“O 11° Ato do Programa UFALEM DEFESA DA VIDAtem como tema “As vítimas de violência em Alagoas: a dor que os números não revelam”. Nosso propósito é humanizar os dados estatísticos revelando, através das histórias de vida das pessoas que foram assassinadas no Estado de Alagoas, quais eram suas qualidades e virtudes, seu jeito de ser e o que gostavam de fazer no convívio entre amigos e familiares.

Numa tentativa de evitar que essas pessoas sejam esquecidas e tenham suas histórias reduzidas aos números estatísticos, estamos abrindo um espaço para que a sociedade partilhe as histórias de vida das pessoas que tiveram suas vidas abreviadas em função de um ato de violência.

Com o 11° Ato do Programa UFALEM DEFESA DA VIDAbusca-se estimular a construção de um sentimento coletivo de solidariedade e de identificação social através do afeto. Propomos fazer desse evento um gesto de solidariedade que possa amenizar a dor, a tristeza e a saudade produzidas pela perda de um amigo ou familiar. Entendemos que, assim, estamos contribuindo para construção de um processo de sensibilização social, estimulando o sentimento de compaixão em relação àqueles que tiveram a dramática experiência de ter um parente ou amigo assassinado.

É importante esclarecer que não estamos fazendo investigação criminal; não estamos pedindo que as pessoas relatem os crimes nem apontem os supostos assassinos. Nosso ato está sintonizado com a vida, com os sentimentos de solidariedade, de compaixão, de companheirismo, enfim, queremos contribuir para manter viva a memória de todas as pessoas que foram vítimas da intolerância e da violência fatal na sociedade alagoana.

O que nos mobiliza é o desejo de não ver mais mães e pais enterrando seus filhos. Não queremos mais ver pessoas queridas e talentosas sendo retiradas da vida por terem sido golpeadas por um ato de violência letal. Queremos contribuir para reduzir a intolerância, a indiferença e a desvalorização da vida, pois sabemos que tudo isso só produz dor e sofrimento e resulta, inevitavelmente, na banalização da morte. 

Nossa intenção não é a espetacularização da violência; estamos tratando todas as histórias de vida partilhadas em nosso site com o máximo respeito, consideração e responsabilidade. Entendemos que só assim podemos manter viva a memória de cada pessoa que foi assassinadaem nosso Estado, não deixando que elas sejam esquecidas nem caiam no anonimato.

O Ato propõe justamente revelar a dor que os números não conseguem revelar.  Entendemos que conhecendo um pouco da história das pessoas que foram assassinadas teremos mais chances de desenvolvermos entre nós um sentimento humanitário, fortalecendo os laços sociais em torno da solidariedade. Não podemos naturalizar a morte violenta! É preciso demonstrar a nossa insatisfação e indignação com essa realidade onde milhares de alagoanos estão perdendo suas vidas e, consequentemente, deixando milhares de mães, pais, amigos, amores e conhecidos desolados pela dor da perda.

Pretendemos representar simbolicamente cada uma dessas pessoas identificadas em nosso site plantando uma árvore no espaço da UFAL. Essa é uma homenagem singela que a Comunidade Universitária prestará aos familiares e amigos que estão colaborando na construção do 11° Ato do Programa UFALEM DEFESA DA VIDAque acontecerá no mês de junho. 

Esse Ato também tem a missão de estimular que as pessoas reflitam sobre a possibilidade de resolverem seus conflitos de forma civilizada, de forma pacífica e dialógica. Sabemos que os conflitos, muitas vezes, são inevitáveis; mas precisamos estimular que todos busquem resolvê-los através do diálogo, com a mediação da palavra e da compreensão. Precisamos difundir a ideia de que não há qualquer motivo que justifique alguém tirar a vida de outra pessoa. Esse gesto de intolerância produz traumas humanos e muita destruição para o resto da vida dos que ficam.

Precisamos aprender a conviver com as diferenças, pois a sociedade é mesmo muito diversa e heterogênea. Assim, vamos sempre encontrar pessoas que são diferentes, que agem de forma diferente e são portadores de desejos diferentes. Portanto, precisamos aprender a conviver com essas diferenças e divergências no âmbito de nossas relações sociais e interpessoais.

