A declaração foi feita pelo desembargador Washington Luiz, presidente do Tribunal de Justiça, esta semana.

Segundo ele, durante uma visita ao seu gabinete, no TJ, os administradores da massa falida do Grupo JL afirmaram que gastaram R$ 20 milhões com segurança, principalmente, no período em que estiveram à frente dos negócios da Laginha.

O magistrado disse ao blog que indagou aos dois (provavelmente Carlos Franco e Felipe Olegário, que já renunciaram aos cargos) o que havia sido feito do dinheiro que o Grupo JL havia recebido da Conab:

– Eles disseram que gastaram com segurança e alguma coisa com manutenção, porque havia risco de invasão de propriedades e de depredação. Eu considerei um exagero, e disse: “Vocês estão brincando com dinheiro”.

O presidente do TJ contou que conversou com os administradores por duas vezes, uma das quais na presença do desembargador Tutmés Airan, repetindo a mesma história.

Para o magistrado, a situação fica ainda mais complicada quando se conhece a situação de milhares de pessoas que esperam receber o que o Grupo JL lhes deve.

A questão ao que parece, e levando em conta as denúncias já feitas pelo MP Estadual, deve ter desdobramentos na Justiça.

Explicação dos administradores

Em telefonema ao blog, o advogado Felipe Olegário afirmou que a quantia de R$ 20 milhões corresponde ao total que o Grupo JL recebeu da Conab. Os recursos, segundo ele, foram utilizados em vários pagamentos. O item segurança corresponde a um gasto de R$ 1,8 milhão, garantiu.

O advogado disse ainda que na próxima semana estará encaminhando ao MP Estadual as explicações sobre todas as operações realizadas e foram questionadas, agora, na Justiça.

Ele confirmou que conversou por duas vezes com o presidente do TJ, desembargador Washington Luiz.

Em seguida, ele enviou a nota que publico, abaixo, na íntegra:

Maceió/AL, 29 de maio de 2015.

Ref.: Processo n.º 0000707-30.2008.8.02.0042

Prezado Ricardo Mota,

Ao tempo que agradeço o espaço concedido, teço algumas considerações, alicerçadas em documentos que compõem o processo falimentar de Laginha Agro Industrial S/A:

  1. A quantia de R$ 20.561.215,00 refere-se ao valor total recebido pela Massa Falida de Laginha a título de subsídio da CONAB e não o importe gasto com segurança;
  2. De tal valor, em verdade, desde julho de 2014 até abril de 2015 (dez meses), gastou-se R$ 1.893.000,00 com segurança patrimonial para conservar patrimônio avaliado em quase R$ 2 bilhões;
  3. Com efeito, mais de R$ 17 milhões foram gastos com pagamento de salários de trabalhadores, encargos sociais e outras despesas com pessoal (transporte, plano de saúde, alimentação), abrangendo folhas salariais (e décimo terceiro) do período de novembro de 2013 a abril de 2015;
  4. Esclareço que prestação de contas de receitas e despesas da MASSA FALIDA, como prescreve a Lei 11.101/05, art. 22, III, “p”, foi juntada no mensalmente nos autos da falência, conforme fls. 18.995/19.153 (abril/2014), fls. 23.855/23.876 (maio/2014), fls. 25.474/25.509 (junho/2014), fls. 28.720/28.747 (julho/2014), fls. 28.761/28.792 (agosto/2014), fls. 30.083/30.109 (setembro/2014), fls. 31.524/31.549 (outubro 2014), fls. 31.877/31.905 (novembro /2014), fls. 32.205/32.231 (dezembro/2014), fls. 32.467/32.484 (janeiro/2015), fls. 32.995/33.018 (fevereiro/2015), fls. 33.099/33.119 (março 2015), fls. 33.385/34.402 (abril/2015), deixando consignado, em todas as petições, que “os documentos correspondentes encontram-se à disposição para consulta, mediante prévio agendamento, no escritório da Massa Falida”, bem como tendo disponibilizado cópia de todos os comprovantes de despesas ao Sr. Perito contábil, nomeado nos autos, cumprindo com meu dever de transparência e probidade.
  5. Ao contrário do que se possa imaginar, o processo de falência obteve avanços significativos, mormente quando se leva em consideração que os principais ativos foram avaliados e arrecadados: Usina Uruba (fls. 29.119/29.315), Usina Triálcool (fls. 30.745/30.988), Usina Vale do Paranaíba (fls. 30.474/30.715), Usina Laginha (fls. 29.390/29.714), Usina Guaxuma (fls. 29.735/30.002), Aeronave Carajá (fls. 29.362/29.367), Imóvel “Escritório Central” (fls.29.321/29.355) e Maceió Veículos e Peças Ltda. – Mapel (fls. 33.166/33.217);
  6. A seriedade do trabalho da Administração Judicial pode ser aferida quando se vê nos autos falimentares a juntada de propostas de aquisição da Usina Vale do Paranaíba (fls. 31.973/32.094) e (fls. 32.463/32.466), sendo a primeira à vista, no valor de R$ 165.000.000,00 (cento e sessenta e cinco milhões de reais) e a segunda, no valor da avaliação, R$ 211.300.000,00 (duzentos e onze milhões e trezentos mil reais), com sinal de R$ 50.000.000,00 (cinqüenta milhões de reais) e o saldo devedor em 10 (dez) anos, corrigido pelo IGPM. Qualquer uma das propostas, acentue-se, seria suficiente para quitar os débitos com os trabalhadores.
  7. A propósito, ratifico posicionamento, expressamente defendido em Assembleia de Credores (realizada em 17/07/2014), de que a solução para os autos deve ser híbrida: a) venda das unidades industriais Vale do Paranaíba e Triálcool, em Minas Gerais, da aeronave CARAJA, da MAPEL e do Escritório Central, para pagamento de milhares de trabalhadores e credores extraconcursais e b) arrendamento das unidades industriais Guaxuma, Laginha e Uruba, para que se aguarde melhora no setor sucroenergético, com a conseqüente futura valorização de tais ativos.
  8. Ratifico a confiança de que o Poder Judiciário do Estado de Alagoas resolverá a questão dos autos da melhor forma.

