Confessemos: todos almejam ser queridos, o que está contemplado na essência humana. Ser querido por todos, no entanto, não parece possível, tampouco recomendável, se dizemos e mostramos aquilo que, de fato, somos.

Ter inimigos é tão natural quanto necessário. Nada deliberado, desejado, planejado, cultivado, nada disso – é apenas inevitável. São eles, assim como os amigos, que balizam a nossa breve intervenção no mundo, o que dele gostamos, pregamos e praticamos. A qualidade humana de amigos e inimigos diz muito sobre o nosso caráter.  

Só os homens sem esqueleto, personalidades líquidas ou gelatinosas, haverão de buscar a unanimidade – menos do que burra, falsa. O que, ao final, só descarta mesmo a possibilidade de experimentarem as amizades verdadeiras, que se formam a partir das identidades profundas e pétreas. O hipócrita é alcançado mais rapidamente do que os mancos.

Por outro lado, ninguém se torna alguém, único, irreplicável – com ações, posições e opiniões -, impunemente. Há um custo de se criar a própria identidade, até mesmo se esta construção nos passa despercebida. Os que são eternamente “neutros”, ou assim se anunciam, haverão de viver mortos, se muito. 

É claro que ter inimigos, e quando o sabemos, requer um cuidado maior, se isso nos incomoda para valer. Mas “viver é muito perigoso”, definitivamente nos alertou Guimarães Rosa. E se os tais são almas sem limites morais, a vigilância há de redobrar.

Pior, ainda, se o inimigo está próximo, travestido, dissimulado e pronto para o bote certeiro, que pode nos atingir o corpo e, mais grave, a alma. Se nem sempre podemos identificá-lo com clareza, é por um motivo até banal:  não somos nós que escolhemos os nossos inimigos – eles é que nos elegem pelo que são ou carregam de tão distinto daquilo que guardamos.

Já que não possuímos o monopólio da virtude – e ninguém o tem -, ao menos podemos votar nulo para a “eleição” dos inimigos: o desprezo há de ser mais salutar. Se não, evitemos alimentar o rancor, não permitindo que o veneno do desamor guie o nosso comportamento, com seu terrível efeito colateral para os que nos cercam e com quem dividimos afetos.

Quando não nos damos conta disso, descartando o que nos sangra por dentro, nascido nas nossas entranhas, tornamo-nos algo mais próximo daquilo que tanto rejeitamos. Será, talvez, a grande vitória do mal-me-quer. Não devemos dar-lhe este direito.

É verdade: os amigos, estes eu os conto nos dedos, até por serem a maior riqueza que alguém pode conquistar na vida. Mas, os outros, eis uma questão: quantos serão eles?

Nunca saberei verdadeiramente. O que também não me incomoda nem me faz viver mirando a sombra que me acompanha. Seria perda de tempo, quando pouco tempo temos para dedicar aos que nos fazem gosto.

Uma constatação, porém, há de se registrar, por importante: se as novas amizades vão escasseando com a chegada da maturidade, as inimizades não conhecem o freio dos anos para que surjam à nossa frente (ou às nossas costas, como é mais apropriado). 

Menciono ao menos uma certeza pessoal sobre o tema: se tenho um imenso orgulho dos amigos que fiz ao longo da vida – e como tenho! –, pouco menos posso dizer dos inimigos que colecionei.

Todos me fazem sentir até melhor do que realmente eu sou.

 

O dia em que Cícero Almeida atolou na praia
MP consegue cancelar licitação de R$ 510 milhões na SLUM
  • SILVIO FÁBIO

    Carta Mota,

    Tenho 45 anos,
    Desde os 40 penso assim:
    Nascí nú… tô vestido!
    Como do que ganho!
    Pago meus vícios e leituras…
    Construí junto com o mundo
    a minha personalidade!

    Daquí pra frente o que vier é lucro…
    sejam amigos, sejam inimigos!

    Parabéns pela crônica de
    coragem e autenticidade!

