Era o ano de 1998, um pouco depois das 23 horas. O telefone toca ao lado da cabeceira da minha cama.

Eu já começava a dormir, porque acordava muito cedo na época para trabalhar.

Atendo, um tanto sonolento, e a voz do outro lado perguntava:

– É o jornalista Ricardo Mota?

– Sou eu.

Do outro lado, um homem com sotaque interiorano e tranquilo: 

– Aqui é Maurício Guedes.

– Quem?

Era ele, o temido “Chapéu de Couro”.  

Preso no Baldomero Cavalcante, o personagem era um dos acusados da morte de Ceci Cunha e estava ligando de um telefone fixo do presídio, segundo me disse, com a autorização de um funcionário.

Perguntei o que ele queria comigo, já falando com surpresa e indignação.

Ele explicou que pretendia dizer que estava preso inocentemente, que não tinha qualquer relação com o crime que lhe era atribuído.

Pedia que eu o defendesse na televisão, e garantia que a fama que ele carregava – de pistoleiro – era invenção da polícia e da imprensa. Ele “nunca fizera mal a ninguém”.

Respondi rispidamente, principalmente pela ousadia de ligar para a minha casa àquela hora da noite.

Desliguei, e nunca mais tivemos qualquer contato.

Vendo agora a sua nova prisão, em Sergipe, fico impressionado que ele ainda esteja em “atividade” aos 72 anos.

Quem há de contrariar a própria natureza?

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  • ARTUR

    Ricardo, eu não entendo como bandido tem tanta facilidade de descobrir o telefone de quem quer que seja quando ele tem interesse de resolver seus problemas. Não entendo como bandido comanda seus ¨negócios¨ mesmo preso e o pior por telefone, isso se chama facilitação do estado para o bandido continuar atuando. Preso não deveria ter direito a telefone e sim só a visita uma vez por mês, este é meu ponto de vista.

  • tania

    E imagine, saber o numero do seu telefone residencial, é demais !!!!

  • Antônio Carlos.

    Caro Mota, Dostoiévski conta em seu diário, que na Sibéria, em meio à multidão de assassinos estupradores e ladrões, nunca encontrou um único homem que admitisse ter agido mal, que o criminoso não pode permitir olhar de frente a realidade, porque seu crime passa a fazer parte dele mesmo. É o caso em comento.

  • Afrânio Godoy

    Não lembro quem era governador em 1998, mas meu caro ARTUR, eu não colocaria como m”facilitação do estado” o uso do telefone fixo as 23 horas por um detento em um presídio. Eu diria “facilitação do funcionário”. Quanto ao Estado, cabe punir o funcionário que tem atitudes como essa.
    Quanto a idade do Chapéu de Couro, 72 anos, meu companheiro Ricardo, quando ouvi pelo rádio a noticia da nova prisão, até achei se tratar de um “novo” Chapéu de Couro.
    Ricardo, acompanho diariamente seu blog e quando posso assisto a noite na TV Pajuçara.
    Abraços.

  • carlos

    Quem é rei sempre será magestade!Geralmente estes pistoleiros são psicopata e uma das caracterista é ser dissimulado faz parte de sua natureza e falam com tanta “covicção”,que pode enganar muita gente.De Sergipe para São Paulo,está nos noticiários do Brasil,torcedor do Timão,que foi preso na Bolivia,acusado de matar torcedor adolecente com rojão e solto por falta de prova está envolvido ,revelado pelas imagéns de televisão fazendo o que mais gosta de fazer dando porrada que pode até matar em trocedores no Mané Garrincha!Faz parte se sua natureza!!