Encanta-me, na Copa, o comportamento das torcidas, inclusive a nossa – com exceção do episódio da abertura envolvendo a presidente Dilma. (Êpa! Hoje não é dia de falar de política.)

Mas, ver alemães, holandeses e principalmente os sul-americanos fazendo a festa nos estádios e nas ruas do Brasil, se misturando, se envolvendo com os nativos e se divertindo com nosotros, tudo isso resulta em um cenário que pode trazer algum alento para os povos beligerantes.

Os chilenos, replicando os brasileiros, cantaram seu hino à capela, compartilhando a mesma paixão com os atletas de la roja e contaminando os demais assistentes, além de proporcionarem um afago na nossa alma sofrida de cotidianos. Mexicanos, acentuados traços indígenas, dispostos a seguir em frente sob as ordens de Montezuma, numa improvável resistência, revelaram-se guerreiros a gritar a beleza e a liberdade de viver.

Nem a histórica rivalidade com os argentinos se impôs diante do clima de confraternização na disputa que teve como palco o “nosso” Maracanã. Foram los hermanos os responsáveis pela maior renda do torneio e o mais exuberante espetáculo que vimos até aqui.

Estádio lotado, as cores azul e branca espalhadas pelas cadeiras do estádio e por espaços que pareceriam vazios sem elas, a vibração permanente, apesar de um jogo muito ruim, tudo isso me trouxe a lembrança dos melhores Fla x Flu (claro, aqueles em que o meu tricolor venceu).

Sim, ganha de goleada acachapante a Civilização do Futebol.

Nenhum outro esporte, pelo menos por essas bandas, seria capaz de provocar um sentimento tão generoso, de amizade – com disputa – entre as Nações.

Eis algo que me incomoda: a rivalidade artificializada e amplificada por parte da mídia nacional com a Argentina. Nenhum país recebe – e muito bem – mais turistas brasileiros do que a terra de Maradona e Messi: dois craques inesquecíveis e que, mesmo não pretendendo, nos fazem gostar tanto do ludopédio (ainda bem que o termo não pegou).

Como e por que alimentar o ódio aos que deram Piazzolla e Borges ao mundo? Quem há de resistir ao cinema que produz algumas das mais belas obras dos tempos em que vivemos?

Ah, como me comovem Ricardo Darín e sua trupe fantástica, a contar histórias que tocam a alma humana em qualquer lugar do planeta!

Ao ver, no dia seguinte à fraca partida no Maracanã, dezenas de argentinos espalhados pelas areias de Copabacana, o leito que lhes foi possível após a farra da noite anterior, fui brindado com a esperança de um país tolerante e que sabe abrir os braços quando necessário. Um Brasil que eu espero ser possível, apesar de tudo, no nosso dia a dia.

Imaginei um muchacho, hermano, acordando aos primeiros raios de sol, ao lado da salpicada e fiel amada, tocado pelo persistente orvalho matinal, a balbuciar-lhe ao ouvido uma frase que lhes haveria de fazer todo o sentido:

– Tens a beleza de Nove Rainhas. Aqui estamos: A Mesma Mulher, a Mesma Chuva e eu, na esperança de um dia acalentar O Filho da Noiva. Que me importa O Homem do Lado, se as coisas que eu quero te dizer, ainda que Lugares Comuns, não silenciarão. E apesar de saber que os Abutres haverão de estranhar o momento tão nosso, nem mesmo as Medianeras nos impedirão o toque único, especial. Até se houvesse Alguns Motivos Para Não Se Apaixonar, depois da nossa comunhão, no futuro Elefante Branco, será aqui, nessas areias que não tardarão a aquecer-se, que eu, embriagado de delicadezas fugidas de Um Conto Chinês, desvendarei finalmente O Segredo dos Seus Olhos.

(Em negrito, títulos do maravilhoso cinema argentino.)

Ordem de Eduardo Campos frustra Alexandre Toledo pela segunda vez
O ex-presidente Lula e o "fdp do Itamar Franco"
  • maria auxiliadora araujo

    “Todos os caminhos levam á morte. Perca- se.”( Borges )0,Percam-se pois brasileiros , ‘hermanos’ e outros mais nessa momentânea e rara alegria coletiva , aproveitem”aqui também essa desconhecida e ansiosa e breve coisa que é a vida “. (Jorge Luís Borges ).