  • Ricardo

    A inveja é o mais terrível dos sentimentos… O inimigo as vezes ta mais perto do que parece.
    O ser humano gosta de ver os outros fracassarem…

    Quantas vezes você ouviu alguém dizer com ar de riso… “fulano quebrou”…

    E quantas vezes você ouviu alguém fazer um elogio assim…”fulano tá muito bem, ficou rico pois é um cara trabalhador, que bom que ele venceu na vida”…

  • sergio

    Ricardo inimigos nos fazem menos mal, têm menos chances do que os falsos amigos. Estes sim são perigosos.

    Pensando na situação de corrupção que toma conta do nossos municípios, do nosso estado e do nosso país deparei-me com dois poemas que bem retratam essa situação.
    São frutos das atuações dos nossos presidentes, governadores, prefeitos, senadores, deputados vereadores, juizes, principalmente do nosso estado a maioria corruptos, e também diz respeito aos nossos eleitores pela omissão, pelo desinteresse.
    Talvez fosse bom que esses dois textos chegassem às mãos do executivo, legislativo e judiciário, fico na dúvida: eles entenderiam? A maioria dos políticos creio que não, outra parte iria mais uma vez rir-se, acharia uma bobagem. Outra, políticos e grande parte do judiciário, como se acham acima de tudo diria: -isso não me diz respeito.

    SINTO VERGONHA DE MIM
    Cleide Canton

    Sinto vergonha de mim
    por ter sido educadora de parte desse povo,
    por ter batalhado sempre pela justiça,
    por compactuar com a honestidade,
    por primar pela verdade
    e por ver este povo já chamado varonil
    enveredar pelo caminho da desonra.

    Sinto vergonha de mim
    por ter feito parte de uma era
    que lutou pela democracia,
    pela liberdade de ser
    e ter que entregar aos meus filhos,
    simples e abominavelmente,
    a derrota das virtudes pelos vícios,
    a ausência da sensatez
    no julgamento da verdade,
    a negligência com a família,
    célula-mater da sociedade,
    a demasiada preocupação
    com o “eu” feliz a qualquer custo,
    buscando a tal “felicidade”
    em caminhos eivados de desrespeito
    para com o seu próximo.

    Tenho vergonha de mim
    pela passividade em ouvir,
    sem despejar meu verbo,
    a tantas desculpas ditadas
    pelo orgulho e vaidade,
    a tanta falta de humildade
    para reconhecer um erro cometido,
    a tantos “floreios” para justificar
    atos criminosos,
    a tanta relutância
    em esquecer a antiga posição
    de sempre “contestar”,
    voltar atrás
    e mudar o futuro.

    Tenho vergonha de mim
    pois faço parte de um povo que não reconheço,
    enveredando por caminhos
    que não quero percorrer…

    Tenho vergonha da minha impotência,
    da minha falta de garra,
    das minhas desilusões
    e do meu cansaço.
    Não tenho para onde ir
    pois amo este meu chão,
    vibro ao ouvir meu Hino
    e jamais usei a minha Bandeira
    para enxugar o meu suor
    ou enrolar meu corpo
    na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

    Ao lado da vergonha de mim,
    tenho tanta pena de ti,
    povo brasileiro!

    “De tanto ver triunfar as nulidades,
    de tanto ver prosperar a desonra,
    de tanto ver crescer a injustiça,
    de tanto ver agigantarem- se os poderes
    nas mãos dos maus,
    o homem chega a desanimar da virtude,
    a rir-se da honra,
    a ter vergonha de ser honesto” .
    Trecho de discurso de Ruy Barbosa

  • José Jonatas de Almeida Mota

    Primo e Amigo!

    acho desnecessário dizer-te que leio todos os seus textos de forma contumaz entretanto este me surpreendeu verdadeiramente pela sua essência, clareza e por ser bastante sucinto. Parabéns Companheiro, continue expressando de forma objetiva essa virtude que lhe é peculiar. Em tempo: Ontem estive com tia lucinha e demais familiares.

    um abraço!

  • MMARIA ROSA MEDEIROSS

    Assisto o “Tudo na Hora” principalmente para ver o “ponto crítico”. Demonstra entre outras,na sua crítica, muita coragem, sem dúvida, coisa difícil de se ver na TV.
    Esse relato, parece , no entanto, uma forma de incitar seus inimigos.
    O meu comentário é mais uma dos “psicanalistas dos teclados” de plantão. tenha um ótimo domingo. Parabéns pelo seu programa.

