia que fechava foi tão marcante na vida dos jornalistas e entre do cotidiano dos Maceioense!
    Vai em paz!

  • Ana Maria Lima da Silva

    Triste demais! Que Deus o receba em sua infinita Glória. Descanse em paz Gesivan,

  • Antônio Luiz dos Santos barros

    Ficávamos esporadicamente ele e nossos amigos de infância conversando na praça até altas horas da madrugada , era uma pessoa muito inteligente e culto ……..

  • Sérgio de Almeida

    Eu era um jovem estudante de Engenharia e estagiava próximo a banca do Gesivan, parada obrigatória em meu caminho de volta pra casa. Sua banca era um palco de boas conversas, discussões politicas e muita verdades sobre Maceió e sua gente. Detentor de um senso privilegiado de observação das coisas, opinava – e era ouvido – sobre a política, os costumes e sobre os protagonistas da cena local e da vez. Era um verdadeiro termômetro do humor da cidade. Que Deus o tenha em um bom lugar!

  • FELIPE BRAGA

    É Ricardo você sabe que minha família era responsável pela Distribuição de Jornais e Revistas para Alagoas e lembro que Gesivan sempre foi um dos maiores vendedores de Jornais e Revistas de Maceió. Morre uma lenda e com ele estórias que só ele sabia contar.Meus sentimentos a família.

  • André Luiz Amorim Santos Amorim

    Quando trabalhei na Casa Jardim em 1985 a 1986, o Gesivan me apresentou Dr. Lair Ribeiro e até hoje sou por sua causa nobre amigo e irmão do meu amigo Gilson. Vá em paz meu irmão e o seu legado está registrado

  • RCesar

    O Van, como chamavamos, eu e outros colegas na adolecência. Eramos presenteados pelas as figurinhas duplicadas dos nossos albuns, no Vergel do Lago. Gesivan era um chefe de familia exemplar, querido pela vizinhança era gente boa e honesta conhecedor de todos assuntos da atualidades, politica principalmente. Nossos sentimentos VAN, vai na paz.

  • Paulo Sérgio Moreira

    Um símbolo de uma Maceió romântica que ficou num canto especial de nossas memórias. Guardo dele o legado da simplicidade, da acolhida e da bondade: não é pouco!

  • Roodney Beserra

    Prezado Ricardo,

    Quando eu  ainda era estudante , conheci Seu Gesivan.
    Pois, era na banca dele que eu encontrava revistas, jornais e livros que não conseguia encontrar em outros locais.
    Mais que isso, lá encontrava, a educação, a gentileza e a conversa inteligente de Seu Gesivan.
    Parceria que tive a felicidade de cultivar.
    Era um homem de bem.

  • Marcos Paes

    GESIVAN, a geração que nasceu entre a década de 50 e a década de 70 tinha como ponto de passagem a banca dele. Um vazio irá habitar a praça do montepio. Vai com DEUS Gesi, porém um dia a gente vai se encontrar. Até logo.