O racismo existe em todo lugar do mundo e faz parte do pacote universal da intolerância.

A diferença, fundamental, é como cada povo – ou país – lida com os excessos humanos, o que chamamos de processo civilizatório.

No Brasil, recentemente – e só no futebol –, foram registrados dois casos de racismo explícito, com direito a bananas arremessadas para atleta e para árbitro.

As penalidades determinadas pela Justiça – inclusive desportiva – foram um estímulo a novos atos odiosos. Está claro: o crime compensa (o que vale para tudo).

O torcedor espanhol que jogou a banana para o jogador brasileiro Daniel Alves foi identificado, preso e proibido de entrar num estádio de futebol pelo resto da vida.

Nos Estados Unidos, o magnata que se exibia no basquete ao mesmo tempo que vomitava seu racismo, foi banido do esporte, perdeu a posse do time que comandava, foi proibido para sempre de entrar em uma quadra para assistir a um jogo e ainda foi condenado a pagar uma multa de dois milhões de dólares.

Tudo simples e objetivo.

A isso devemos chamar de civilização: ela não faz com que as pessoas se tornem boas, mas evita que elas sejam más – e se forem, serão punidas.

Os dois idiotas, na Espanha e nos EUA, continuarão racistas. Não se sentirão estimulados, no entanto, a manifestar seu preconceito em público.

Aqui?

Fomos o último país das Américas a acabar com a escravidão, o que se reflete no nosso cotidiano.

Mas tenho de discordar da campanha “Somos todos macacos”.

Nós não podemos terceirizar a nossa estupidez, que é humana e de nenhuma outra espécie, ainda que tenhamos 97% do DNA de um chimpanzé, por exemplo.

Uma das maiores calúnias arremessadas contra Charles Darwin, pela academia e pela imprensa inglesa, era dizer que ele apontava os macacos como sendo nossos avós.

Mentira.

O gênio da Teoria da Evolução afirmava que tínhamos ancestrais comuns. O último deles, “o elo perdido”, teria andado pela Terra há seis milhões de anos.

Já apareceram alguns candidatos para reconstituir a corrente evolutiva, mas quem haverá que carregar a culpa?

Ou você conhece a história da Primeira Guerra Mundial dos Macacos? Ou que destino se deu à bomba atômica dos macacos? Ou no que resultou o fundamentalismo religioso dos macacos?

E viva a banana!

Quanto ao poeta…

Sidney Wanderley sai da clausura, hoje à noite. Convidado pelo professor Bruno Cesar Cavalcanti, do Instituto de Ciências Sociais da Ufal, ele promete estar às 19h no Museu Téo Brandão.

O alagoano, que é apontado como um dos maiores poetas do Brasil pelas publicações especializadas, vai falar sobre “Viçosa vista pelo olhar da rua”, na edição do Munguzá Cultural deste mês que se finda.

Um papo que tem como ponto de partida o seu livro mais recente: Cidade, que será lançado no encontro.

Se os versos de Sidney Wanderley são sempre surpreendentes, jogando conversa fora ele é imprevisível.

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  • Momento de Reflexão

    TRATAMENTO E DESTINO

    Que o destino pode ser tratado não há dúvida. E ser-nos-á possível encontrar a chave de semelhante providência nos exemplos simples da vida.
    No processo curativo, o campo doente para mostrar-se recuperado solicita a renovação das células.
    Na higiene, o foco enfermiço deve ser extinto, em auxílio à saúde geral.
    Na área das construções, o trecho comprometido reclama completo refazimento.
    Em agricultura, a erva daninha será erradicada para que a lavoura nobre venha a surgir.
    Igualmente na vida, êxito e melhoria nascem de comportamento e rumo, tanto quanto rumo e comportamento para o bem e para a felicidade dependem de nossos pensamentos.
    Pensamentos positivos em matéria de consciência tranquila, limpeza de intenções, reajuste de maneiras e supressão de hábitos inferiores são suportes indispensáveis para a edificação de vida melhor.
    Pense e fará o que pensa.
    Faça e você será aquilo que faz.

    André Luiz / Médium Chico Xavier
    Livro: Busca e Acharás (extrato) – Ed. IDEAL

  • SOUZA

    Infelizmente isso acontece,mas por mais q tenha punições,não vai deixar d existir situações parecidas.
    Aconteceu comigo ao chegar aqui a 1 ano atrás no sudeste,no meio profissional,só tive descanso quando procurei informações e deixei claro junto à todos.” NÃO VOU TOLERAR POR SER NEGRO OU NORDESTINO,QUEM PODRE Q SE QUEBRE,POIS AGUNTEM AS CONSEQUÊNCIAS,VOU ATÉ O FIM … ATÉ O ULTIMO CENTAVO SE FOR PRECISO”.
    Ainda bem,isso passou,mas não se esquece.Tenho orgulho de ser nordestino e vou não vou aceitar que sejamos DISCRIMINADOS por sermos NORDESTINOS arretados e etc.

