Antes que você pense que o título é um chiste, uma piada, peço que leia até o final. O dito aí em cima será explicado lá embaixo.

O argumento principal usado pelos poderosos de plantão – não somente o PT de Lula e Dilma – é de que a correlação de forças empurra os governos para os braços dos partidos fisiológicos e que abrigam gente de todo o tipo. Basta ver a lista de clientes do doleiro de todos os crimes, Alberto Youssef.

Isso, em parte, é verdade. As alianças são necessárias, mas têm efeitos colaterais que transformam o remédio no pior dos venenos.

A tal “governabilidade” brasileira – que parece mais uma jabuticaba – é feita como uma operação de açougue: retalha-se o animal (a máquina pública) e entrega-se a cada um dos comensais – partidos ou parlamentares – a sua parte.

Quem pode mais, leva o maior pedaço. O contrário também é verdadeiro (e tem gente que adora uma carne de pescoço).

Na sequência, explicam os defensores do modelo em vigor, o governo pode realizar as transformações necessárias e que foram por ele projetadas estrategicamente. Pelo menos as mais urgentes.

Balela!

No ano passado, no auge das manifestações de junho, o Palácio do Planalto veio a público dizer que estava disposto a encaminhar uma proposta corajosa e – esta, sim – urgente: uma constituinte exclusiva para a realização da Reforma Política, ponto de partida das demais.

Voltou atrás no dia seguinte, de forma covarde, sob o argumento de que a “base aliada”, aquela que garante a “governabilidade”, rejeitou com veemência a proposição.

Perdemos todos.

Ganharam os de sempre. Uma gente que engorda em todos os governos e que chega a cada nova eleição ainda mais fortalecida pela máquina (o pedaço do boi que recebeu): Petrobras, Caixa Econômica, Banco do Brasil, Correios, Eletrobras etc. Tornam-se, depois do banquete pantagruélico, imbatíveis.

Graças à “governabilidade”.

Esta não é apenas a “velha política”, é a política mais podre, de fato envelhecida, imprestável, moribunda e em vias de sepultamento. Que não permite que o país se reinvente; que o Estado brasileiro seja generoso de verdade para com o nosso povo.

É a política vista com o olhar criminoso.

Quando o governo, seja lá qual for, terá estofo para encarar a turma de sempre, alimentada e realimentada pela máquina pública e pelos empresários parasitas do erário, independentemente de quem lá esteja?

Eles, sim, serão sempre os mesmos, se não dermos um basta aos que rejeitam o altruísmo ou não demonstram qualquer sinal de empatia, ainda que sejam “homens públicos”. Basta dar uma olhada nos líderes políticos brasileiros dos últimos anos.

Nós somos melhores do que eles, estou convencido disso.

Uma gente, em regra, medíocre, pobre de propósitos, talvez rica só de depósitos.

A frieira?

Os números do saneamento básico no Brasil continuam ridículos. A lama que corre pelas ruas e vielas das cidades brasileiras, todos sabem, provoca frieiras. Um mal até fácil de curar, se houvesse posto de saúde nas áreas mais pobres funcionando com dignidade.

O câncer?

Quantas mulheres morrem no Brasil de câncer de mama por não terem acesso a um exame mais simples, um tratamento em fase precoce da doença?

Quantos homens morrem no Brasil de câncer de próstata por não terem acesso a um exame mais simples, que poderia lhes dar uma vida mais longa e melhor?

O dinheiro para esses serviços, urgentes e necessários, sai pelo ralo da “governabilidade”.

Eis uma boa hipótese para a etiologia da frieira e do câncer maior do país. Se até explica, não justifica.

Luto
Qual o tamanho do amor da "base aliada" por Dilma?
  • Paulo

    Parabéns Ricardo pelo belo comentário. Continuo sendo seu admirador de carteirinha, pois vejo muita responsabilidade em seus comentários e também muita realidade.

  • jose carlos cavalcante

    Leitura corretissima caro Ricardo, ta chegando a hora, aqueles que tiveram a coragem de acordar o gigante, tem que o faze-lo em outubro, pois deram uma dose de rivotrio elevada e ele voltou a dormir.

