Há informações demais – fragmentadas, um quebra-cabeça que não se encaixa nunca, ligeiras, fortuitas, de sustos luminosos, de posts escandalosos, TVs, revistas, jornais. Pouco é o conhecimento que apaixona, que faz o homem se entregar a uma causa, buscar a alma das coisas, e se deixar deslizar tão fundo até que possa colher as flores das plantas abismais.

Há amigos demais – nas redes, virtuais, de palavras sem vogais (rs rs rs, vc), de distâncias abissais, de conquistas tão ligeiras que não chegam a carpideiras, aves que visitam quintais. Poucos são os afetos leais, olho no olho, carinho sem apelo, bem-querer de iguais, aqueles que a vida nos dá em tão pequenas doses, porque amizade requer cuidados e atenção especiais.

Há “pra ontem” demais – o mundo tem pressa, o filho tem pressa, o colega tem pressa, o carro ao lado tem pressa, todos querem chegar primeiro sabe-se lá aonde. Pouco é o amanhã, se desejado, lento e demorado, como o correr do rio em tempos de primavera, exibindo as flores que carregou do meio do caminho, sem carecer de aviso, apenas indo a navegar, impreciso.

Há nudez demais – o id sem idílio, ejaculações precoces, ásperas conjunções carnais, suspiros curtos, narcisos vulgares, os sem-afeto que não querem o mesmo teto porque se não a casa cai. Pouca é a sensualidade, o jogo sutil do toma lá, dá lá, manso e sôfrego, em alternância que apenas os amantes sabem imprimir, amor de queimar a pele, em que só a alma vele.

Há atletas demais – nos campos, nas quadras, nos carnavais, músculos latejando sob tatuagens brutais, de monstros, de mares, nunca de cais, que não se para a marcha bárbara dos corpos que se imaginam imortais. Pouca é a malemolência, o jogo dos quadris, do prestidigitador de joelho torto, do negro de empinado peito, do hermano nano-gigante a nos incitar o despeito.

Há ruídos demais – das buzinas, das sirenes, dos vizinhos, dos boçais, dos inferninhos a céu aberto, da moça que passa em gritinhos, do moço que se desmancha em ais. Pouca é a música que segreda o silêncio, de tons, de bens e tais, que remete à infância do falsete materno, à tonteira da noite em que se fez homem o fogoso rapaz.

Há segunda a sexta demais – o desespero seguindo o ponteiro da hora, dos minutos sempre atrás, da respiração arfante, do guia cego ao volante, do remédio onde antraz, das delirantes mortas-vivas relações sociais. Pouco é o domingo, de jiboiar na cama, de deixar o café esfriar, de fazer um amor preguiçoso, esquecendo que o mundo lá fora há, sim, de nos chamar…

Mas não há de ser nessa hora. Aí seria demais.

 

Ao contradizer a PGR Dodge, Renan Calheiros revela um pouco do que sabe
Uma nota da secretária de Esportes Cláudia Petuba ao blog
  • Há Lagoas

    “Músculos latejando sob tatuagens brutais, de monstros, de mares, nunca de cais”, são tempos difíceis em que vivemos, é preferível mostrar a fúria do mar ou o terror do mitológico Leviatã a contemplar – e doar – a segurança e tranquilidade de um cais em nossas relações pessoais.
    Excelente crônica, e um bom domingo a todos.

  • Joao da TROÇA anarco-carnavalesca BACURAU da Rua NOVA do Sertão – em St’ANA!

    Ricardo, … uma BOA semana de CINZAS agora quase Natal, é CARNAVAL?
    > JIBOIAR na cama,\ CAFÉ esfriar,\ AMOR preguiçoso [R Mota acima]
    Um BOM domingo sem FACEburro nem ZAPnada com celular FIXE:fiK’em casa!
    Escutávamos a NORTE o sinal da tV da Serra de MARAVILHA (1960’s).
    > CÉU com seu lindo luar, um SERESTEIRO na rua\ dos TEMPOS passados [R Bastos]
    [25fev10], http://www.maltanet.com.br/literatura/exibe.php?id=741
    Na tela, CHUVISCOS n’antena com BOMBRIL sem repetidora no SUL morro do CRISTO arriba (1970’s)
    > Da microondas no ALTO da serra\ povo, esta terra\ progresso NUM pode parar [êita, REMI!]
    Éramos carnavais na ANARQUIA de St’Ana do poeta Remi BASTOS.
    Hoje … Há 2ª 6ª D + \ mortas-vivas relações sociais.\ Aí seria DEMAIS. [R Mota acima]

  • Nata

    Delicioso demais.

  • JEu

    Bom dia, Ricardo. Este texto é mais uma de suas “pérolas” em crônicas da vida… creio que precisamos “reaprender” o que é ser humano… sem as distâncias criadas pelos zaps e demais redes sociais… reaprender como é “sentir” seu próximo(a)… seus sentimentos, anseios, necessidades afetivas e emocionais… enfim, reaprendermos o que é ser “humano(a)”. Bom domingo.

  • Fausto

    Absolutamente atual e preciso. Li sem pressa. Parabéns!

  • Roseane Chagas

    Adorável! Você sempre foi tão lindamente humano, saudades…

  • Antonio Moreira

    Mil amigos na Rede Social – 20 amigos curtem e parabenizam o dia do aniversário…
    E os demais, são o quê? Será que são 980 Descurtidas para o/a aniversariante?
    Amigos que muitas vezes se cruzam pessoalmente e não se cumprimentam.
    Amigos das conveniências e até de propagandas enganosas.
    Amigos de tantos videos/mensagens religiosas e de sacanagens.
    Enfim, apenas 20 amigos.

  • Joilson Gouveia Bel&Cel RR

    Fui desproporcional? 😮
    Abr
    *JG
    Resposta

    Por óbvio, a pergunta é retórica.

  • Joilson Gouveia Bel&Cel RR

    Eis, pois, uma sinopse nada eloquente, a saber:
    (…) Ora, censura é o veto, o impedimento, a reprimenda ou a proibição estatal ou governamental – o que sequer houve nos casos dos MAM’s – museus de artes marxistas – Ora, só seria arte e livre expressão artística se houver NUS com crianças e para crianças; já não se lhes bastam os “macaquitos” e outras sandices e idiotices e imbecilidades de uns desprovidos de talentos que acham ser artes?
    O busílis é simples, patente e claro: querem normalizar tal e tais situações para que as famílias brasileiras habituais, costumeiras, culturais, tradicionais, éticas e moralmente cristãs, evangélicas e conservadoras, passem a pactuar e compactuar como comportamento comum, normal, natural, tolerável e aceitável o casamento de muçulmanos e califas islâmicos com nossas crianças – em obediência, aceitação e respeito à sua cultura – conforme o preço pago, como de hábito e costume entre os mesmos.
    Enfim, os globais querem destruir nossas famílias preservando às suas (deLLes), propiciando uma abjeta, obtusa, abstrusa, esdrúxula, abominável e inaceitável cultura dos refugiados que estão por vir para “o celeiro do mundo”. (..)
    Na íntegra in http://gouveiacel.blogspot.com.br/2017/10/a-islamizacao-legalizada-vingara-em.html
    Abr
    *JG