Com certeza, os leitores e leitoras deste blog conhecem a frase de Churchill: “A democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais”.

A democracia, é bem verdade, mas sem ela os acertos viram tragédias, como temos visto na história da humanidade.

A luta das sociedades para conquistá-la não se encerra no momento em que as urnas são fechadas e os votos são contados a cada eleição.

Mas, seguramente, essa luta se trava no campo mais avançado da civilização: o das ideias. Mais do que isso, a democracia se estabelece quando um povo concorda que discordar é saudável e necessário.

É exatamente no Congresso Nacional, mais do que em qualquer outro poder da República, que se manifestam as várias correntes da sociedade. É o palco onde se pode construir o consenso sem o esmagamento dos diferentes, porque ali está sempre o espelho de um povo – com suas qualidades e defeitos.

E quanto mais independente o Legislativo, convergindo com os outros poderes quando for o caso, mais avançado o estágio de democracia alcançado por um povo.

Ideias restritivas da liberdade, xenofóbicas, racistas e de pregação do ódio não podem compor o pensamento de uma Nação que busca crescer, deixar a adolescência da civilização.

Elas existem, tais ideias, porque os avanços civilizatórios não ocorrem no mesmo ritmo para todo mundo. Não podemos ignorá-las, mas não podemos dar a elas a crença de que são hegemônicas numa sociedade em construção, que avança, até retrocede, mas não há de se entregar à barbárie.

É de se observar que os que pregam a ação mortal contra a discordância nunca falam a palavra igualdade – se não entre os seus. Querem sempre o atalho ao invés do caminho; o golpe fatal contra os “inimigos”, ao invés da aceitação de que não existem sociedades sem divergências.

A democracia brasileira, é verdade, tem defeitos, males que carregamos desde a origem do Estado brasileiro.

Mas não tem outro jeito: remédio para democracia é mais democracia.

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