  • Luiz Henrique

    Bom dia Ricardo, ao redator da reportagem sobre os sete motivos que ele encontrou para a Marina não se eleger, inclusive pedindo votos para outros candidatos, ou seja, induzindo o cidadão a tirar votos dela, é digno de pena. A mulher cresce nas pesquisas, se formos olhar as alianças, conheço gente de bem candidato a deputado aqui, porém apoiando Renan Filho e Biu de. Lira. Infelizmente, essas pessoas não colocam seus nomes abaixo de suas reportagens para assumir o que realmente quer. Marina vai se eleger no primeiro turno, alianças na política são feitas com políticos bons ou não. Vejamos o estado de Alagoas. Das velhas raposas, muitos estão candidatos de novo e ainda colocando sua prole também. E o pior vão se eleger, pois os alagoanos reclamam do aumento da energia, da cesta básica, da gasolina, mas todo ano eletivo votam nos mesmos. E quando você faz a mesma escolha de um erro o resultado não pode ser diferente. Sejamos o último estado a falar das alianças de Marina seja com quem for, pois, com os políticos que temos, e prova disso são os candidatos ao governo, somos forçados a ver políticos sujos, criminosos, assassinos assumirem os mas altos cargos políticos aqui. Lavemos nossa boca para falar dos outros. Deixo aqui o velho dito: Quem tem telhado de vidro, não tira pedra na casa dos outros.

  • Alexandre

    Ricardo, já define da seguinte forma: o Estado comparo a um bolo com cobertura, onde dividimos da seguinte maneira. Fatia-se um pedaço grande para quem come muito, uns apenas a cobertura, outros pedaços pequenos, outros apenas a parte queimada de baixo do bolo e outros só olhando para ele. É assim o nosso Estado.

  • Momento de Reflexão

    ILAÇÃO ESPÍRITA

    O impulso de odiar, quando não extirpado, será sempre fator de desequilíbrio.
    Primeiro, leva a grande perturbação.
    Da grande perturbação, conduz à doença.
    Da doença, transporta à agressividade exagerada.
    Da agressividade exagerada, leva à delinquência potencial.
    Da delinquência potencial, é capaz de sair para loucura e crime, angústia ou queda, pela fermentação da culpa.
    E, na fermentação da culpa, o espírito pode atravessar muitos séculos em reencarnações de tratamento ou reajuste.
    Capacitemo-nos de que não vale odiar, de nenhum modo e em tempo algum.
    Lembremos que somos espíritos eternos criados por Deus, que nos ama e sustenta, ampara e abençoa, provendo recursos em nosso favor e dos outros, até que todos atinjamos a perfeição.
    Daí a recomendação de Jesus, de que devemos perdoar sempre.

    Albino Teixeira / Médium Chico Xavier
    Livro: Mãos Marcadas (extrato) – Ed. IDE

  • Vencedor

    Votar nulo é mais gostoso! É menos constrangedor! Se Marina presidente, acabar com a velha política, vou pensar diferente!

  • Frederico Farias

    E por falar em “governabilidade” e Petrobras, a que temperatura a batata do príncipe-filhote vai assar.

  • ARTUR

    Queria ter o poder de colocar nas mãos de cada Brasileiro esse texto que é a radiografia do que vemos hoje, vale salientar que nós temos culpa por através do VOTO criar esses abutres do poder.
    Ricardo, tenho certeza que DEUS lhe colocou no mundo para ser jornalista e com essa ferramenta cumpre seu papel de esclarecer a quem não enxergam a luz no final do túnel.
    Queria que você fosse candidato um dia, porem sei que não é sua praia e concordo para que você continue vivendo no meio de nós inocentes.. Abraço

  • Antonio

    Pra grandes males…Determinados cancros,mesmo “benignos” precisam ser EXTIRPADOS,antes que comprometam o “sistema”.Estamos em falência múltipla de órgãos.Discordam? “Ou o Brasil acaba com a saúva,ou…???!!!”

  • Felipe

    Belíssima e sensata reflexão. Parabéns Ricardo!

  • JEu

    Concordo com vc Ricardo em todos os graus. Realmente, a tal governabilidade tem sido o elemento fomentador da corrupção que acaba por minar os administradores públicos eleitos pelo povo. Porém, alguns têm sido forçados a esta situação, enquanto que outros seguem o movimento com grande prazer. Tal, para mim, parecem os governos do PT. O maior exemplo deste veneno é tal do mensalão no governo do Lula, que tem resistido aos mais fortes remédios jurídicos (até o “médico” Joaquim Barbosa não suportou ficar repetindo a medicação e pediu aposentadoria) e está se fortalecendo no governo da Dilma (veja o caso da Petrobrás)… Só o voto consciente, que coloque no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas Estaduais e nas Câmaras Municipais uma maioria decente, honesta e comprometida com o bem público é que pode mudar tal quadro grave de “saúde” moral e ética que assola nosso país…

  • Ricardo

    Ricardo, sugiro que, você como abalizado formador de opinião, volte a enfocar a necessidade de sermos mais rigorosos em nossas escolhas na eleição PROPORCIONAL. Voce fez esta semana, como diz em francês, “en passant”, um registro sobre essa sua preocupação. Por que não aprofundá-la e dessimina-la entre seus inúmeros seguidores, e contribuindo talvez, para melhores escolhas ?