  • Antônio Carlos de Almeida Barbosa

    Prezado Mota, texto maravilhoso enaltecendo as coisas boas da juventude, da gurizada. A rivalidade tola foi criada por alguns míopes de cultura. O cinema Argentino é de uma qualidade excepcional, com todos os filmes citados, e mais outros tantos, o espectador vê pelos menos três vezes cada filme e não se entedia, ao contrário, passa a enxergar melhor o roteiro e a beleza dos diálogos. Argentina do cineasta Juan José Campanella e do belo e trágico Carlos Gardel. Da política apaixonante, num radicalismo inexplicável. Os jovens, moleques argentinos que estão dando vida a Copacabana, juntamente com a gurizada brasileira, prova que devemos curtir os bons momentos. Quanto a festa da copa, o Lula e sua trupe de ladrões (PT e a Base Aliada), convidaram os outros povos e a Fifa para uma grande festa, paga pelo povo brasileiro, pois festa todos sabemos, o dono paga para os outros se divertirem. Mais a maior festa é para os empreiteiros (Construtoras), políticos e a Fifa. Somos um país rico, o povo banca a festa de exibição para o mundo, pois temos educação, saúde e segurança que não precisam de investimentos, vamos na linha do Presidente Lula, gastar com festa e construção para alegria dos Abutres, pois depois ficaremos com Os Elefantes Brancos a nos atormentarem com seus gastos de manutenção irrecuperáveis. Quanto ao protesto na abertura da Copa, a Presidente e a Fifa, presentearam seus convidados com mais de 40.000 ingressos cortesias, sendo 20.000 pagantes, pois bem, a vaia veio do fogo amigo, que foi para a abertura de graça, com uma observação, o povo pagando a conta. Quando o PT e a Base Aliada mete a mão no dinheiro do povo, é sem o mínimo de respeito, portanto, não merece respeito os Presidentes Lula e Dilma (temos dois) que sabem de nada, pois são inocentes.

  • SEBASTIÃO IGUATEMYR CADENA CORDEIRO

    MORO , NUM PAÍS TROPICAL ; ESCULHAMBADO POR DE-
    US ; E FOLGADO POR NATUREZA . . . MAS , QUE BELEZA !
    TEM CARNAVAL , FUSCA , VIOLÃO , CACHAÇA E “NÊGAS”!
    APROVEITEM HUMANOS , O PRATO TÁ NA MESA ! NO
    FINAL DESTE FURDUNÇO , IREMOS CONTABILIZAR O
    PREJUÍZO E AMARGAR A NOSSA GROTESCA REALIDADE , ESCONDIDA POR BIOMBOS E TAPUMES . . .

  • saulo mendes

    A Argentina é meu segundo time. A rivalidade imbecil foi alimentada pela grande mídia. Leia-se Galvão Bueno. Como ser rival de um povo de cultura elevada, boêmio, gastronômico, nosso vizinho e que acabou com o analfabetismo há 100 anos!? Somos hermanos!
    A mesma coisa acontece com Portugal. Imbecis nos colocaram frente a frente, endemoninhando Portugal, como se apenas fosse os patrícios exploradores e colonizadores, como se pudesse haver de ter no mundo algum país jovem como o Brasil, criado osmose, ou inventado por um aloprado chamado Lula. Somos irmãos de uma nação, que por sua inteligência, capacidade náutica e insistência, ajudou a civilizar o mundo. Gostaria que aquele hino que os portugueses cantam, fosse o nosso: “às Armas, ás Armas…”.
    A registrar a lição de educação que nos deu e nos dá o Japão. Gostaria de também ser um japonês, mesmo no samba inocente.

  • saulo mendes

    Você também já está na “lista”? Parece que não. Como aceitar um novo modelo Getúlio Vargas? Ainda bem que o “Felinto Muller”, Caroço, está na cadeia por roubo. Mas até quando? Espero reação.
    http://www.psdb.org.br/organizacao-reporteres-sem-fronteiras-condena-lista-negra-de-profissionais-divulgada-pelo-pt/

  • Luiz Lima

    Apenas não concordo em que os argentinos sejam considerados nossos “hermanos”. O que temos em comum com eles? As fronteiras? Nesse caso os venezuelanos, peruanos, uruguaios também deveriam assim ser considerados. Será que eles assim nos consideram?

  • Antonio Mendes de Barros

    Parabéns pela propriedade do texto! Estou em Copacabana e posso testemunhar essa confraternização a qual você se referiu, e garanto que é emocionante assistir as rivalidades ficando em segundo plano, para que a alegria do espirito da festa possa triunfar e proporcionar momentos de pura demonstração espontânea de carinho entre humanos, livre de qualquer preconceito, portadores de diferenças que até aproximam. É o prazer de estar vivenciando um momento ímpar sob a aura encantadora do esporte.