De repente, e como sempre, pipocaram vários casos de racismo no mundo do futebol. Eu preferiria dizer “no mundo”, mas fato concreto é que o episódio envolvendo o atacante Balotelli, na cidade de Verona (Itália), ganhou a necessária dimensão sobre o tema: o racismo existe e persiste como um dos mais cruéis e primitivos sentimentos humanos.

Aos que argumentam que os estádios são frequentados pelas camadas mais populares, deixo uma reflexão de um grandíssimo italiano, dos maiores pensadores do século XX (morreu recentemente), Umberto Eco, que resolveu aplicar um soco no queixo dos que idealizam o “povo”, essa abstração que a tudo comporta:

– A intolerância mais tremenda é a dos pobres, que são as primeiras vítimas das diferenças. Não há racismo entre os ricos. Os ricos produziram, no máximo, as doutrinas do racismo; mas os pobres produzem sua prática, bem mais perigosa.

É o que ele define como “intolerância selvagem”, que deve ser combatida em suas raízes, “na mais tenra infância”.

Na semana que passou, uma pesquisa realizada com jogadores de futebol do Brasil mostrou que metade deles já sofreu manifestações de racismo – até entre colegas – no esporte mais popular do Brasil, que, eis o busílis, não parece admitir negros no comando: nem técnicos, nem dirigentes.

Podem até dizer que não é muito diferente do que acontece na Igreja Católica no lado de baixo do Equador, com tão poucos padres afrodescendentes.

É verdade: estamos falando do último país das Américas a abolir a escravidão e que recebeu quase a metade da população negra africana aprisionada e sequestrada do seu território. E se me permitem o mau uso da palavra, a posse de um escravo era algo quase “democrático” no Brasil do cativeiro: senhores de engenho, exploradores dos nossos minérios, padres, militares, funcionários públicos, comerciantes e artesãos – todos os que podiam tinham um escravo para chamar de seu.

O que acontece por aqui, na prática desse esporte que nos é tão querido, a hipocrisia, é que carregamos aquilo que o sociólogo Florestan Fernandes definiu como “preconceito reativo” – algo como o preconceito do preconceito, numa tradução livre, sem a sofisticação acadêmica.

Perdoem-me retornar a um tema renitente neste espaço: as redes sociais. O cientista da computação e escritor Jaron Lenier traz no seu ótimo Dez argumentos… um capítulo dedicado ao racismo, mostrando, a partir dos seus estudos e pesquisas, que essa mácula odiosa da humanidade “adquiriu na Bummer (o conjunto de plataformas por onde andam as redes sociais) um grau de organização sem precedentes nas últimas gerações”.

Se a inteligência artificial é burra, seus donos, não.

Lanier nos conta que a Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), um comunidade virtual que “apareceu e ganhou proeminência na lua de mel do ativismo nas redes sociais”, virou um convite ao massacre: “Uma fatia inativa de supremacistas brancos e racistas que antes não eram bem identificados, conectados ou que não tinha adquirido poder, foi descoberta e cultivada em meio à cegueira da máquina” – cujos donos queriam dinheiro e conseguiram, com sua maravilhosa tecnologia, aproximando-os, provocando-os com as postagens inimigas.

O problema é que mais cegos são os homens, haveremos de dizer.

Como nos adverte o brilhante cientista brasileiro Sérgio Pena, no seu Humanidade Sem Raças, elas – as raças – não existem para a biologia. Somos todos iguais nas nossas dessemelhanças, que o medo e a ignorância pisoteiam:

– A vacuidade do conceito de raças deve ser absorvida pela sociedade e incorporada às suas convicções e atitudes morais. Temos de assimilar a noção de que a única divisão biologicamente coerente da espécie humana é a de bilhões de indivíduos e não em um punhado de “raças”.

Quando isso acontecerá, ninguém há de saber. O ponto de partida talvez seja o velho “conhece-te a ti mesmo”: saber-se racista é querer não sê-lo.

