As relações entre o governador Renan Filho e o seu vice, Luciano Barbosa, nunca foram as melhores encontradas no meio político.

Barbosa foi e continua sendo a única “interferência” do senador Renan Calheiros no governo do Filho: colocou-o como vice no primeiro mandato e o manteve no posto no segundo, agora já contra a vontade do governador, que queria Fábio Farias, no posto.

O caldo azedou de vez no ano passado, e não apenas pela operação da PF no HGE, que prendeu parentes de Barbosa.

Antes mesmo do trágico episódio, o vice reclamava de algumas notas na chamada imprensa alternativa, que o atacavam duramente. Ele atribuiu a iniciativa ao Palácio, particularmente ao secretário Fábio Farias (quero crer que injustamente).

No caso do HGE, a raiva de Barbosa, já pública e notória, tem como alvo principal o secretário Alexandre Ayres. Entre outras coisas, o vice-governador está convencido de que o relatório que gerou a operação policial foi feito dentro da Sesau (o que o não me parece factível).

De lá para cá, Luciano Barbosa tem alimentado suas mágoas ao estilo: calado e preparando o troco.

O embate em Arapiraca é a parte mais visível do rompimento, e só o senador Renan Calheiros tem se esforçado para desfazer o caldo de ódio que tempera a relação do vice com o governador.

A situação é objetiva: mantida a sua candidatura, Barbosa se elege e deixa Filho nas mãos de Marcelo Victor, que ninguém sabe para onde pode ir. Aliás, ele vai para onde os seus pares decidirem.

Em meio à confusão, Barbosa acenou que aceitava um acordo: fazer do seu filho Daniel fosse o candidato a prefeito – uma compensação ao que foi “perdido”. A história, pelo menos até ontem, não avançou.

A “intervenção branca” no MDB de Arapiraca tenta dar tempo ao tempo, para que se construa uma solução possível para o impasse.

Ela evitou, entre outras coisas, uma intervenção formal no Diretório do MDB de Arapiraca, defendida por Renan Filho, mas rejeitada por Renan pai (que chegou a citar como “mau exemplo” o que Rodrigo Cunha fez com o PSDB de Maceió).

Um dia pode parecer pouco tempo, mas é o que resta para tentar evitar que se plante agora o fruto venenoso a ser colhido em 2022.

Em tempo

Luciano pode manter a convenção de hoje e judicializar a questão. Motivo: a decisão do Diretório Regional teria de ter decidido a intervenção com cinco dias de antecedência (o que diz a hermenêutica?).

Atualizando às 14h

Informação que circula dá conta que a convenção de Barbosa foi feita: ele sendo o candidato a prefeito e Ruth, irmã de Nezinho, vice. A verdade só será conhecida amanhã – o que vale é o documento.

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  • Saogala

    Sejamos honestos!
    Ninguém se constitui uma raposa política trilhando o caminho do altruísmo…
    E quero acreditar que, para isso é necessário ter o minimo de discernimento.
    A pergunta que fica é: Renan – o pai – não confia em seu próprio filho, ou teme muito mais o sr. Barbosa?!
    Qual a necessidade de formar um dupla com duas pessoas antagônicas dentro de um mesmo governo?
    A resposta, só o sr. “Equilíbrio” o sabe…