Depois de um mergulho profundo, o primeiro-tio Olavo Calheiros resolveu se manifestar na Assembleia para dizer que voltou atrás em relação ao projeto que ele chamou de “trem da alegria do Luciano”, numa referência ao vice-governador e secretário da Educação.

Foi graças à interferência do sobrinho e governador Renan Filho que Olavo – que mete medo em muitos governistas de carteirinha – decidiu apoiar o projeto que aumenta a gratificação de diretores das escolas públicas e cria 400 cargos de “articuladores de ensino”. Aliás, uma boa iniciativa de Barbosa.

O problema é o histórico entre os dois.

Segundo um palaciano (“fofoqueiro?”), a relação entre o primeiro-tio e vice-governador azedou de vez quando Luciano Barbosa era ministro da Integração Nacional, no governo FHC. Então, ele se negou a receber e tratou com descortesia um assessor de Olavo Calheiros, conhecido por ser impiedoso com adversários e inimigos.

De lá pra cá, a “amizade” entre os dois só fez descer ladeira abaixo, e a situação não degringolou de vez porque Luciano Barbosa é um fiel e leal seguidor do senador Renan Calheiros, o nome mais importante da família.

Renan Filho, com habilidade e sutileza, conseguiu estabelecer um armistício.

Renan Filho entra pra valer na briga pela prefeitura de Maceió
Machado foi-se, mas faltam ainda outros caciques do PMDB
  • Paulo de Tarso

    Esses Calheiros…O homes dos bois de ouro morreu pela boca, igual a peixe:

    RENAN: O que que ele (Delcídio) tem que fazer… Fazer uma carta, submeter a várias pessoas, fazer uma coisa humilde… Que já pagou um preço pelo que fez, foi preso tantos dias… Família pagou… A mulher pagou…
    WANDEMBERG: Ele (Delcídio) só vai entregar à comissão, fazer essa carta e vai embora.
    RENAN: Conselho de ética. Falei agora com o João (João Alberto, presidente do Conselho de Ética). O João, ele fica lá ouvindo os caras… O Conselho de Ética não tem elementos para levar processo adiante. Também é ruim dizer que não vai levar o processo adiante. Então, o Conselho de Ética tem que requerer diligências requisição de peças e enquanto isso não chegar fica lá parado…
    WANDEMBERG: (João Alberto) vai colocar em votação e vai ter uma derrota antecipada…

    SÉRGIO MACHADO: Agora esse Janot, Renan, é o maior mau caráter da face da terra.
    RENAN: Mau caráter! Mau caráter! E faz tudo que essa força-tarefa (Lava jato) quer.
    SÉRGIO MACHADO: É, ele não manda. E ele é mau caráter. E ele quer sair como herói. E tem que se encontrar uma fórmula de dar um chega pra lá nessa negociação ampla pra poder segurar esse pessoal (Lava Jato). Eles estão se achando o dono do mundo.
    RENAN: Dono do mundo.
    SÉRGIO MACHADO: E o PSDB pensava que não, mas o Aécio agora sabe. O Aécio, Renan, é o cara mais vulnerável do mundo.
    RENAN: É…
    SÉRGIO MACHADO: O Aécio é vulnerabilíssimo. Vulnerabilíssimo! Há muito tempo.
    SÉRGIO MACHADO: Como que você tem cara de pau, Renan, aquele cara Pauderney que agora virou herói. Um cara mais corrupto que aquele não existe, Pauderney Avelino.
    RENAN: Pauderney Avelino.
    RENAN: Mendocinha.
    SÉRGIO MACHADO: Mendocinha, todo mundo pô? Que *** é essa querer ser agora o dono da verdade?
    SÉRGIO MACHADO: O Zé (Zé Agripino) é outro que pode ser parceiro, não é possível que ele vá fazer maluquice.
    RENAN: O Zé, nós combinamos de botá-lo na roda. Eu disse ao Aécio e ao Serra. Que no próximo encontro que a gente tiver tem que botar o Zé Agripino e o Fernando Bezerra. Eu acho.
    SÉRGIO MACHADO: O PSB virou uma oposição radical. O Zé não tem como não entrar na roda.
    RENAN: O PSB quer o impeachment, mas o Fernando (Bezerra) é um cara bom.
    SÉRGIO MACHADO: Porque também entende disso que a gente está falando.
    RENAN: É.
    SÉRGIO MACHADO: Porque tem que tomar cuidado porque esse *** desse Noblat [se referindo ao colunista Ricardo Noblat, do jornal “O Globo”] botou que essa coisa de tirar a Dilma é maneira de salvar os corruptos.
    RENAN: Tirar a Dilma? Manter a Dilma?
    SÉRGIO MACHADO: Tirar a Dilma. Que é um processo de salvação, de salvação.
    RENAN: Que é a lógica que ela fez o tempo todo.
    SÉRGIO MACHADO: É porque esse processo. Porque Renan vou dizer o seguinte: dos políticos do congresso se “sobrar” cinco que não fez é muito. Governador nenhum. Não tem como, Renan.
    RENAN: Não tem como sobreviver.
    SÉRGIO MACHADO: Não tinha como sobreviver.
    RENAN: Tem não.
    SÉRGIO MACHADO: Não tem como sobreviver. Porque não é só, é a eleição e a manutenção toda do processo.
    RENAN: É.