  • Momento de Reflexão

    Não fales e nem escrevas
    Algo que fira ou degrade;
    Racismo é uma chaga aberta
    No corpo da Humanidade

    (Cornélio Pires) (1)
    1. Xavier, Francisco Cândido. Caminhos da Vida, Ditada pelo Espírito Cornélio Pires, São Paulo: Ed. CEU, 1996.

  • Alexandre Aciolly

    Ricardo, você é fenomenal. Eu me orgulho de ter você como jornalista em Alagoas, parabéns pelo texto!

  • JEu

    É realmente uma lástima que seres ditos “humanos” esqueçam que o que realmente nos faz “humanos” é agir com “humanidade”, ou seja, com respeito à todas as outras pessoas “humanas”. Falar de raça, sexo, idade, religião, convicções políticas ou qualquer outro assunto sem o entendimento que a outra pessoa tem o direito de ser ela mesma, com todos os direitos naturais que lhe foram outorgados pela natureza (para não dizer Deus) no momento de seu nascimento, ou, até mesmo, a partir do momento da concepção (depende do como a pessoa encara o tema), é algo totalmente contrário à pessoa civilizada, ou seja, que tenha alcançado a vivência em uma sociedade civilizada e, portanto, consciente dos valores humanos. Será que estamos retroagindo à época da barbárie e do pouco desenvolvimento intelectual e ético? Comportamentos racistas demonstram, para mim, simplesmente a falta de amadurecimento do intelecto e/ou do sentimento de humanidade, e isto, é realmente de se lamentar.

  • carlos

    Estamos diante de uma realidade secular o preconceito só não é maior porque o negro passsou pois escravidão a ter direito e deveres teoricamente iguais!Muitos ficaram famoso pela musica,arte e no esporte e ganharam muito dinheiro e consequentimento respeito!O maior é o preconceito se forem pobres e desconhecido e se não tiver muita grana até o não negro sofre da discriminação!Na minha opinião é mais social.

  • valerya

    casos de racismo acontecem em varias cidades e lugares. Acredito que isto seja muitas vezes derivado da falta de educação social e didática tambem. Concordo que a punição evita a repetição ou o agravamento deste tipo de violência, porem precisamos evitar que este ato ocorra e para isto temos que ter em mente que somos todos humanos e que todos merecemos respeito.

  • JÚNIOR

    Há quem diga e quem concorde que somos oriundos do HOMO SAPIENS da TEORIA DA EVOLUÇÂO de CHARLES DARWIN, ou DO PECADO ORIGINAL de ADÂO E EVA, ou ainda da EXPLOSÃO DO BIG BANG da TERRA…
    Isso não nos dá o direito como seres humanos evoluidos que somos de denegrir, menosprezar, julgar, desdenhar, humilhar, rebaixar ninguém, nem por causa de sua cor, nem etnia, nem situação socio-economica ou de relacionamento, ou cultural, ou educacional, ou religioso, ou qualquer que seja a situação de nossos semelhantes.
    Afinal aqui no planeta Terra, aqui especificamente no BRASIL quem for raça sem miscigenação que atire a primeira pedra.
    Eu não sou macaco, negro não é macaco, ninguém é macaco a não ser ele mesmo. Pq se assim o fosse não saberíamos distinguir macacos de seres humanos. Não é pessoal???
    Somos seres humanos pensantes e que podemos decidir, definir e optar pelo que queremos, então vamos parar de menosprezar o outro e reforçar atitudes preconceituosas que denigram a imagem de quem quer que seja, ou do referido jogador.
    Atitudes repetidas sem raciocinar, estas sim me preocupam e me fazem pensar que ainda habitam macacos soltos na cidade e zona urbana… pior se fazendo passar por nós… E ISTO NÃO É VERDADE!!! E QUEM NÃO TIVER A MISCIGENAÇÃO EM SEU SANGUE AQUI NESSA TERRA??? QUE ATIRE A PRIMEIRA PEDRA…

  • Thiago Lopes

    Entendo que a expressão “somos todos macacos” não deva ser interpretada no sentido denotativo. Acredito que é mais uma forma de repúdio ao racismo, na medida que somos todos a mesma coisa, todos temos o mesmo valor…

  • Mauro Fabiani

    Caro Ricardo, mais uma vz concordo com vc e discordo da campanha do astro, “pop star”, SOU NEGRO, SOU HUMANO, NÃO somos todos macacos, somos todos diferentes e isso nos enriquece! A “sacada”espontânea do Daniel Alves foi um “gol de placa”q mostra a nossa criatividade perspicaz p/ driblar as mazelas e os nossos algozes, não pode e nem merece ser banalizada por essa campanha fútil, estéril e oca dos astros”globais” q em nada contribui p/a combater o racismo e até certo ponto referenda como “normal”, esse ato desumano e cruel.

