Eu que acompanho a política local há 40 anos, pelo menos, me espanto ao ver o quanto os candidatos temem às ruas.

Até chegam à periferia, onde a população é mais tolerante e transforma tudo em – necessária – festa. A movimentação que foge do cotidiano será sempre bem-vinda.

Há, sim, uma hostilidade no ar contra os que atuam na área política. Entretanto, fugir do eleitor, apresentando-se tão somente como personagens televisivos, não é o caminho do enfrentamento dessa realidade.

Pelo contrário, é a aceitação de que “é assim e deve continuar assim”.

Se no interior os principais candidatos ainda encaram o eleitor em carreatas – principalmente estas por serem menos arriscadas – e até caminhadas curtas, na capital eles fogem do povo como…

Podem escolher o desfecho da frase.

Ainda esta semana, o grupo do deputado Renan Filho tentou fazer uma caminhada no Centro.

A reação foi a esperada – nada de excepcional.

Mas não se pode desistir. Qualquer candidato majoritário – ainda que leve a sua claque – vai sofrer o mesmo constrangimento (como me narrou um colega de um grande veículo nacional).

Mas, diga-se de passagem, a hostilidade foi dentro do tolerável, sem agressividade.

O pior, para mim, é o medo que os candidatos – de forma geral, repito – têm do povo.

O ex-governador Mário Covas, de São Paulo, já então se deparava com os protestos de rua, principalmente de servidores, mas os enfrentava.

E claro que não podemos comparar, pelo histórico e conteúdo, os candidatos locais com o personagem que já morreu, mas temer as ruas é só adiar a manifestação de repulsa que elas ainda tornarão a receber.

Campanha sem povo (“povo” sem pagamento) é a abertura do ato final sobre a tragédia da democracia representativa no Brasil.

Que aqui chegou atrasada e aqui parece encontrar pioneiramente o seu sepultamento.

Governador Vilela: de sábio a sabido
O falso dilema de Heloísa Helena
  • Fred

    Claro e isso vai acontecer repetitivamente. Não é sempre que votamos em quem queremos, mas em quem o sr. renan calheiros deixa.Lembre que ele não deixou Cicero Almeida ser candidato a governador agora, assim como não deixou Pinto de Luna ser candidato a senador em 2010. Isso é democracia? Este é um dos motivos para o grande desinteresse pela eleição. Como você pode ter vontade de votar em quem voce sabe que não representa o interesse coletivo, mas no interesse dele e da família.

  • Eduardo Cardoso

    Ricardo, para a sua informação o Renan Filho fez mais de 50 eventos sem a classe política no qual ouve as necessidades de cada bairro de Maceio. A aceitação de RF é fantástica.
    Sua agenda ja contemplou várias caminhadas na capital e interior.
    Quem tá correndo do povo é o Biu que maltratou as famílias carentes na Secretaria de Educação. Este sim está “corrido”.

  • Artur Marinho

    O povo não tolera mesmo certas coisas, ver o Biu de Lira dizendo que vai resolver os problemas de Alagoas é um exemplo. Biu foi recepcionado com vaias em Atalaia. Tem vídeo que comprova o que escrevi.

  • Daniel

    Heloísa não foge de nada, majoritária ou proporcional ela não se rende. Por isso terá sempre meu voto, respeito e admiração. Heloísa é como Marina “Biorana” Silva se meter o machado não sai faísca mas ela não verga.
    https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=848622658482699&id=126351747376464

  • João Bosco de Castro

    A bem da verdade, Ricardo, as agressões sofridas por Mario Covas foram obra e graça dos petistas de São Paulo, notadamente de Zé Dirceu, “o chefe da organização criminosa”, nas palavras do Procurador-Geral da República.

    Há vídeos à disposição no Youtube em que o hoje presidiário incita a turba a agredir os tucanos. Covas chegou a levar uma “talagada” com um mastro de bandeira. É inesquecível sua reação no momento quando, já debilitado pelo câncer, chama o grupo que o agrediu do que realmente eram: covardes!

