A filósofa Hannah Arendt, autora de uma obra extraordinária na segunda metade do século XX, trouxe ao mundo o conceito de ‘banalidade do mal’.

Ela apontou, então, para a experiência recente do nazismo no seu país de origem: a Alemanha. E, entre outras coisas, mostrou que eram pessoas comuns, como aquelas com quem cruzamos todos os dias, as que cometeram as atrocidades que depois todos condenaram.

Mas não foram apenas os perdedores da 2ª Grande Guerra que tiveram muito do que se arrepender. Na civilizada França do mesmo período, por exemplo, pessoas comuns – como eu e você – ajudaram a Gestapo, a polícia alemã, a identificar, prender e a mandar para os campos de concentração os judeus – seus vizinhos de rua, colegas de trabalho, de convívio social -, que já haviam se transformado no alvo principal e fatal do nazismo.

E o que essa história tem a ver conosco, os brasileiros?

Hoje, mais do que nunca, o ódio se espalha em nosso território, via redes sociais, com uma intensidade assombrosa. Se o sociólogo espanhol Manuel Castells – já citado algumas vezes aqui – disse, em alto e bom som, que a violência na internet no Brasil reproduzia a violência das ruas, esta mesma violência, potencializada, volta às ruas, se transformando em violência física, como estamos acompanhando neste momento, ainda que sem entender muito bem por que isso acontece.

Acredito que é uma construção histórica: o Brasil se tornou, de há muito, o país que mais mata no mundo, o que foi sendo naturalizado por nós, pelo simples motivo de que a maioria das vítimas vem da periferia das grandes cidades – tanto os que matam, quanto os que morrem. São pessoas comuns – todos: os que perdem a vida e os que vêem a morte passar.

O que vai se evidenciando no embate político é a manifestação da nossa cultura da violência, levada ao paroxismo – para além de qualquer ideologia.

E as redes sociais – não por culpa do instrumento, está claro – não têm nos ajudado a barrar o avanço da tragédia brasileira.

Num feriadão assim, como este, talvez seja necessário por esses tempos, além dos alertas de trânsito, também acentuar: se beber, não digite.

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  • JEu

    Concordo que, em nossa sociedade, a violência se tornou algo banal e corriqueiro para os PPPPs… pois quando atinge alguém de nível social mais alto (ex: o médico morto no corredor Vera Arruda), ou de determinado meio, que possa representar um determinado setor político (ex: Marielle), então se torna algo “terrível e inaceitável”… ora, a legislação dos direitos humanos não diferencia ninguém quando diz que todos têm direito à vida e à proteção de sua integridade física e emocional… no entanto, tem violência maior do que um pai de família procurar um pedaço de pão para aliviar a fome de seus filhos?!!! existe violência maior do que alguém precisar de assistência médica e de remédios para si ou para os seus familiares e não ter apoio nenhum e morrer ou ver os seus morrerem à míngua?!!! ou, ainda, não será violência quando crianças carentes buscam a escola mais no interesse de encontrar algum alimento, representado pela merenda escolar, e não receber nada, pois não tem como fornecer a merenda por que os recursos foram desviados?!!! tem violência que se iguale aos milhões de brasileiros e brasileiras que vivem nas ruas, em barracos e favelas em locais perigosos e insalubres, pois os recursos para a habitação popular são roubados através de licitações e contratos fraudulentos?!!! diante de tudo isso, diria que as mensagens nas redes sociais são quase nada diante de toda essa violência que vemos no dia a dia (muito embora não se justifique, é claro)… e assim, talvez também devamos dizer: se se candidatar a qualquer cargo político, não roube, não minta, não engane, não se locuplete com o erário público…

    • Sertanejo ENLUTADO esperando Justiça e PAZ com FÉ

      ôI, JEu! … ôI, Ricardo! … bom DIA de feriadão, RESSUREIÇÃO!!!
      aqui no Sertão, espíritos TOLERANTES, tateamos curas em FARMÁCIAS com atendentes atenciosos ao BALCÃO: fome de Q?
      A SAÚDE abalada pela FOME tem 2 FACES: desnutrição por FALTA e obesidade por desequilíbrios piores que desvios de recursos da MERENDA ESCOLAR que cevam algumas FORTUNAS deseducadas.
      Em PEQUENAS cidades com população pobre SIGNIFICATIVA, cidades quase sem restaurantes enquanto abundam BARES.
      No Sertão ostentamos mais pontos de vende de REMÉDIOS ilusórios (DROGAS lícitas) que com boas COMIDAS (pão da VIDA).
      Que venha a PÁSCOA, amigos!

  • Há Lagoas

    Não se assuste, nobre blogueiro.
    Pois a maioria dos que tecem comentários nas redes sociais estão sóbrios quando digitam – pelo menos acreditam nisso. A questão é saber se a sobriedade é alicerçada na razão?

  • Antonio Moreira

    Se dirigir, não digite.
    Se consumir drogas licitas e ilícitas, e se compra com seu dinheiro e lhe faz bem, então, “Jesus te ama” mesmo assim.

    Se a finalidade do grupo no “What ZAP” é trocar experiência profissional; ajudar o outro na rotina do trabalho e também defender o interesse comum da categoria, então deixe de postar tantas coisas religiosas e outras…

    Você não está na UTI/Hospital,
    Se está preso, é porque estava ciente que cedo ou mais tarde, pecadores que prende e solta apenas atenderam a regra criada pelo próprio homem.