Que estabeleçamos, de uma vez por todas, o consenso de que para que possamos viabilizar a vida em sociedade cada pessoa precisa colaborar reconhecendo a vida como o maior bem que existe na face da terra. A mensagem que queremos transmitir com a realização do 11° Ato em Defesa da Vida é essa: a vida humana é o bem mais precioso que existe na sociedade. Sendo assim, não pode ser alvo da indiferença, da intolerância, do desrespeito e da irresponsabilidade. Todos esses sentimentos contribuem para a banalização da morte, que tem produzido muita dor e saudade entre os viventes. O que desejamos é justamente o inverso: que todos defendam a vida de forma incondicional.

Ruth Vasconcelos (Coordenadora do Programa UFAL EM DEFESA DA VIDA)”

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Clara
  • Ricardo Jorge de Percia name

    Um dos principais e mais importante compromisso da ACADEMIA é com a VIDA .Parabens Ruth e parabens Ricardo por permitir e,dar visibilidade a este compromisso tão importante da UFAL

  • A causa.

    Deveria saber a CAUSA que gera vítimas da violência e só tem uma, a FALTA DE SERIEDADE NO TRATO DA COISA PÚBLICA, aliada ao GOVERNAR SEM DIVISÃO EQUÂNIME DAS RIQUEZAS PRODUZIDAS. Vamos começar pela União, que só em 2012 até o dia 28/04 gastou apenas R$ 1.999.535.348,00 ou R$ 1,9 bilhão com o Ministério da Justiça, para combate a VIOLÊNCIA, nos parece que R$ 1,9 bilhão é uma grana muito alta, pior, que nada de nadica, no mesmo período o Ministério da Fazenda do solar italiano Mantega pagou, gastou, torrou R$ 419.023.903.760,00 ou nada mais do que R$ 419 bilhões. Em que? Com que?
    Se a maior parte da arrecadação de impostos, aqueles que pagamos quando vamos as compras, vai para o Governo Federal, e de maneira ERRADA é utilizado na gastança desenfreada com os RICOS, a tal FAMIGERADA Dívida Pública Federal, gera a falta de Agenda Positiva no governo DILMA ROUSSEFF. Só para ter uma idéia, de 2003 até 28/04, LULA/DILMA pagaram 6,211.2 TRILHÕES a Dívida e com SEGURANÇA (Ministério da Justiça) foi gasto apenas R$ 57,71 bilhões (0,93%) do que foi pago a DÍVIDA!!!, quanto mais nossa ALAGOAS que o Governo Federal leva por MÊS R$ 40.000.000,00 digo R$ 40 MILHÕES/MÊS pelo serviços da Dívida Estadual, que foi consolidada até com Títulos JULGADOS INVÁLIDOS pelo Poder Judiciário, R$ 40 MILHÕES/MÊS só no pagamentos de JUROS de uma ALAGOAS pobre, é barbárie. Ou faz AUDITORIA na DÍVIDA PÚBLICA FEDERAL E ESTADUAL ou no Brasil se vai MATANDO violência, mais de 250 por DIA.
    P/Arabutan.

  • Ruth Vasconcelos

    Querido Ricardo,

    Muito agradecida pela solidariedade e fundamental colaboração na divulgação do 11º Ato do Programa UFAL EM DEFESA DA VIDA. Abraço, Ruth Vasconcelos.

  • Antonio Barbosa

    Iniciativa importante para construção de uma sociedade que respeite a vida. Parabéns para todos que fazem parte do projeto. Deixar a frieza dos números de lado, e falar dos afetos, é a melhor forma de celebrar a vida e respeitá-la

  • Silva

    Quem sabe pela primeira vez os mortos poderão falar através de seus parentes que foram vítimas de uma sociedade injusta, na qual a oportunidade é dada, inclusive, as vezes, de forma ilícita e injusta, para alguns, os quais vivem sobre a miséria da grande maioria, e ao final ainda tem o desplante de preconizar e vender junto a sociedade de que bandido bom é bandido morto, sem ao menos se olharem no espelho.
    Com certeza, muitos deste que tombaram, infelizmente muitos são jovens, tombaram diante de uma sociedade que lhe negou o direito de serem cidadãos, e enquanto isto vimos um monte de gente desqualificada, desonesta, impura, sendo tratadas de doutores, tudo pela força do poder e das armas.
    Talvez um dia conseguiremos salvar estes jovens!!!!!!!!!

  • JONAS

    O problema que em Alagoas é que: por trás de uma bela iniciativa, sempre há incondicionalmente estimulo para produção de sensibilização social com fins políticos. É só aguardar para ver! Oh, terrinha triste!