    Na atual eleição, é risível a campanha presidencial do ex-Partido dos Trabalhadores. Você só vê plateia amestrada, pronta para aplaudir. Povo que é bom, nada…

  • Marcelo Amorim

    Caro Ricardo, penso que a reforma política se tornou a principal e mais urgente medida para a transformação e aperfeiçoamento de nossa democracia, mas, aoo meu entender, uma reforma que permita a qualquer cidadão representante de associação, entidade, classe, disputar o processo eleitoral independente de partido político. Só assim, imagino mesmo que ingenuinamente, poderemos ter novos nomes, liivres e independentes de toda a estrututura de compra e venda que se tornaram a maioria das siglas, todas com “donos” registrados em cartórios! Quanto as manifestações contrárias da populaçao, como a ocorrida no centro de Maceió, é apenas o início da ação do eleitor “otaŕio” para tantos candidatos, mas que vota com a própria consciência e não levanta bandeira motivado pelo interesse do cargo comissionado, da bajulação, do serviço sujo de tantos maus gestores que nos cercam. Ainda bem!

  • Laura G. Oliveira

    Respeitosamente, meu caro amigo jornalista Ricardo Mota, sua fonte de informação está completamente equivocada. Participei da caminhada e foi sim, um sucesso. Aliás, a cada dia que passa a adesão pela candidatura de Renan Filho aumenta mais. Um abraço. Aliás, 15 abraços 😉

  • Mário

    Tem candidato ao governo que não está preocupado com as ruas, pois o dinheiro está jorrando junto aos proporcionais e
    aos lideres comunitários. E ainda tem o combustivel que es-
    tá sendo dado como leite de vaca de ouro.(Isso é uma ver-
    gonha!).

  • Joaquim Brito

    Ricardo, me permita uma observação. Renan Filho, bem como
    vários candidatos proporcionais do PT, especialmente Paulão, têm feito caminhadas (não só carreatas), pelo menos tres vezes por semana. Quanto a caminhada da coligação do Renan pelo centro da cidade, terça-feira (26/08), eu estava lá.
    Não houve nenhuma hostilidade. Pelo contrário, excelente recepção. Abraços.

  • ARTUR

    Estive na FITS para uma formatura a convite, quando chega a comitiva de Renan Filho e para minha surpresa não presenciei nenhuma anormalidade no comportamento dos jovens com relação a presença do candidato, parecia um cidadão desconhecido ou comum. Antigamente quando chegava um político em determinado ambiente todos se voltavam para a autoridade. Fiquei muito feliz com o comportamento dos jovens, nem aí.

  • JEu

    “como o diabo foge da cruz…” O que nós assistimos agora é a verdade sobre o voto consciente. O cidadão, pelo menos em Maceió, está mais consciente do que é a politicagem eleitoreira e já demonstra cansaço disso tudo. Chega de mentiras e enganações, o povo começa a querer mesmo uma Alagoas diferente…

  • JEu

    Creio que HH pode e deve aceitar o apoio dos empresários sinceros que acreditem em sua campanha e não queiram que ela assine “um papel em branco” para cobrar favores depois. Esses são bem-vindos na campanha, pois não vão constranger HH a ser uma pessoa diferente do que ela tem demonstrado ser, nem vão querer que ela deixe de ser uma voz ativa contra a corrupção e o descaramento no Senado e no Congresso Nacional, e, portanto não vão querer que ela deixe de clamar contra o que é imortal e antiético na política nacional. Também é necessário entender que, se HH nunca vai se envolver com compra de votos, para quê, então, dinheiro demais no caixa da campanha? Foi por causa da “bolsa” que Judas traiu Jesus… e muita gente vende a consciência…

  • ARTUR

    Hoje no 11:30 noticia o assunto que me chamou atenção foi o desestímulo do eleitorado Alagoano. É verdade, agora a pouco um amigo do sertão me ligou perguntando como estava o movimento politico em Maceió e falei que estava parado sem ânimo e ele falou que não era diferente de lá. A população não se manifesta sobre os candidatos, falou também que fizeram uma pesquisa na cidade e o resultado foi: MARINA = 130 votos – DILMA = 100 – AÉCIO = 45 votos . E ao questionar seus funcionários quem seria melhor para presidente foram taxativos : Claro que é a mamãe DILMA em função da bolsa família. É ou não é uma compra de VOTO?

  • Frederico Farias

    Povo assusta, mete medo. Que o digam as ruas de junho/2013.