Atenciosamente,

FELIPE OLEGÁRIO

Ressentimento ainda fará 17ª Vara sangrar na Assembleia
Vice Erasmo Dias toma posse de novo na prefeitura de Traipu
  • acosta

    Essa história não tem fim!! O começo todos sabem! Quando o então deputado e empresário João Lyra acreditou que seria o novo governador de Alagoas! Gastou milhões na sua campanha! Recursos vindos das empresas! O resultado está aí! Se tivesse ganho quem estaria pagando esta conta seriamos nós! Hoje quem paga são os funcionários, fornecedores e etc, que ficaram sem receber um centavo..
    E a justiça? O que faz??? Até o momento nada!!!!!!!!

  • Didi

    E desde quando a segurança privada em Alagoas é barata?

  • Ex-Colaborador da Massa Falida

    Isso é pinto para o que fizeram à Laginha.
    O testemunho maior esta com os que foram postos para fora nesses últimos meses, principalmente das Unidades Industriais.

  • jorge firmino de melo

    Será que toda esta pressão é que não houve concordancia na divisão da mísera fatia bolo????????

  • Dedé

    Não acredito que gastos com campanha foi o principal motivo para quebrar um grupo com este porte.

  • Maria

    O nobre advogado deve ter levado uma queda para vir com essa conversa. Se é para pagar de forma ” híbrida” e em 10 anos, ou adi o setor melhorar, era mais vantajoso deixar a administração com Joao Lyra, pelo menos as usinas, bem ou mal, estavam funcionando. E o gasto em segurança não adiantou nada. Tudo invadido e abandonado

  • junior

    É COBRA COMENDO COBRA, ABSURDO EM QUANTO ISSO OS EX- E ATUAIS FUNCIONARIO PASSAM POR DIFICULDADES FINANCEIRAS JUNTO COM SUAS FAMILIAS, EU NÃO SEI PORQUE ESSA DEMORA TODA PARA VENDER ISSO. “ACHO QUE NESSE ANGÚ TEM CAROÇO DEMAIS”

  • ARTUR

    URUBUS EM CIMA DO OSSO AVENTURANDO UMA PONTINHA DE CARNE E ACHARAM.
    A vida se encarrega de retribuir a cada um a colheita do que plantou, mesmo que tardia. Esta semana encontrei o João Lira de carro entrando no escritório próximo a Guaxuma e logo veio a pergunta: O João ATERRIZOU? foi pouso forçado? respondi: claro que sim. Só andava de helicóptero cheio de amigos,bajuladores etc. e hoje sozinho acompanhado com o motorista. Sinceramente fiquei com pena.
    Tomei conhecimento que nessa falência anunciada e provocada pela vaidade, muitos tiraram proveitos e enriqueceram em cima de sua desgraça, essa grana gasto com segurança é o fio da meada.

