O anúncio da privatização da Eletrobras Alagoas, a antiga Ceal, não tem provocado, até agora, nenhuma reação mais aguda. Nem por parte dos trabalhadores da empresa, nem do setor empresarial, ou mesmo de lideranças políticas. É como se este fosse o caminho natural da estatal, por esses tempos.

A privatização não traz nenhum estranhamento visível. Já são vinte anos que a extinta Ceal foi federalizada, na bacia das almas, pasmem, para que o estado de Alagoas, que era o sócio majoritário pudesse pagar salários dos servidores públicos.

Recebeu, a Fazenda, então, um troco. Tanto que o atual governo cobra da União algo em torno de um bilhão de reais pela diferença de preço – daquilo que foi pago para aquilo que a empresa efetivamente vale.

Lembrando que a Ceal passou para o controle do governo federal em 1997, no governo Mano Gomes de Barros, numa operação de socorro, emergencial. De lá para cá, a história da empresa não mudou.

Os dirigentes nomeados por Brasília eram sempre afilhados dos senadores, deputados federais e partidos no poder em Alagoas. Foi assim nos governos Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma e agora também, na era Temer. Ensaiou-se até, na gestão Dilma, alguma profissionalização, mas este modelo sucumbiu à primeira pressão política.

Falar agora em privatização é um exagero. Há de se dizer que o está em curso é a possível transferência do controle acionário da Eletrobras – em Alagoas, inclusive – para a iniciativa privada.

Mas ela nunca foi uma empresa voltada para os interesses da maioria do povo alagoano – apesar de ter méritos, sim. Mas o comando político da empresa, ao modo do Estado patrimonialista – servindo a alguns poucos senhores -, sempre prevaleceu.

Antes de privatizar, a Eletrobras Alagoas (ex-Ceal) deveria passar pela experiência de ser uma empresa pública, voltada exclusivamente, aos interesses da maioria da população.

O que ela nunca foi.

Rafael Tenório (CSA) explica por que decidiu se candidatar ao Senado
Ida de Lessa para o governo vai por frente a frente Renan pai e Welisson Miranda
  • Elielson

    Pois é, nenhuma empresa pública dar certo em favor da população. Privatiza mesmo… Queremos o Correios também privatizado. Chega de cargos indicados e concursados sufocados tendo que agir com greves afetando a populsção. Serviço de qualidade é privado. Estado mínimo já.

    • Marcos

      Interessante como pessoas que não entendem como as coisas acontecem tendem a falar o que não deve. O estado mínimo, que tendo como pressuposto o gerencialismo, é um modelo americano não mais usado por ter provocado a crise de 2008. Mas, é Brasil.O setor privado é bom, para o acionista. A telefonia, melhorou? Sim, melhorou. Mas, compare as tarifas praticadas aqui e as praticadas na Europa. Não se compara. Sabes onde estavam os ativos da Oi 10 anos atrás quando ela dava lucro? No Itaú. Sabe onde estão agora depois que quebrou? Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Privatizar nunca vai ser sinônimo de melhora ni serviço, mas de governo corrupto que sucateia para vender a troco de sua propina e de uma população que se julga politizada.
      Privatizar nunca vai ser a saída para melhorar um serviço.

      • Há Lagoas

        Toda e qualquer privatização deve ser feita com critérios técnicos.
        E a proposta do estado mínimo no Brasil é importante sim, ou é isso ou nossos políticos quebram o restos das estatais em nossa pobre República.
        Sua preocupação é legitima Marcos, mas deixar nas mãos dos conchavos políticos estas empresas é penalizar a população.

