O texto abaixo é de autoria do médico Celso Tavares, um dos maiores especialista em doenças infectocontagiosas aqui no estado – reconhecido em todo o país.

Com o crescimento dos casos da doença em Alagoas, mais de 270%, até agora, só este anos, Tavares fala – a pedido do blog – sobre a eficácia de uma das medidas mais cobradas pela população aos serviços públicos de Saúde.

Vale a pena conferir.

“O fumacê (UBV, Ultra Baixo Volume) deve ser utilizado somente na vigência de epidemias de grande magnitude, quando o sistema de saúde corre o risco de entrar em colapso pelo excesso de doentes que busca assistência. Se  for realizado em condições ideais, o fumacê elimina  somente 30 % das formas aladas. 

As tais condições ideais não são facilmente obtidas, pois exige que todos os imóveis estejam com portas e janelas escancaradas, o que não acontece, pois habitualmente elas estão ou são fechadas. 

Como   não atua sobre ovos e larvas,  logo após a sua aplicação milhares de novos mosquitos eclodem, muitos dos quais já nascerão infectados, donde se conclui que a sua indicação deve ser restrita a situações críticas, visando a reduzir momentaneamente os níveis de Infestação e, consequentemente,  da demanda aos serviços de saúde – é algo equivalente a “enxugar gelo”. 

 Se isso não bastasse, para que o procedimento seja o mais eficaz possível, exige-se um conjunto de situações que deve ocorrer simultaneamente: por um bom tempo, e que a velocidade do vento não seja superior a 6 km/h; o veículo deve circular a 10 km/h; o bico da bomba deve estar perfeitamente regulado para garantir o tamanho correto das gotículas; compatibilidade entre o horário de aplicação e a atividade circadiana do mosquito – os melhores horários para a aspersão são o amanhecer e o alvorecer e que, fato relevante, o mosquito deve  estar voando para que o inseticida atinja minúsculas estruturas chamadas espiráculos (aberturas localizadas lateralmente no tórax e abdômen por onde entra o ar para a traqueia).

 É, pois, uma empreitada  complexa.

 Devemos considerar,  também,  que o fumacê também  mata insetos benéficos  em quantidades não bem estabelecidas, bem como pequenos animais, como os pássaros.

 Conclusivamente, acredito que o controle do Aedes aegypti por inseticidas é inviável e, considerando os pífios resultados obtidos nas ultimas décadas, cabe muito bem encerrar com  a observação de Einsten: “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.

 

Em tempo: o fumacê é uma das grandes demandas dos politiqueiros, gerando grande pressão sobre o corpo técnico.

 

O que dizer da aspersão por aviões? É um monumental crime ambiental, atenta contra a saúde dos cidadãos e desperdiça estupidamente recursos públicos.

 

Celso Tavares

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  • JEu

    Creio que os maiores “vetores” de males de todos os tipos são os politiqueiros do nosso país… é contra estes que devemos mobilizar ações para “extingui-los” de nossa sociedade… precisamos, sim, de verdadeiros políticos, que se comporte conforme a deveria ser a verdadeira política: a ciência de entender e identificar os anseios do povo, direcionando, dessa forma, as ações do Estado para o bem estar geral… se não for isso, então, o que será?!!! e entenda o bem estar geral não só o dos seres humanos, porém, também, o da natureza e meio ambiente em que o ser humano coabita… respeito à vida dos pássaros, como dito no texto, deve ser sempre considerado… o que faltam no caso das doenças conduzidas pelos mosquitos é, principalmente, a falta (ou ausência…) de educação da população… e não só da população de baixa renda, pois vemos muitos maus exemplos de quem tem casas e terrenos de alto valor em locais privilegiados das cidades… afinal, o mosquito só se reproduz onde há acúmulo de águas paradas e mal cuidadas… e aí é só olhar as praias da cidade depois de um final de semana… é lixo para todo lado… e, como diz o ditado: costume de casa vai à praça…

  • Luiz

    Caro Ricardo.

    Vou te fazer a seguinte pergunta: Por que na Flórida nos Estados Unidos onde a maior parte de seu território é alagados e não tem mosquitos?

    Você sabe por que? Porque lá nos Estados Unidos ele utilizam o Bacilo de Israel para eliminar a larva dos mosquitos. O larvicida tem como “princípio ativo” o Bacillum thuringiensis israelense (BTI), uma bactéria inofensiva para humanos e animais domésticos, mas letal para o mosquito. Quando a larva do Aedes come essa bactéria na água limpa e parada, recebe quatro toxinas que causam paralisia generalizada e matam o vetor. No Brasil este larvicida foi desenvolvido pelo Embrapa, mas, por questões políticas, comerciais e outros interesses escusos não se aplicam no território nacional, porque dão prioridade aos famigerados fumacês, cujo larvicida é fabricado pela Bayer, que tem grande influência na OMS.
    O que me deixa estarrecido é que existe uma norma no nosso país que proíbe a compra de produtos nacionais para o Programa Nacional de Combate a Dengue. Enquanto isso a Dengue, Zika e Chicungunha, ainda, vem causando mortes no nosso país.

    Este é o país em que vivemos.

  • Consigliere Alagoano


    30 % é melhor que NADA , algo precisa ser FEITO e está!

    O médico Celso Tavares, já ouviu falar em “AÇÕES EM CONJUNTO?” , pois é, aqui em casa a cada mês passa alguém da Sec. Municipal , a procura de FOCOS, ovos e larvas.

    Por que a resistência em COMBATER o mosquito ADULTO, já contaminando as pessoas?
    Deixar como está nem em HARVAD isso é aceito.

    Posso ser CENSURADO, mas as respostas me parecem CAPCIOSA, e com rejeição ações que adi vem de secretários políticos.

    PERGUNTA
    O combate ao OVO e LARVA esta sendo feito, que AÇÕES O INFECTOLOGISTA indica?
    A pontar que isso ou aquilo NÃO SERVE/NÃO FUNCIONA é o USUAL.

    NÃO QUEREMOS EMBROLHOS VERBAIS…
    QUEREMOS AÇÕES, E NA ÉPOCA DO FUMACÊ OS NÚMEROS ERAM ACEITÁVEIS !

    QUEM JÁ TEVE ZICA, DENGUE ETC. SABE O QUE FALO!!!!

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