  • Joilson Gouveia Bel&Cel RR

    Seria hilário senão fora risível e típico de comunistas/socialistas “imputarem aos outros tudo aquilo que são e praticam”, quando o famigerado, desprezível e odiado nazismo nada mais foi e é o próprio socialismo/nacional do partido dos trabalhadores alemães.
    Aliás, sem querer jamais defender, ao nazismo (ou nazi/fascismo) que até matou muito menos (em tempos de paz) que os “inocentes”, “solidários”, “igualitários”, “humanitários”, “samaritanos”, “amantes da humanidade” e “coletivistas” (comunistas/socialistas/leninistas/stalinistas/trotskistas/gramscistas), que hoje se dizem progressistas.
    Notem bem: no início, se diziam comunistas; depois, socialistas; ao depois, graças aos escólios gramscistas e fabianistas, se disseram sociais-democratas ou democratas-sociais; hodiernamente, se autocognominam de “progressistas” e até vociferam que “essa coisa de esquerda e de direita está ultrapassada. A cada cagada que eles fazem, eles mudam de nome pra tentar enganar todo mundo de novo” – texto pescado e colhido nos “memes”, das redes sociais. – Na íntegra in http://gouveiacel.blogspot.com.br/2018/03/eis-o-legado-socialista-de.html
    Abr
    *JG

  • Joilson Gouveia Bel&Cel RR

    A pimenta nos olhos dos outros é refresco, nos deles é violência!
    O que é a censura senão uma injustificada violência ao direito de manifestação à liberdade da livre manifestação do pensamento urbano, dialético, científico, civilizado e democrático?
    Seletividade? Não! Parcialidade mesmo, e puríssima!
    Vejam bem: atirar ovos é uma ameaça à democracia e antidemocrático e etc. e tal, mas desde que não seja noutros adversários (João Dória, Jair Bolsonaro, por exemplo), mas no PT jamais! É violência e agressão!
    Os pacatos, ordeiros, respeitadores e pacíficos integrantes dos tais movimentos sociais, que jamais esbulharam aos direitos alheios e às propriedades e patrimônios público e privado, que bloqueiam e incendeiam estradas, vias e rodovias é exercício democrático da plena democracia, já os caminhoneiros, tratoristas e ruralistas “ameaçam à democracia e ao estado de direito.
    Abr
    *JG

    • Luiz Antônio

      Os factóides para vitimar a esquerda vão se reproduzir, serão exaustivamente repetidos e criados por ela própria como o “atentado” ao condenado candidato, que me fez lembrar imediatamente o “atentado” a uma ex Senadora da República por Alagoas…

    • INOCENTE idoso corrompido por empresário ESPERTO: 2 criÔnça$?

      Caro Bel&Cel RR, … DOUTOS da medicina ADVERTEM:
      > REFRESCO com doce demais à PRAIA premedita o DIABETES!
      – BOLO de chocolate n’entre pernas sabor CENOURA dói n’ALMA!
      Te cuida GLUTÃO, sem insulina como fazer DOCE esse @-TRAZêRãO?

      • Joilson Gouveia Bel&Cel R/R

        Só prescreves o que te serves; não?
        “Quem diz trata disso cuida”, atribuída ao ilustre Sigmund Freud.
        Não me mensure com sua régua, não sirvo ao seu esquadro! 😉
        Abr
        *JG

  • SEM HIPOCRISIA!

    Sendo de EXTREMA DIREITA não julgue quem é CENTRO ESQUERDA ou esquerda. O problema está na hipocrisia das pessoas e mídia midiática.

  • Heloísa Coellho

    Pode escrever páginas e páginas, Ricardo. Há gente que simplesmente não entende nada. Aproveito a Páscoa para lembrar: perdoar a eles, porque não sabem o que fazem. Mas isso é no Espiritual. No terreno, apologia de crime é crime sim. Não acredito que o MP se omita nessas coisas tão graves. Assim é que brota o Fascismo.

  • Joilson Gouveia Bel&Cel R/R

    Seria ignorância ou dissimulação cínica ou ambas juntas e misturadas, a posição de alguns declarados esquerdistas de esquerda e à esquerda, recorrendo às passagens, episódios, fatos e feitos bíblicos ou parábolas evangélicas, para demonstrar como são bonzinhos, pacatos, ordeiros e solidários samaritanos, quando são incompatíveis, inconciliáveis e inaceitáveis conquanto materialistas, ainda que “humanistas, coletivistas, igualitaristas”, que amam à humanidade, sem amar ao próximo (como bem o disse Nelson Rodrigues) ou até mesmo assistir aos enfermos, pobres e necessitados de seu bairro ou visitarem, colaborarem e ajudarem às casas de caridades e abrigos de desvalidos?
    Dizem que há “lógica no assalto, no roubo e no furto” – dos outros; claro! -, é a tal “socialização da riqueza”, mas quando acontece com eLLes, na hora, clamam e lembram da polícia, que querem acabar!
    Olhem o refrão: “Não acabou! Vai acabar! Eu quero o fim da polícia-militar”!
    Abr
    *JG