      • Joilson Gouveia Bel&Cel RR

        Insto ao leitor “Marcos” que leia aqui, a saber:
        “O fim da mamata estatal – Evaristo Sá / AFP
        Arrivistas acostumados ao bem-bom gritam contra a nova safra de privatizações que coloca dinheiro no Tesouro ao mesmo tempo em que entrega eficiência a quaisquer das empresas colocadas à venda. Que desde logo fique claro: repassar estatais à iniciativa privada não é – como alguns tentam fazer crer – entregar bens públicos que farão falta ao Estado. É, antes de tudo, se desfazer de bens dos políticos, deixando órfãos apenas aqueles velhos conhecidos dependentes de mamatas. A cambada de fisiologistas, seus apaniguados, detentores da máquina para usufruto próprio, funcionários públicos ineficientes que mostram horror a cobranças e gangues partidárias que adoram aparelhar o sistema com sindicalistas que lhe prestam vassalagem e enchem suas burras de dinheiro com o desvio inescrupuloso de recursos estão na linha de frente da chiadeira. Não querem de maneira nenhuma perder o privilégio que viceja no ambiente estatal. Temem o princípio da meritocracia. Assustam-se com o desemprego dos ocupantes de cargos-fantasmas. Há de se convir que, faz muito tempo, várias estatais se transformaram em verdadeiros cabides de funcionários custosos, pouco preparados e improdutivos. Boa parte deles ali alocados por indicação de padrinhos partidários – esses sim os autênticos CEOs das companhias. Vamos ser realistas: são majoritariamente os políticos que não gostam de privatizações. E a razão é simples: por que afinal eles irão brigar lá na frente quando não mais existir esses sugadores de verbas para seus esquemas? A Eletrobrás será vendida pouco depois de quase ser destruída pela desastrosa administração da ex-presidente Dilma que, em um rompante de devaneio, decidiu baixar na marra as tarifas de energia como medida populista para ganhar as eleições. Irresponsável ao extremo, ela foi depois destituída do cargo antes mesmo de dar fim a essa joia da coroa. Desde épocas imemoriáveis siglas de aluguel e ONGs que atuam movidas por intento corporativista levantam resistência à desestatização. Ocorreu assim também, por exemplo, quando a telefonia foi privatizada. A mesma ladainha de grupelhos alertando para “o perigo de se perder o controle sobre uma área estratégica” entrou em voga. Vale lembrar: na ocasião telefone era coisa de rico. Quase ninguém possuía. Pagava-se linha em dólar. O “bem” era declarado no Imposto de Renda. Menos de 20 milhões de brasileiros detinham a prerrogativa de possuir um aparelho em casa. A maioria dependia de “orelhões” – para quem não está familiarizado com a expressão, tratava-se dos telefones públicos instalados nas ruas, funcionando à base de ficha. De lá para cá, cada brasileiro passou a ter ao menos um celular. São mais de 300 milhões de linhas disponíveis atualmente. O case de sucesso deveria inspirar os demais setores. Não importa apenas o total do valor pago por uma estatal posta à venda. O benefício disseminado é o que conta. Logo a seguir ao anúncio da privatização a Eletrobrás experimentou uma valorização de seus ativos da ordem de R$ 10 bilhões, ou cerca de um terço a mais de sua cotação anterior. Para o mercado, privatização é palavra que soa muito bem. Pitoresco foi ter de assistir Dilma Rousseff pontificando nas redes sociais sobre o risco de “se abrir mão da segurança energética”. Logo ela, que fez o diabo na área e deixou por um fio a sobrevivência da atividade, quase rompendo com a tal “segurança energética”. Dilma hoje pode ser encarada como uma espécie de garota-propaganda às avessas. Deve-se fazer o contrário do que a mandatária deposta aconselha. Se ela considera condenável o programa de concessão de ativos da União é porque a saída está correta. Nesse caminho, o Governo Temer decidiu ampliar o projeto para além da Eletrobrás. Entraram na lista aeroportos, portos e até a Casa da Moeda. Quem sabe, ao fim e ao cabo, a era das mamatas estatais ficará para trás, esquecida como um pesadelo que passou”.
        Abr
        *JG

    • Cesar

      Concordo em parte. Veja a qualidade da telefonia no Brasil.

    • Joao da TROÇA anarco-carnavalesca BACURAU da Rua NOVA do Sertão – em St’ANA!

      ôI, Elielson! … TIM, tim! … aqui no Sertão desde 1963,
      a ELETROBRÁS veio tapar buraco da CEAL vagalúmica em chove NUM molha inaugurado com shows do Coroné LUDUGERO, êita NÓIS!
      * Uma vêis eu fui caçá nas mata da Paraíba quando vi arguém gritá
      – EU oiêi p’a guariba, ELA me oiô, dei um berro na biXa: a danada dismaiô
      TIM, tim! … enorme prazer ao VIVO, Claro que funcionam BEM privadas SEM esgotos pois … “A vida é esta eMe: dela só o cheiro se HerDa” [F F BANDIDO]
      https://www.letras.mus.br/foge-foge-bandido/1312222/
      Aqui em St’ANA desde 1965 temos PRIVADAS pós pinicos SOB as camas, obra da CASAL pútrida SEM esgotos.

  • Lion

    Tem que privatizar urgentemente. Eletrobrás, Correios, Petrobrás, etc. O governo é incompetente para gerir. Deixa a iniciativa privada fazer isso. Variações de preços ocorrerão, mas o ajustes e a concorrência no mercado ajusta isso. O resto é lucro para o povo. Se ficar na situação que está, o lucro é apenas de Sindicatos e políticos mal intencionados. Simples assim.