  • vicente felix correia

    Caro Ricardo, nada a comentar sobre este artigo, quero apenas desejar que vc supere este momento de sua vida. Eu tava co o seu amigo careca ontem e quando vcs se falava via celular e ele me falou sobre o que tá acontecendo. Força cara.

  • Dermeval Araújo de Lacerda

    Ricardo, é salutar ler algo sobre a inimizade e não encontrar as palavras cheias de rancor, repletas de ódios com vários níveis de intolerância, em um domingo ensolarado como esse.
    Vc. trata aos que não lhe dedicam a amizade que seus leitores assíduos lhe dedicam e admiram,como tratamos o lixo encontrado no nosso caminho:decompondo-o e caso não sirvam para a compostagem,deixemos de lado que o tempo saberá dar o destino que eles merecem.
    Sua amizade é leve de se ter.È por isso que lhe chamam de Peninha?

  • Elen Oliveira

    Parabéns pela serenidade, Ricardo!
    Ontem à noite, assisti a um filme despretensioso, chamado, em português, de Banquete do Amor. Gosto mais do original, Feast of Love, porque, para mim, diz mais do que realmente importa: o Amor. Sei que é o Amor que o move, em seu trabalho, porque é o amor que nos faz serenos,inclusive, nas inevitáveis – e necessárias – adversidades.
    De um amigo – desses contados a dedo -, tomo emprestado a saudação para a vida: Bons dias!

  • Valdeck

    Quando nascemos somos envoltos de afeto, carinho e atenção, no desenvolvimento de nossa vida, vamos contruindo nosso caráter e personalidade de forma a angariar o máximo possível de admiradores, não pelo que temos e sim pelo que somos. Em tempos cibernéticos, diriamos, seguidores. Nossas ações ao longo do tempo, vão nos dando mais ou menos colegas e amigos, bem como inimigos. A esses últimos, não os cultivamos, mas esses se nutrem do que há de melhor em nós, seja a consciência ética e moral, seja a honestidade e transparência, seja qualquer ponto positivo que àquele não é capaz de ser. E assim, vamos arregimentando uma série de “seguidores”, que por mais que nos queiram ver pelas costas, não podem prescindir de nossa presença em suas vidas, ainda que à distância.
    A perseverança é o nosso combustível, assim como o foi para Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Os Panteras Negras, Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce, D. Hélder Câmara, Lênin, Hanna Arendt, Foulcault, Charles Chaplin, dentre tantos outros, sem eles, como o mundo seria? Embora alguns tenham sido calados pela força do ódio, suas palavras, pensamentos, idéias, ações ainda ecoam pelos 4 cantos do mundo.

  • Hagá

    Belíssimo artigo, Ricardo. Em Alagoas, muitas vezes as pessoas que querem as coisas certas ganham vários inimigos. Mais que em Alagoas, isso é universal. A diferença é que aqui a maioria esmagadora, sobretudo da nossa classe mérdia silenciosa, gosta e se aproveita das coisas erradas, parasitando o Estado e mantendo os miseráveis em estado de semi-escravidão. Até quando?

  • Ligia Barros

    Amei essa crônica.Faço minhas as suas palavras.
    A maturidade nos proporciona esse conforto.Quando jovens,além de fazermos muita questão de sermos queridos,ainda somos tão bobos que imaginamos não ter inimigos.
    É claro que ao longo da vida devemos ter cometido algumas injustiças,mas hoje conscientemente posso dizer que os “inimigos” que fiz a cada dia me dão mais e mais a certeza de que fiz bem.
    Parabéns!