  • Castro

    Nos debates políticos em 2010, a Srª Dilma garantiu que até o final de seu mandato todas as moradias (casas) do país teriam saneamento básico.
    Todos esqueceram as promessas? Promessa é dívida, se não paga castiga.

  • Fabio

    O PT é um partido que escolheu o caminho do MAL, senão vejamos: Ele não quiz o apoio de politicos serios e excluiu de sua base Pedro Simom, Cristovão Buarque, Roberto Freire, Heloisa Helena, Chico Alencar, Luciana Genro, Vladimir Palmeira, Jarbas Vasconcelos, e no lugar desses o PT colocou Sarney, Renan, Maluf, Jader Barbalho, Collor, Inocêcio Oliveira, esse é o PT que a classe média tanto Odeia.

  • J.Monteiro

    Meu caro Ricardo Mota, diante da sensatez do seu texto, e de tantos desmandos praticados pelos aloprados e mensaleiros do PT, onde Dilma Lula da Silva, e seu criador e conselheiro mor, Lula Disfarçado da Silva, são seus maiores expoentes, quando ouço eles e seus asseclas pronunciarem a palavra “governabilidade”, associo isso a outra palavra : FORMAÇÃO DE QUADRILHA.

  • Helder

    Ricardo, o que é essa tal de nova política? Por que ela precisa estar associada a uma constituinte exclusiva? Aliás, é possível uma constituinte exusiva? Ora, a Dilma sabia que a proposta era juridicamente aberrante, típicas dessas republiquetas bolivarianas. E não teve apoio político por que os partidos da basealiaaliada ainda não são suicidas.

  • zeca torres

    Prezado Ricardo. Vamos votar na Marina. Dos 3 com possibilidades de eleição ela é disparadamente a melhor. Quanto à governabilidade, sabemosque em qualquer democracia pluralista, seja parlamentarista ou presidencialista eles têm que existir. Assim, o importante é saber com quem sarão feitos esses acordos, e, de que maneira e em que condições. Se levarmos em consideração que nem todos os políticos são ruins e corruptos, existirão bons políticos em todos os partidos que poderão dar sustentaçã ao seu futuro governo. As pessoa têm que entender que os representantes políticos são o extrato da sociedade. Sabemos que a nossa sociedade é tudo, menos pura. Se o povo erra e peca em suas atividades diárias como poderá exigir que os políticos que eles elegeram sejam puros? O que sabemos, na verdade, é que os que se acham puros não querem sacrificar o seu conforto colaborarem com suas vidas e experiências para melhorar a atividade política. Essas pessoas querem um governo melhor, mas, não têm coragem de se sacrificar por esse ideal. Então, se o jogo político já começou e os jogadores são aqueles que aí estã, não deveremos cair no mesmo erro colocando a responsabilidade nas costas de um só jogador ,Neymar. Façamos como a Alemanha que nos deu um exemplo de vitória apostando no coletivo, e venceu a copa. Se Deus, por sua infinita sabedoria, está colocando a Marina como a melhor opção para melhorar a nossa pátria, vamos dar um crédito de confiança a ela, que por certo, saberá atrair para si os melhores. Os bons atraem, grac os bons e os maus atraem os maus. A MARINA É DO BEM, ASSIM CONO NÓS E VOCÊ. Não tenho dúvidas de que com Marina veremos melhores dias para nossa pátria, GRAÇAS A DEUS.

  • Oscar RLF

    Parabens Ricardo, um grande texto a vossa altura profissional e etica, um dos melhores e mais sinteticos no frigir politico editorial recente!

  • Anselmo Carvalho de Oliveira

    Parabéns Ricardo, o texto simplesmente espetacular, entretanto, enquanto o povo continuar elegendo em parte a escória de Brasília, não haverá mudanças profundas para melhorar o sofrimento de nosso povo.