Pela ordem no número de mortes pela Covid-19 em Maceió estão: Benedito Bentes, Vergel do Lago, Cidade Universitária, Ponta Grossa, Clima Bom, Jacintinho, Tabuleiro do Martins e Trapiche da Barra (só então surge a Ponta Verde, que já liderou o número de casos da doença na capital).

O que esses bairros, onde o coronavírus mais mata, têm em comum?

Eles estão na periferia, longe da chamada área nobre, ou são mais populosos/populares.

E é por lá que a pandemia mais se espalha, exatamente onde as pessoas têm mais dificuldade de receber um atendimento rápido e eficaz, apesar dos esforços dos profissionais de saúde.

E é aí – também – que mora o perigo.

Sabemos, por óbvio, que a tendência é a doença (e os doentes) se tornar, paulatinamente uma estatística, expressa em números grandiosos, mas perdendo a força dos momentos iniciais em que matava ou levava à UTI mais gente da classe média/alta.

A expectativa é de que a população atingida cresça principalmente nas áreas mais pobres (também no interior).

Os apelos pela flexibilização ampla e geral passam, então, a ser ouvidos também por isso, até porque sabemos que os moradores da periferia que precisam ganhar o pão de cada dia nunca “respeitaram” o isolamento social. Pagam agora, de novo, pela imposição dos fatos.

Cabe a quem entender esta realidade tentar evitar que as mortes virem apenas números, como querem os defensores da economia a todo custo.

Por obrigação, os empresários que podem e poderão reabrir os seus negócios têm a obrigação de manter seus empregados saudáveis: com informação contínua e cobrança, também, de mudança de comportamento para que eles tornem as medidas sanitárias parte integrada das suas vidas – e não apenas no ambiente de trabalho.

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  • Há Lagoas

    Os “invisíveis” que nunca foram alcançados pelo Estado, agora finalmente serão reconhecidos, não em vida, mas como estatística de números de morte. As realidades sociais de Maceió só são percebidas por aqueles que se negam a conviver com ela em momentos como este.
    Para quem não assiste programas policialesco, a periferia é algo para ser esquecido, no máximo tolerado.
    É a “imposição dos fatos” que se sobrepõe as regras de segurança – ou melhor – isolamento social.

  • Carlos

    Num país onde o povo de esquerda se preocupa mais com as maluquice do Bolsonaro ,montado no seu cavalo do que o sumiço dos respiradores e uma população que vive só pra sobreviver o dia para ter o quer comer e sem uma politica pública para os mais vulneráveis o resulto não podia ser outro.

  • Williams Roger

    Já virou $$$$$

  • Antonio Moreira

    O que esses bairros, onde o coronavírus mais mata, têm em comum?

    Casas pequenas e muitas pessoas por casa no bairro.
    Costumes de ficarem fora da casa para conversar.
    Solidários e falam a mesma língua.
    Menos condições de vida e estudos, muitas esperanças no salvador.
    Mais botecos e igrejas evangélicas, menos igreja católica e escolas.

    Enfim, sempre o bairro é visitado de 4 e 4 anos por políticos.

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    Teoricamente, a chance é menor de ficar doente, mas somos humanos também:
    Há 30 e tantos moro na mesma rua. Têm vários moradores que não sei nem os nomes deles. Cada casa é um mundo. Um Silêncio! Barulho, só de veículos que passam na rua.

  • Pedro

    […] racismo é acima de tudo uma tecnologia destinada a permitir o exercício do biopoder, “este velho direito soberano de matar”. Na economia do biopoder, a função do racismo é regular a distribuição da morte e tornar possíveis as funções do Estado. Segundo Foucault , essa é a condição para a aceitabilidade do fazer morrer’. Essa realidade vemos, em época de pandemia, sendo chancelada nas práticas diárias de muitos indivíduos. É ou não é?

  • Antonio Carlos Barbosa

    Pois é velho Mota, os governantes perderam o controle da doença em Maceió e principalmente Arapiraca. Não tem como adotar um isolamento geral, a época apropriada já passou, o encantamento do povo para apoiar tal medida já foi. Agora é cada um por si e deus contra todos. Infelizmente.

  • Lima

    A preocupação do prefeit e governador foi cuidar da orla.
    A periferia ficou esquecida.
    Várias viaturas na orla e pouquíssimas na periferia.
    Agora a fatura tá chegando.
    Será q eles vão culpar o Bolsonaro??
    Kd os respiradores?
    Rodrigo Cunha , apareça!
    Faça valer meu voto.
    Cobre das autoridades.

  • Grama Coreana

    Temos de orar por essa situação e a cada dia valorizar a vida.