  • Mario Zebú, o VAREILO

    O Velho Chico(não o Rio , mas o Cantor!) já dizia Meu caro amigo , Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
    Muita mutreta pra levar a situação
    Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
    E a gente vai tomando e também sem a cachaça
    Ninguém segura esse rojão.
    Será que ele estava prenunciando misticamente a nossa Alagoas,da pistolagem,do assassinato, da repetição moto-contínuo DA CORRUPÇÃO, DA “RES PUBLICA”, SEM LICITAÇÃO , COMO QUER O NOVO PROCONSUL “ADRIARES”???
    aVE CESAR,AVE CRISTO,AVE MARIA..SOCORRO…

  • Roseira de Castro

    “Menciono ao menos uma certeza pessoal sobre o tema: se tenho um imenso orgulho dos amigos que fiz ao longo da vida – e como tenho! –, pouco menos posso dizer dos inimigos que colecionei.
    Todos me fazem sentir até melhor do que realmente eu sou.”
    Lembrei da música do Milton Nascimento que diz …certas canções parecem que foram feitas por mim… beijos, Rosa.

  • JUSTIÇA

    Dileto Ricardo Mota,
    O ato de informar é perfeito quando trazido por seu blog e no 12:10 notícia, faz uma absorção com reflexão de tudo que se passa no meio político, social e econômico local, quiçá, nacional.
    A sua imparcialidade e determinação aguça o sentimento dos cidadãos alagoanos que querem um Estado sem violência,sem corrupção, selo da coisa pública e compromisso social com todos.
    Você escreve de forma universal, sem haver obstáculo no entendimento de qualquer classe social. Aí, vem a fúria dos “donos de alagoas” se sentem exposto a mídia eletrônica com grande repercussão em todo lugar, seja de um Iphone ou de um desktop.
    Silenciar nunca, respeitar o ato informativo sempre, principalmente, quando exercido de forma séria, objetiva e madura.
    Que Deus lhe proteja e Muito Trabalho em 2012.

  • Ruslan Queiroz

    Combativo Ricardo,
    .
    Estes Aforismos lembra sua Postagem de Hoje;
    .
    “O número dos nossos inimigos varia na proporção do crescimento da nossa importância. Acontece o mesmo com o número dos amigos.” Paul Ambroise Valery
    .
    “O inimigo que lisonjeia é o mais perigoso.” Pierre Corneille
    .
    Força Ricardo!

  • andre

    Ótimo texto Ricardo. Diz a Bíblia a respeito dos inimigos ocultos,ou falsos amigos, disimulados, próximos de nós: “Senhor, protegei-me dos amigos, porque dos inimigos eu mesmo cuido”.Estes ‘amigos’ são aqueles que nós mesmos, açodadamente, rotulamos como tais e confiamos e entregamos os assuntos da nossa vida,e depois somos surpreendidos com a traição e a inveja.

  • Tito Mendes

    Perfeito. Me agradam muito os teus textos!

  • Noélia Costa Fórum permanenete de combate ás drogas

    Amigo uma palavra forte,inimigo uma palavra perigosa,devemos sempre ter humildade e serenidade para lidar com as duas.

  • Gregório de Matos

    Belo texto. Se os MARGINAIS de GRAVATA (políticos – quase todos elles, é claro, alguns até, travestidos de juízes e desembargadores) lhe lessem, pois quase não lêm coisa alguma, certamente, ririam de você. Elles perderam a VERGONHA, e já faz tempo. Pessoas como você – TENHA CERTEZA – são poucas, e eu, por AFINIDADE de CARÁTER, prefiro DESCONSIDERAR os PODRES (maioria) e me associar a gente como você, INTELIGENTE, CORAJOSO e INCORRUPTÍVEL jornalista – RICARDO MOTA.

  • janson silva

    Imagino se vc ricardo estivesse na política!!! já teria hoje nome de rua. rsssss.

  • sebastiaoiguatemyrcadenacordeiro

    Ricardo,rapaz! Estou pasmo com este tex-
    to,rapaz! Você consegue se superar sem-
    pre! Essas agressões que você sofre de vez
    em quando,ao realizar as suas críticas,
    sempre verdadeiras e coerentes consigo
    mesmo,servem de combustível para suas
    inspiradas apreciações,como esta aí aci-
    ma. Não tem um mal que não cause um bem,
    diz um expressivo ditado popular.
    PARABÉNS ! ÔMI !

  • Zélia cavalcanti

    O que nos faz ser diferentes, creia, eh a leveza da nossa alma e a felicidade q trazemos no coração,sabendo perdoar e olhando para um horizonte q se chama vida. Mais uma vez parabéns pelo texto

  • Allysson Rafael

    Digno de reflexão.