Por enquanto, ainda está valendo por aqui um dito muito popular no Rio de Janeiro pós-abolição, tão perverso quanto verdadeiro:

“A liberdade é negra, mas a igualdade é branca”.

Alerta de Collor a Bolsonaro é o mesmo dado por elle a Dilma
Ao sair do PSL, Bolsonaro deixa aliados com o pincel na mão
  • Democracia ao PONTO: garçon + 1 cana, tira gosto SARDINHA péÓóRrrrr sem ELA!

    Bom DOMINGO em Maceyó, caro Ricardo MOTA … Veneza no ADRIÁTICO ‘tá afundando, amigo! [16nov19]
    > Prejú da GOTA Serena, ~1 bilhão de Euro$ ou 5 BI de reais os danos d’inundações no centro da cidade … rsRs
    – Até onde sei POBRE num tem dinheiro pra rasgar, OTÁRIOS turiXta$ classe mé(R)dia, abestados fazem-n’u$!
    https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/ansa/2019/11/16/danos-por-inundacoes-em-veneza-chegam-a-1-bilhao-de-euros.htm

    > Aqui no PaTrOpI ‘bem $uado por DÊ, a classe mé(R)dia lê meninas:
    – Ligeiramente grávidas n’ambientes estressantes instando precoce SEXO!
    > Excita-n’ú$ a DESIGUALDADE: há + barrigas em Marsilac perifa SUL Barr’NOVA-Maçaguêra. (Rd-NoS’SãPaulo)
    – saudável juventude HETERO copulando sem prevenção: 53 Vzs + q’obesos FLÁCIDOS em Moema mé(R)dia. [16nov19]
    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2019/11/ligeiramente-gravidas.shtml

    # Que PAÍS é este meu nêgo Rei Pelé de CRB 2 x 0 na PonteP-SP colocado em 6°?
    1. D’olho no furacão da Série A da Rainha Marta a partir do Sertão de 2 Riachos!
    2. Ou linguarando mImImIs cego aos 92% pró-Série B 17° abaixo: CSA 18° x Flu 16° amanhã!
    Apois Dr U-ECO (1932-2016) nasceu em ALESSANDRIA qse França rumo Espanha separatista Barcelona CATALUÑA rica.
    Respeitoso driblador d’escarpas c’pés FIRMADOS n’areias mediterrâneas rumo Portugal pobre, loca ANDALUZIA quixotesca!

    # Como R Mota disse ACIMA de tudo, a … espécie humana é a de bilhões de indivíduos e não em um punhado de “raças”.
    > Apois RICOS de todas as ETNIAS comércios fazem, lembra-nos o CNA de Mandela (1918-2013)
    – QUEM ignora mercado de 1,2 bilhão de pessoas? – INDAGA C-Ramaphosa (dsd 1952), Presid África do Sul!

    > De volta aos má’u$ rÉ’u$ xatos pútridos, um supoXto banana sonha LARANJAS maduras à beira d’estrada:
    – em Batalha a CAMILA lucra pitangas n’entrada Brics d’África em ACORDO no bloco pós-Natal, carnaval! [15nov19]
    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2019/11/ninguem-pode-ignorar-um-mercado-de-12-bilhao-de-pessoas-diz-presidente-da-africa-do-sul.shtml

