Está em curso uma heroica mobilização dos integrantes do Fórum Permanente em Defesa do Saneamento Público no Estado de Alagoas.

É a única voz que a sociedade tem, neste momento, para tentar garantir direitos mínimos a serviços essenciais, por esses tempos em que o governo avança – embora negue – com a privatização da Casal. O projeto com este objetivo – que o governo trata como “concessão” – vem  sendo gestado há dois anos, com participação direta do BNDES, mas sem a presença de representantes da população.

Há alternativas que parecem bem mais razoáveis, porque mantêm os serviços, ao fim e ao cabo, sob o controle e supervisão do Estado – o poder público.

É de se lamentar que a mobilização aconteça com um atraso de décadas, talvez, em relação à Casal – assim como aconteceu com a ex-Ceal –, que sempre foi controlada por partidos e políticos que estavam no poder (inclusive agora), sem que houvesse uma reação mais forte e objetiva por parte dos trabalhadores e da sociedade, em geral.

Qual a posição do governador Renan Filho sobre o tema?

Está na Carta do Consórcio dos Governadores do Nordeste, divulgada ontem:

“ Em relação a aprovação do marco do saneamento básico em Comissão Especial, entendemos que deve haver um aprofundamento nessa pauta, já que o tópico versa sobre as parcerias privadas de setores essenciais para a população e que lidam diretamente com a saúde pública. Os Governadores manifestam receio com o texto que foi aprovado, defendendo que não pode ser deixado exclusivamente para a iniciativa privada o direito de exploração desse serviço pelo risco de inviabilidade de fornecimento em municípios de menor porte, devendo ser mantida a possibilidade de existência dos contratos de programa como alternativa, sem prejuízos às Parcerias Público Privadas (PPP)”.

É hora de avançar no debate, apesar do atraso.

 

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  • Maria Torres

    Isso mesmo, e preciso que haja um debate, pois com certeza a sociedade pode dar contribuições importantes, principalmente para que realmente o capital privado seja investido em infraestrutura no setor. Coisa que não tem acontecido nos exemplos de concessão ocorridos pelo Brasil afora.

  • jose carlos

    É dever do Estado: Saúde , segurança, educação e moradia para os pobres de verdade.

    Todo o resto (água, luz, energia, telefone, transporte, estrada, entrega de encomendas e cartas, etc deve ser feito pelo mercado através de empresas privadas com regulação do estado para evitar abusos.) Veja o caso da Ceal, aos poucos o serviço tem melhorado e não exite mais os cabides de emprego e o deficit milionário anual.

  • JEu

    Desde que não fiquem na dependência dos municípios maiores, ou seja, que os municípios menores mantenham seus serviços de água e tratamento de esgotos sem precisar da ajuda da CASAL… e é só dar uma olhada para o que existe hoje, e veremos que os prefeitos pouco se importaram, e continuam não se importando, com saneamento básico… e a prova é que ainda existem lixões a céu aberto, quando deveriam se unir, os menores, em consórcio, para a criação dos sistemas de coleta, recepção e tratamento do lixo urbano, inclusive com a separação do que é reciclável do restante… mas, será que os prefeitos vão querer assumir essa responsabilidade?!!! e também já passou da hora de se extinguir, definitivamente, a influência politiqueira nas empresas públicas, e do povo correr atrás de seus “padrinhos” para conseguir uma “boquinha” aqui ou ali, sem o esforço próprio para crescer e cuidar de si mesmos…

  • Antonio Lins

    Acho que deveria ser transformada em Empresa de Economia Mista como a Sabesp de SP que faz excelente trabalho para a população.

  • Casaliano

    Vista com maus olhos épocas atrás, as Parcerias Público Privadas (PPP´´´´ ´´) em tempos atuais, são imprescindíveis, desde que o Estado mantenha o controle! Tanto é que já existem Parcerias Público Privadas na CASAL, mas, a CASAL, diga se o Governo do Estado, é quem mantém o controle! Agora não! Além de vender a Outorga/Concessão da água de uma inventada Região Metropolitana de Maceió (incluindo Municípios distantes e que não têm nada em comum com os sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário de Maceió), estão doando o Esgotamento Sanitário de Maceió, ou seja, a CASAL vai ter um percentual da arrecadação pela distribuição de água, porém, não ver um tostão do que for arrecadado em esgotamento sanitário! Resumindo : A empresa ganhadora do leilão adquire a concessão de água e recebe de graça os sistemas de esgotamentos sanitários já existentes em Maceió e fatura em cima destes! Se vai operar e manter, eu tenho dúvidas! Água é Saúde, é Vida, é um Bem Público, é uma dádiva da Natureza!