  • Ricardo Melro

    Parabéns, Ricardo. Belíssima análise. Seu texto deveria ser “nacionalizado”. Valeu!

  • Nena Mariah conceicao

    Nós seres humanos estamos regredindo ao invés de progredirmos.entendo e concordo com tudo que foi dito,mas,acho que a campanha que fizeram foi em prol de solidarização a Daniel Alves em mostrar como somos perspicaz em diversas situações que nos impõem.

  • SEM HIPOCRISIA RELIGIOSA!!!!!!!

    Você leu algo a respeito de CHARLES FOX PARHAM – é tido merecidamente como fundador do pentecostalismo. Ele não acreditava na medicina e detestava negro. Antes de morrer, exigiu que fosse enterrado, onde nenhum negro estivesse perto. Eu pergunto qual “espírito” inspirava esse “pastor”. Recentemente ouvi um ancião da igreja fundada por CHARLES FOX, praticar o que ele praticava.

  • Bruno Tavares

    Parabéns pelo texto, uma pena que não posso dizer o mesmo sobre seu comentário na rádio, durante o 12:10 notícias. Durante a fala sobre o racismo, foi comentado que a atitude dos médicos brasileiros contra a vinda de cubanos, seria em virtude da cor dos mesmos (predominantemente negros), algo totalmente infundado, quando na verdade, a luta é contra condições dignas de trabalho para brasileiros e demais médicos, além da importância da revalidação de diploma para médicos estrangeiros. Os cubanos tornaram-se o foco na discussão, a partir do momento que se noticiou as condições nas quais tais profissionais seriam expostos, recebendo uma quantia muito inferior àquela recebida por profissionais advindos de outros países. Além disso, a enorme quantia “doada” à Cuba, caso fosse investida em estrutura para os profissionais (médicos, enfermeiros, dentistas, técnicos,…), boa parte dos postos abandonados voltariam a funcionar e tais profissionais seriam estimulados a permanecer nas cidades de interior, atendendo a população e trazendo REAIS melhorias à saúde naquele município. Posso enumerar diversos absurdos que já presenciei e inúmeras histórias de pacientes que recebi, após terem sido atendidos por médicos cubanos (ainda não recebi de outras nacionalidades). Tais pacientes chegam ao consultório assustados, e eles mesmos percebem que tem algo errado com aquela prescrição, ou com o exame solicitado.
    Sou médico e ouvinte diário do seu programa, te acompanho a bastante tempo e devo dizer que fiquei bastante “assustado” com a forma despreparada com que tratou um assunto tão importante para a saúde pública nacional.

  • Maria Rosa Medeiros

    Texto excelente. Parabéns Ricardo Mota.

  • E O JURAMENTO?

    Discordo inteiramente da opinião do Bruno Tavares que se diz médico – médico para mim é aquele que interpreta a consulto conforme o código de ética médica estabelece e não julgar colega de profissão através de achismo e comentários de terceiros, aí para os menos incultos já perdesse tua confiabilidade médica. Não fui atendido por médico CUBANO – mas por médico alagoanos fui muitas vezes e encontrei em alguns muita arrogância e despreparo para o exercício da delicada profissão de médico. Recentemente com uma irritação na pele, procurei um clinico geral e ela me indicou remédio para epilético – se eu fosse menos inculto teria usado o triste veneno. Recentemente a mídia divulgou a morte de uma senhora porque a família pagava R$ 2 mil e o médico recusou a realizar a cirurgia – só realiza por 3 mil e por isto a senhora deixou de realizar a cirurgia ortopédica no braço e pagou com a vida. Para ser médico é preciso ter vocação – o problema é que muitos são médico por status social e por interesse pecúnia. o Achismo do comentário acima não condiz com o código de ética – ele está falando o que o coitado do paciente, talvez analfabeto, disse para ele. e O JURAMENTO feito ao receber o diploma?

  • Bruno Tavares

    Sou medico, coloco meu nome, as citações que fiz foram relatos de pacientes e conteúdo de encaminhamentos feitos pelos profissionais citados. E vc? Ficou com receio de colocar seu nome? Continue assim…

  • Constant Ramos

    Podemos imaginar o macaco dizendo : “Somos muito melhores que vocês. Por favor não se compare a nós”!..