  • JEu

    Bom dia, Ricardo… e hoje começamos com um excelente texto que fala de nossa consciência… do nosso eu verdadeiro… o que carregamos no coração e, em última instância, na Alma (ou Espírito, como queiram…), pois racismo é algo imaterial, pois se encontra do domínio dos sentimentos e ideias… dos conceitos e, portanto, dos pré-conceitos… e tudo, no final, se resume em uma coisa: falta (ou ausência?!!!) de amor ao próximo e à si mesmo… como ensinou Jesus… afinal, tem alguma coisa que diferencie (a não ser o pigmento da epiderme) as pessoas, como seres biológicos?… e concordo com o dito no texto, que precisamos, mesmo, aprender o “conhece-te a ti mesmo”, pois, em essência, somos o Espírito que habita um corpo biológico (temporariamente e repetidamente…), e somente este conhecimento há de por por terra os preconceitos de toda ordem, pois, hoje, podemos estar habitando um corpo branco, amanhã, um negro, um amarelo ou vermelho… e mais ainda, podemos estar em um corpo masculino hoje, feminino amanhã… eis o que está dito na Doutrina Espírita, no O Livro do Espíritos, em uma das 1019 questões apresentadas por Kardec… e, aceitemos ou não, queiramos ou não, esta é uma Verdade, pois se encontra no domínio das Leis Naturais, criadas pelo Ser descrito como “a Inteligência Suprema, causa e origem de tudo o que existe”… mas, poderíamos também perguntar, o porque da persistência de tais comportamentos, se já possuímos tantos conhecimentos que demonstram que não há diferenças, biologicamente falando, entre os corpos de todas as cores no mundo, a não ser, como já disse, o pigmento da pele? creio que tudo está no atavismo humano fundamentado no instinto de sobrevivência, que trazemos desde remotas eras quando vivenciamos condições mais difíceis para sobreviver… e precisamos, até, lutar contra nossos próprios semelhantes… sobrepor-se aos demais, em determinada época, tornou-se um meio de sobrevivência, e até de melhoria e facilitação da vida de uns, com prejuízo dos outros, lógico… mas aquelas foram épocas de barbárie, força e violência, ao ponto em que Jesus, uma vez falando aos seus discípulos chegou a afirmar que: “dos antigos profetas até os dias de hoje, o Reino dos Céus foi tomado pela violência, porém, que não seja assim entre vós outros”, recomendando, então, o pacifismo, a mansidão e o amor ao próximo como os meios de construir um mundo melhor para todos… e, até hoje, ainda não aprendemos essas “pequenas coisas” tão necessárias ao avanço civilizatório da humanidade terrestre… mas, estamos à caminho de uma situação melhor, pois, de alguma maneira, já compreendemos e até aceitamos esses “novos conceitos”, que tendem à atenuação, diminuição e quiçá, extinção, dos “pré-conceitos” que ainda têm raízes em nosso ser Espiritual… Muito bom tema para meditação neste dia… Bom domingo.

  • Há Lagoas

    Aparentemente, meu caro jornalista, o preconceito é algo que faz parte da natureza humana. Entretanto, isso não quer dizer que não deva ser combatido.
    E de uma certa forma, já vi inúmeras vezes o preconceituoso ser vítima de preconceito. Em outras palavras, independente da cor – dos olhos ou pele – religião, lugar, língua, aquele que nunca foi vitima deste mal, que se manifeste.
    Façamos a diferença, busquemos a equidade.