  • júnior

    A QUEM FOI QUE ELES PAGARAM SALÁRIO DE DEZEMBRO 2013; 13°; E SALÁRIOS DE JANEIRO A MARÇO 2014? DEVE TER SIDO PAGO AOS FUNCIONÁRIOS DO ESCRITÓRIO CENTRAL E AOS ADMINISTRADORES QUE TINHAM SALÁRIOS ALTOS, VE SE OS DELES NÃO FORAM PAGOS? POIS OS TRABALHADORES DAS USINAS FORAM DEMITIDOS EM MARÇO 2014, SEM RECEBER NADA. ISSO É UMA VERGONHA. ELES VEM A PÚBLICO COM DESCULPA DE ONDE COLOCARAM OS 21 MILHÕES DA CONAB.

  • Ex – colaborar

    Caro Dr. Felipe Olegário,
    Aproveitando o ensejo, questiono quais atitudes foram adotadas por vocês (massa falida), sobretudo pelo colega, que é advogado, acerca da gestão das demandas judiciais propostas por ex-empregados da falida na esfera laboral, tendo em vista que centenas de reclamações trabalhistas foram julgadas à revelia, bem como em virtude dos diversos acordos realizados, ainda em fase de conhecimento, através dos quais foram transacionadas, para pagamento, além das verbas rescisórias, diversas outras questionáveis, sem sequer haver uma adequada instrução processual. Acordo em valores vultosos para quitar eventuais “horas extras”, “danos morais”, dentre outras verbas. Tal fato é público e notório, pois basta requerer uma certidão para que se possa auferir as dezenas de milhões que já foram habilitados no processo falimentar, dos quais grande parte não dizem respeito à verbas rescisórias, as quais, na minha humilde opinião, seriam prioridades.

  • Precisamos de uma resposta já.

    É lamentável que depois de tanta investigação nenhuma medida seja tomada aos mesmos. Eles achavam que iam continuar deitando e rolando no dinheiro como vinham fazendo. Não vimos andamento algum nesse período que passaram a frente da massa a não ser seus próprios interesses. Tão sabidinhos, só falam do dinheiro da Conab e o restante que entrou da venda das canas, e tantas outras coisas que vinham vendendo como sucata e arrendando muitas coisas. Vendendo por preços insignificantes. Justiça faça-se justiça. Porque tantos ex-funcionários e fornecedores enquanto isso estão de mãos atadas. Esses sim foram e estão sendo os únicos prejudicados. Contratem justiça uma auditoria de nome e vejam os gastos exorbitantes e desnecessários que foram feitos em benefícios deles próprios. Chega de tanto sofrimento com quem de fato e de direito esta a espera de seus direitos, que são seus, não estão cobrando nada que não tenha sido anos dedicação .

  • júnior

    ATÉ O MÊS PASSADO A SEGURANÇA DAS USINAS ERAM FEITAS PELOS VIGILANTES PROPRIOS, QUE ELES DEMITIRAM NÃO INDENIZARAM NADA E CONTRATOU EMPRESA TERCEIRIZADA, SERÁ QUE EM DOIS MESES GASTARAM QUASE 2 MILHÕES EM SEGURANÇA? OUTRA COISA CADÊ O DINHEIRO DA VENDA DAS CANAS E DAS SUCATAS?FORAM CERCA DE 400.000 TON, EM MINAS E EM ALAGOAS, ISSO AO PREÇO MÉDIO R$ 50,00/TON, DARIA 20 MILHÕES É OUTRA CONAB QUE DESAPAREÇEU.

  • cal torres

    Quero saber, só uma coisa… quando finalmente a JUSTIÇA DO ESTADO DE ALAGOAS, vai autorizar a venda de algum bem, única forma de pagar tantos como eu, pobre credor da massa cada vez mais falida.

  • Ex Funcionario

    Como assim pagaram folha de novembro até abril de 2015, se até hoje não recebi esses salários, é muito descaramento mentir dessa forma.

  • Ex Colaborador

    Atos insanos praticados por essa “Administração” composta por esse “advogado” que escreve essas linhas acima, a exemplo de deixar o funcionário trabalhar o mês todo para logo após ser demitido sem pagar o devido salário. Estratégia massacrante de jogar esses dias como saldo de salário numa rescisão que só Deus sabe quando vai ser paga.