  • Rita Fonseca

    Brilhante texto!Gostei da parte que diz que são eles, “os inimigos”, que nos escolhem como tal por suas próprias características; e do orgulho dos amigos que elencamos ao longo da vida…

  • Alfredo Fortes

    Ricardo, não vou lhe dar os parabéns pelo texto, aí cairia no comum, o seu texto é quase irrepreensivel; não lhe dou também a unanimidade pela qualidade do mesmo, já que iria de encontro a idéia que vc discorreu no texto acima. Lhe qualifico como um príncipe da nossa intelectualidade, e um ser humano extremamente excepcional.

  • Luiz Carlos Godoy

    Ricardo,

    Lendo seu texto lembrei do início do filme “Tempos Modernos”, do genial
    Charles Chaplin (http://www.youtube.com/watch?v=mICCfgeKIgs&feature=related).
    O filme abre com várias ovelhas sendo pastoradas (guiadas, direcionadas, manipuladas…). A cena seguinte é a de vários trabalhadores robotizados entrando em uma fábrica. Em seguida, aparecem Carlitos e vários trabalhadores na labuta fabril, vigiados por uma câmera (Big Brother?!) e trabalhando sem parar, sem tempo até para comer.

    Mas Carlitos não é um homem sem esqueleto, personalidade líquida ou gelatinosa (sim, Ricardo, “chupinhei” seu texto). Carlitos é uma “ovelha desgarrada”. Tem personalidade. Ele não é um robô, marionete, fantoche, títere…Ele é livre. E como todo homem livre ele questiona, contesta e peleja (afinal, “NÃO TÁ MORTO QUEM PELEJA!”). Por Conta dessa “rebeldia”, ele perde seu “emprego” e o filme segue com inúmeras tiradas geniais.
    Por sua vez, o filme “Tempos Modernos” faz-me lembrar de um filme indicado pelo professor de Metodologia Cíentífica do meu curso de Direito: “A Terceira Onda” (Alvin Toffler).
    Fazendo uma analogia, os trabalhadores que permaneceram na fábrica (robôs, marionetes, fantoches, títeres. Homens sem esqueleto, personalidades líquidas ou gelatinosas) estão ainda na “segunda onda”, ao passo que Carlitos, a “ovelha desgarrada”, já está na “terceira onda” (caracterizada pela desmassificação da produção, tempo para diversão, a educação é marcada pela revolução do conhecimento, e, principalmente, a individualidade é estimulada).
    Vale lembrar, por oportuno, que na “terceira onda” a educação está alicerçada na filosofia. E filosofia pressupõe crítica. Esta, por sua vez, está associada ao direito à livre manifestação de pensamento – direito este imprescindível em qualquer nação que se auto intitule ESTADO DEMÓCRÁTICO DE DIREITO. E direito à livre manifestação de pensamento pressupõe liberdade de imprensa, a qual abrange internet (blogs, sites, E-mails etc)

    Nesse passo, cabe registrar que a internet (blogs, sites e E-mails etc) é uma ferramenta imprescindível para o exercídio da cidadania (mais eficaz para o exercídio da cidadania que a própria Ágora dos gregos antigos. Exemplo disso são as revoltas que culminaram com a queda de ditaduras em alguns países árabesm tai scomo Tunísia, Egito e Líbia) .

    Contudo, lamentavelmente, a “terceira onda” ainda não é uma realidade. Em razão do processo de formação de algumas sociedades, em alguns órgãos públicos ainda impera a mentalidade da “segunda onda” (caracterizada por robôs, marionetes, fantoches, títeres. Homens sem esqueleto, personalidades líquidas ou gelatinosas). Tais órgãos públicos ainda são dirigidos por burocratas que, forjados nos resquícios do sistema CASA-GRANDE/SENSALA, estão preocupado apenas em manter seu “SATATUS QUO” na parte que lhes cabe nesse imenso latifúndio, indiferentes à realidade que os cerca.