    SÉRGIO MACHADO: O que eu quero conversar contigo… Ele não tem nada de você, nem de mim… O janot é um **** da maior, da maior.
    RENAN: eu sei. Janot e aquele cara da… Força tarefa…
    SÉRGIO MACHADO: Mas o Janot tem certeza que eu sou o caixa de vocês. Então o que ele quer fazer. Não encontrou nada e nem vai encontrar nada. Então quer me desvincular de você. (…) Ele acha que no Moro, o Moro vai me prender, e ai quebra a resistência e aí… Então a gente precisa ver, andei conversando com o presidente Sarney, como a gente encontra uma… Porque se me jogar lá embaixo eu estou ***.
    RENAN – Isso não pode acontecer.

    SÉRGIO MACHADO: Porque realmente se me jogarem para baixo, ai… Teori, ninguém consegue conversar.
    SARNEY: Você se dá com o Cesar. Cesar Rocha.
    SÉRGIO MACHADO: Hum.
    SARNEY: Cesar Rocha.
    SÉRGIO MACHADO: Dou, mas o Cesar não tem acesso ao Teori, não. Tem?
    SARNEY: Tem total acesso ao Teori. Muito, muito, muito, muito acesso, muito acesso. Eu preciso falar com Cesar. A única coisa com o Cesar, com o Teori é com o Cesar.

    Em outra gravação do dia 11 de março, Machado conversou com Sarney e Renan juntos. Eles falam sobre como ter acesso ao ministro Teori, mas desta vez através do advogado Eduardo Ferrão, que afirmam ser amigo do ministro. Sarney e Renan falam que a conversa tem que ser reservada.

    SARNEY: O Renan me fez uma lembrança que pode substituir o Cesar. O Ferrão é muito amigo do Teori.
    RENAN: tem que ser uma coisa confidencial.
    SÉRGIO MACHADO: Só entre nós e o Ferrão.

    SARNEY: Isso tem me preocupado muito porque eu sou o único que não tive num negócio desse, sou o único que não tive envolvido em nada. Vou me envolver num negócio desse.
    SÉRGIO MACHADO: Claro que não, o que acontece é que a gente tem que encontrar, me ajudar a encontrar a solução.
    SARNEY: Sem dúvida.
    SÉRGIO MACHADO: No que depender de mim, nem se preocupe. Agora, eu preciso, se esse *** me botar preso 1 ano, 2 anos, onde é que vai parar?
    SARNEY: Isso não vai acontecer. Nós não vamos deixar isso.

  • Frederico Farias

    Ainda bem! Que maravilha!
    Enfim, a neo-república das Alagoas está salva!
    E viva o papão!!!

  • WAL

    Se estas pragas, dependessem do meu voto, eles estariam fritos.
    VOTO NULO…

  • Luis Renato Rosa

    “. . . e tratou com descortesia um assessor de Olavo Calheiros, conhecido por ser impiedoso com adversários e inimigos . . .”. Quem é impiedoso com adversários e inimigos? O assessor ou Olavo?

    Caro Rosa:

    Se a vírgula não estivesse após o nome do deputado haveria motivo para dúvidas.
    É só reler seguindo a pontuação.