    • Admirador DELE na Judeía do Mar MORTO, sertanejo no Rio PANEMA secado por 5 barragens em Pernambuco

      ôI, LION! … um leão por DIA, é a FOME!
      aqui em St’ANA desde 1980’s a telefonia MÓVEL homenageia dos 1930’s a MERCEARIA de Seu Pedro AGRA, pai de ALBERTO dos fios FIXOS nos 1960’s.
      Nos 1970’s, a esculhambação da PATRIOTADA da marolinha democrÔta 1954-1985 arrasou a CTSI [Cia Tel St’Ana ‘PANEMA], caindo de presidente Seu ALBERTO até arrumador – sim SINHÔ!
      Recente e DEMOCRATICAMENTE as lucrativas Petrobrás e B do Brasil – BOAS públicas EMPRESAS -, desafiam Caixa e Correios sob administrações autoritárias e CAÓTICAS.
      C’essa CAMBADA no Planalto desgovernada ladeira ABAIXO, desejaríamos esperar o QUE: desesperar?

  • wal

    Aí em onde mora o perigo. Entregar uma empresa nas mãos de um político, cujo os objetivos são:
    1) O camarada não entende da área.EX: um médico pra mexer com elétrica.
    2) Nem comparece ao trabalho.
    3) Por não comparecer, não trabalha.
    4) Seus salários, são estrondosos.
    5) Não respeita ninguém ou coisa nem uma.Ou nada com nada.
    6) Rouba as tortas e as direitas
    7) Viajar mais de avião do que os tripulantes; e com a grana do povo.
    Ou seja uma bagunça generalizada…um DEUS nos acuda.

  • JEu

    Na realidade é preciso fazer duas coisas: privatizar e eliminar a corrupção… isso porque as empresas privadas (em sua maioria) estão metidas até o pescoço na corrupção que grassa por esse país todo… assim, ou se faz as duas coisas, ou não adiantará muito simplesmente “vender” os ativos públicos só para fazer “caixa” em momento de economia fraca… ou do jeito que vai, logo, logo, vamos começar a “vender” terras, Municípios, Estados… a começar pela amazônia…

  • Castro

    Esse discurso alguns estadosde privatizar ou estatizar depende do olhar de cada um, está provado que os governos não têm capacidade de administrar nada, principalmente com essa forma de governo toma lá dá cá. Quanto aos preços dos serviços é verdade são altos, porque? Os impostos cobrados pelos estados ja ultrapassou o possível de se pagar. Veja a gasolina, em alguns estados o valor na bomba 50% é imposto, energia também, comunicação agui no estado é absurdo. quem tem internet verifique e faça os cálculos, exemplo – conta valor de $81,07, PIS 0,53, COFINS 2,43, ICMS 24,32. R$81,07 menos os impostos igual 53,79. ICMS 45.21%. Com uma carga tributária dessas para sustentar políticos, judiciário e etc. O povo aceita calado igual ovelhas, coloca uma na frente e as outras acompanham não importa para onde for.

  • Hélio

    OBRAS DE LULA E DILMA: 15 milhões de desempregados, Lula e Dilma organizaram quadrilhas com PMDB, PSDB, DEM, PP e outros e com empresários bandidos, aprovando emendas beneficiando-os as custas do erário. Lotearam as empresas estatais com todos os partidos com única finalidade de desviar fortunas destas empresas, faliram a Petrobras e diversas outras. Usaram verbas públicas para fazer a campanha de políticos da Venezuela e outros Países. Essa cantilena contra privatização ou concessão – como queiram – não tem outra explicação.

  • Vivo

    Apenas rápido e rasteiro.

    As tarifas lá fora são mais baratas, porque os impostos são mais baixos.

    Paga-se imposto de renda alto, mas os impostos sobre serviços e produtos são infinitamente menores.

    Por que, por exemplo, uma barra grande de chocolate Milka custa aqui R$ 30,00 em promoção e o mesmo chocolate em Barcelona custa €1,50, ou mais ou menos R$ 7,00?

    A Embraer se estivesse ainda sob a égide do governo, ainda estaria fabricando os aviões bandeirantes e tucanos, exclusivamente.

    Hoje, após a privatização, compete de igual para igual com as grandes do mercado internacional de aviação civil, entrando inclusive na fabricação de um grande aviso de transporte militar concorrente dos famosos Hércules americanos.

    Eletrobras está quebrada há muito tempo. Desde que era Ceal, aqui em Alagoas, que não cobrava energia aos políticos da vez (leia-se deputados estaduais, federais, senadores, parentes e agregados).

    Ou privatiza ou ficaremos sem energia, simples assim.