    E na defesa desse “SATATUS QUO”, têm a ousadia de, inclusive, intimidar jornalistas no exercício de sua profissão. O DOE do dia 25.11.2011 é um exemplo dessa ousadia e, portanto, descompasso com a “terceira onda”. Vejamos:

    A CORREGEDORA DA PROCURADORIA GERAL DO
    ESTADO MARIALBA DOS SANTOS BRAGA,
    DESPACHOU EM 24.11.2011:
    DESP: Esta Corregedoria Geral tomou conhecimento através
    de publicação veiculada na Imprensa – blog do Jornalista
    Ricardo Mota, intitulada “QUEM DERRUBOU CHARLES
    WESTON?” de sérias acusações contra Procuradores de
    Estado, sic. “Será que é justificável que um procurador passe
    três, quatro anos, sem aparecer na instituição, recebendo
    salários normalmente, e tudo dentro da legalidade? Pois isto
    acontece quando um deles faz mestrado e/ou
    doutorado.Convenhamos: o ensino não é a atividade fim da
    PGE. Se os zelosos procuradores resolvessem fazer um
    balanço das ações de todos os integrantes da instituição,
    haveriam de se deparar com números que os fariam corar: há
    procurador que não analisa um processo por ano. Outros
    perdem processos e nada acontece. Há alguns personagens
    que se tornaram incômodos dentro PGE porque resolveram
    mostrar as suas vísceras. Cito aqui: Márcio Guedes e Luiz
    Carlos Godoy. Sem procuração para defendê-los, sei que
    eles trabalham para fazer jus ao salário que recebem”. A par
    disso, RESOLVEU consubstanciada no artigo 21, do Decreto
    n. 4804/2010, que prescreve, inverbis: “ Art. 21. A
    Corregedoria da Procuradoria Geral do Estado é o órgão
    orientador e fiscalizador das atividades funcionais e da conduta
    de seus membros, incumbindo-lhe, dentre outras atribuições,
    as seguintes: I – fiscalizar as atividades das carreiras de
    Procurador de Estado, de Procurador Autárquico e de
    Advogados Fundacionais, incluídos os que estiverem
    afastados”. A Procuradoria Geral do Estado, conta hoje com
    um quadro de 107 Procuradores de Estado, lotados nas
    diversas Unidades Operativas, incluídos os Procuradores da
    Assessoria Especial, Assessoria em Brasília, no Gabinete Civil
    e Coordenadoria do Interior, mantendo atualizado um banco
    de dados de Mapas e Relatórios mensais, que são cotejados
    com as peças elaboradas. No primeiro semestre de 2011,
    fez publicar Relatório Semestral, apresentando o quantitativo
    de 34.676.00 (trinta e quatro mil, seiscentos e setenta e seis)
    processos examinados por todas as Unidades Operativas.
    (Diário Oficial do dia 09/08/2011), onde retratava fielmente
    o que constava nos Mapas e Relatórios acima mencionados.
    O conteúdo jornalístico é de cunho acusatório e como tal
    deve ser tratado como uma Representação e devidamente
    nominado e apurado, afinal é responsabilidade funcional
    Institucional da Corregedoria Geral. Face ao exposto,
    determina preliminarmente à Secretaria da Corregedoria Geral
    que autue o presente, acostando ao mesmo os documentos
    citados no presente despacho. Como segunda providência
    seja oficiado ao Ilustre Jornalista para que forneça as
    informações necessárias para apuração dos fatos por ele
    denunciados.Não seria, portanto, razoável, que esta
    Corregedoria deixasse de alertar ao Senhor Jornalista que
    para a denunciação caluniosa há previsão na lei penal da
    aplicação de pena “Denunciação caluniosa Art. 339. Dar
    causa à instauração de investigação policial, de processo
    judicial, instauração de investigação administrativa, inquérito
    civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém,
    imputando-lhe crime de que o sabe inocente: (Redação dada
    pela Lei 10028, de 2000) Calúnia Art. 138 – Caluniar alguém,
    imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Difamação
    Art. 139 – Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à
    sua reputação: Injúria Art. 140 – Injuriar alguém, ofendendolhe
    a dignidade ou o decoro”.
    Publique-se. Corregedoria Geral da
    PROCURADORIA GERAL DO ESTAD0, em Maceió, aos
    24 de novembro de 2011.
    MARIALBA DOS SANTOS BRAGA
    Procuradora de Estado – Corregedora Geral

  • Joana Bezerra

    Belíssimo texto. Não é que vc consegue trazer à baila todo o meu sentimento em relação a este tema? As vezes fico me perguntando: por que desperto tanto a ira de muitos? Sei a resposta e hoje me congratulo com ela esboçada em seu belíssimo texto.
    Beijos mil e obrigada por tornar nosso domingo mais humano!!!!!!!!!

