É bastante possível – e até provável – que este quadro mude lá para o final de setembro. Mas a reação do eleitorado em relação ao pleito deste ano é atípica.

Segue, estou certo, a mesma linha das manifestações de junho do ano passado. Que sofreram desgaste, pela excessiva exibição de violência sem causa na grande mídia (nos outros países não é diferente do que aconteceu aqui.)

O não “a isso que está aí” se manifesta de outras formas, porque assim é o movimento social: não segue em linha reta e surpreende a todos os “donos do futuro”.

Se tomarmos como exemplo a disputa no Rio de Janeiro, estado conhecido pela politização – que às vezes resulta no escárnio -, podemos até nos espantar.

Por lá, mostrou a última pesquisa do Ibope (do notório Luiz Montenegro) que 57% dos entrevistados “têm pouco ou nenhum interesse” pelas eleições deste ano. Outros 19% dizem que votarão em branco ou nulo.

O que sobrou, convenhamos, é muito pouco, principalmente se elencarmos os cinco candidatos que estão na disputa: os senadores Lindberg e Crivela, o ex-governador Garotinho, o atual governador Pezão e o ex-prefeito César Maia.

Na semana passada, me chegou às mãos uma pesquisa feita em Maceió, por um instituto decente e respeitado. Não publico o resultado porque não há registro da pesquisa na Justiça Eleitoral.

Mas o que me chamou a atenção foi o número de eleitores que, na pesquisa espontânea, disseram que não sabiam em quem votar para governador: 51%.

Mais 24% afirmaram que votarão em branco ou nulo.

Repito: o calor da disputa, com agressões de parte a parte, revelações de segredos (quem sabe até de alcova), tudo isso haverá de chamar a atenção do eleitor.

Caso os candidatos não consigam se mostrar atraentes, restará sempre a possibilidade de uma nudez em praça pública, uma tentativa – sem êxito, que fique claro – de suicídio com direito a plateia, ou até algo mais criativo.

Se nada disso der certo, poderemos enfim criar uma eleição sem eleitor.

O Senado bem que pode providenciar uma, na despedida de Sarney, como uma homenagem.

Mata-mata: o Brasil já é o campeão do mundo!
Rogério Teófilo ainda não foi convencido a ser o vice de ET
  • Frederico Farias

    “Se nada disso der certo, poderemos enfim criar uma eleição sem eleitor.”

    “O Senado bem que pode providenciar uma, na despedida de Sarney, como uma homenagem.”

    SUGIRO QUE O NOSSO PROBO E ILIBADO SENADO RESSUSCITE O ´PACOTE DE ABRIL´ (ABRIL DE 1977) DA DITADURA MILITAR, E DELE APROVEITEM – NA MOITA, SEM FECHAR O CONGRESSO, CLARO – A IMPOLUTA E TELÚRICA FIGURA DO SENADOR BIÔNICO, ETERNIZANDO, ENFIM, SENADORES COMO sarney – O DONO DO MARANHÃO -, collor – O PRÍNCIPE-FILHOTE E renan-pai – O CORONEL DE MURICI.

  • robério

    Para que uma eleição com tesão? os candidatos são os mesmos de sempre. É hereditário. Resquícios dos tempos do Império, onde o senador era escolhido em lista tríplice pelo imperador. Hoje ficam “apenas” 8 anos em cada mandato, depois se reelegem… Outra percepção errada é acreditar que o povo não está nem aí para eleições. Mentira. Basta começar o jogo e todos correm para os braços dos políticos celebridades. As manifestações de junho correspondem apenas 1 ou 2% do eleitorado, e ainda por cima são na maioria a classe média. O povão, a classe operária, tá nem aí com “manifestações”. E outra, as movimentos sociais têm cunho político, pois vejamos, sempre tem um partido de “esquerda” por trás. Aliás, a esquerda no Brasil nunca existiu, pelo menos nos moldes marxistas, pois Marx já dizia, os partidos lutam pelo poder e ao chegar no poder procuram usar o aparato estatal em proveito próprio. O único partido é o próprio trabalhador, a união dos trabalhadores, mas que fora sufocado pelo capitalismo, pelo consumismo, pela mídia, pela ideologia política. Outra coisa, esse papo de democracia é conversa fiada. Não vivemos numa democracia, mas num sistema corrupto, numa pseudodemocracia onde o poder fala mais alto. Basta lembrar o texto do Rubem Alves, política e jardinagem. A mídia inventa as pesquisas dizendo que a população não tem interesse pelas eleições, isso é falso. Se fosse verdade, o candidato mais votado em AL para o senado não teria mais de 1 milhão de votos. Chapão? que chapão? oposição? que oposição? não existe oposição em política, ou melhor, politicagem. Portanto, o blogueiro, por mais que seja culto e informado, está se enganando ou tentando enganar, através da mídia, através de seu texto. Sabe ele que, esse jogo eleitoreiro é um processo de luta pelo poder. Poder econômico e ideológico. Daqui a poucos meses veremos que essa pesquisa é uma farsa.

  • Tiago

    Olhando para o meu Estado, eu fico indignado com opção de candidatos a governador que temos, nossa tem alguns que são menos piores, mas esse ano sinceramente estamos sem opção, tem um ai que usou imagens de casa da Paraíba na sua campanha e vem falar de querer menino na escola, se povo tivesse informação, esse nem candidato seria.

  • fred

    Meu nobre e estimado RICARDO, estamos na copa, depois é que a onça vai beber água, e termos tempos de assistir aquelas velhas e novas promessas, que não serão cumpridas.

  • roose

    Tesão no processo eleitoral em Alagoas só para masoquista ou que leva vantagem individual e pessoal com o referido processo. Nos cidadãos já estamos cansados desses políticos mentirosos e profissionais. Espero que um dia possamos nos livrar deles. Sem precisar radicalizar como os eleitores do sul do País que querem se separar do restante do Brasil.

  • Glorioso

    Veja bem, o Brasil para ter um verdadeiro regime democrático, tem que acabar com o voto obrigatório, a propaganda eleitoral obrigatória, acabar com o instituto da reeleição em todos os níveis, com a justiça eleitoral. Deixar o povo livre para escolher o melhor para o país. Não devemos ser obrigados a votar nos mesmos políticos ou nos herdeiros. Que país é esse!