  • Antonio Moreira

    Seleção Brasileira – Em um Almoço – Enquanto Jogadores reclamavam que a carne estava muito dura, O Pelé cortava a carne em pedacinhos e fazia sua refeição calado, assim disse o Rivelino. O Pelé já era o mais famoso dos selecionados.
    //
    Ele(meu conterrâneo) desde rapazinho era Padeiro e depois de muitos anos passou o ser o dono da padaria… Uma certa vez, um vendedor de maquinário para padaria, insistiu para ele(o conterrâneo) chamar o proprietário… Ele respondeu para o vendedor: Poder tirar o pedido que irei pagar à vista(dinheiro em espécie).
    //
    “Alguém” sai muito cedo de casa, pega ônibus lotado e chega:
    Você acorda e diz, quero ovo frito, e logo depois, “Alguém” lava e passa roupa, limpa tudo e ainda fica sob o cuidado de “Alguém” os seres vivos da casa.
    Você chega e encontra tudo limpinho no: Shopping, Loja, Hotel, Hospital, Cinema, Escola e em todos ramos de serviços. Maravilhas, não é mesmo? Quem pensa no “Alguém” ?
    Mas “Quem” botou tijolo em cima de tijolo sob a direção de Engenheiro e transformou neste
    Shopping maravilhoso? Pois é, lá onde ele mora (“Quem”) – construiu a sua morada sem a supervisão do Engenheiro! E a prefeitura? O pessoal aparece lá para pedir voto.
    Lá onde “Quem” mora, o morador visto como suspeita é abordado com os braços para cima.
    Lá onde “Quem” trabalha, tem gente que é abordado, mas de forma diferente: Por gentileza mostre os seus documentos?
    Enfim, são esses “Alguém e Quem” que muitas vezes não percebem suas importâncias neste mundo onde se usa muito a palavra DEMOCRACIA. É comum jogar nas costas “Alguém e Quem” o resultado de eleição.
    Não sei se a educação pública é um faz de conta, mas confesso, trabalho e faço a minha parte melhor possível.

  • Nelson

    Concordo plenamente com as palavras do Há Lagoas !! O preconceito sempre houve, há, e sempre haverá. Tem que ser combatido, tem que ser…mas de uma maneira discreta, e não com essa conotação que a mídia impõe. A mídia faz das pessoas que sofre preconceito, coitadinhas !! Principalmente com o negro ; como se o Negro fosse um fraco, quando na verdade o Negro sempre foi um forte, e sempre será um forte…os tempos idos da escravidão mostraram ao Mundo que o negro é a raça mais forte, mais brava do Universo. Vejamos um exemplo bem claro de que todos nós somos as vezes preconceituoso…sempre observo as pessoas quando entram num avião, sempre comprimentam se forma gentil, as belas comissárias que estão postadas na porta do avião recebendo os passageiros. Agora olhem quando as pessoas sobem num ônibus ou em qualquer outro transporte de passageiros…os motoristas e cobradores são sempre ignorados, ninguem lhes dá um bom dia ou um sorriso, tanto faz esses motoristas e cobradores serem brancos, pretos, pardos, gordos ou magros.
    Se a mídia deixasse desse vitimismo principalmente com os negros, essas cenas de preconceito cairiam drasticamente. Quem não se lembra de um jogo do Barcelona, quando meia dúzia de gatos pingados jogaram uma banana pra o Daniel Alves quando ele foi bater um escanteio….o Daniel pegou a banana, dicascou, comeu e devolveu a casca aos donos…fez primeiro um silêncio geral no estádio, e em seguida uma onda de aplausos dominou as arquibancadas. O Daniel Alves não choramingou, o mídia calou-se, o caso foi rapidamente esquecido, e os gatos pingados baixaram a cabeça e saíram do estádio Em silêncio.

    • Nonato

      Nelson, não seria questão de instrução, educação as pessoas que andam de avião cumprimentar as pessoas e quem anda de busão não cumprimentar? Eu e minha esposa andamos nos dois sistemas e temos o hábito de cumprimentar a todos, acho perigoso a generalização.

  • Antônio Carlos Barbosa

    A escravidão dos negros, considero uma das maiores vergonhas da humanidade.
    Belo texto Mota.

    • Nonato

      É a escravidão dos brancos? O que VC ACHA? Escravidão é escravidão .Os Judeus foram escravizados pelos Egípcios, antes dos negros africanos muitos povos foram escravizados.

  • Oswaldo Rogge

    A escravidão era tão comum, que os próprios escravos libertos os possuíam. No quilombo dos Palmares, o grande chefe Zumbi, também tinha serviçais em “estado semelhante à escravidão”. Não quero com esse argumento justificar a escravidão, algo abominável, mas completar a frase do Ricardo : “a posse de um escravo era algo quase “democrático” no Brasil do cativeiro”.