  • Paulo Castro Silva

    “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”
    (Rui Barbosa)
    Parabéns Ricardo, Continue a nos alertar sobre a nossa pequena República de Erros, Esse Laboratório de aberrações, nessa terra sem lei, sem ordem! Onde Vence quem tem mais força e quem tem mais maldade. Você é nossa luz,nossa unica esperança nessa terra repleta de escuridão. Um forte abraço.

    Atenciosamente,

    Paulo Castro

  • Clara

    A este texto não se pode acrescentar nada, está perfeito. Como sempre, vc nos surpreende aos domingos. Que Deus lhe proteja sempre.

  • Ricardo

    Poxa, que texto, Ricardo. Esse aí o salvei no meu computador. Sobre o assunto, é o melhor que já li (e olhe que adoro ler sobre essas coisas). Vou utilizá-lo para fazer citações(colocarei a fonte, mas confesso que dá uma vontade de me apropriar danada, kkkkkkk). Parabéns. Só quem tem uma cultura diferenciada tem capacidade de construir algo assim. É muita leitura (de quallidade). Nunca vou chegar aí. Agradeço sinceramente pelo texto. E de graça! Obrigado, Ricardo.

  • Celso Tavares

    Parachoques:
    Não deixe de perdoar os seus inimigos – nada os aborrece tanto (Oscar Wilde)
    A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre (Oscar Wilde)
    Os aduladores são a pior espécie de inimigos (Tácito)Excelente!!!
    A cerveja e a cachaça são os piores inimigos do homem. Mas o homem que foge dos seus inimigos é um covarde (Zeca Pagodinho)
    Um grande abraço,
    Celso

  • susana

    Texto perfeito, queria ter escrito, expôs tudo que penso sobre os inimigos e amigos , parabéns. Deve ser publicado o máximo possível, vou copiar e passar o site.

  • Felipe

    Parabéns, Ricardo, por mais um texto lúcido e coerente. Fique tranquilo, pois os seus inimigos também o são das pessoas de bem, que prezam pela decência, honestidade e pelo zelo com a coisa pública. E estas não esmorecem nunca…Conte conosco!

  • Gregório de Matos

    PURO CORPORATIVISMO. A senhora procuradora MARIALBA DOS SANTOS BRAGA teria vestido a carapuça?

  • Alexandre Fernandes

    Caro Ricardo,
    Todos os dias quando entro na internet, vou direto ao site do Tudo na Hora só pra ver os seus artigos.
    As vezes faço um comentario, as vezes não, pois as suas criticas aos desmandos dos nossos mandatarios ja dizem tudo que devia ser dito, e se esses sujeitos tivessem vergonha na cara não voltariam a ser personagens de tuas materias.Mas aos domingos, aí voce resolve nos presentear com seus textos mais extremados, que nos deixam maravilhados com o seu humor e sua sensibilidade.Parabéns, e obrigado pelos bônus com que nos premia aos domingos.

  • Antônio Carlos Barbosa

    Prezado Ricardo. Belo texto. Você conta com todos os seus amigos alagoanos, que é a composição formada pelos homens, mulheres e os adolescentes e crianças de bem do nosso estado. Somente os inimigos da verdade, os corruptos, os desonestos, os assassinos, os covardes, enfim os trapos humanos são os seus inimigos.

  • André

    Parabéns Ricardo, texto irretocável, fala tudo o que sinto, principalmente no trecho: “A qualidade humana de amigos e inimigos diz muito sobre o nosso caráter.”
    Sou Servidor Público do Estado de Alagoas há três anos, que tenta cumprir o que determina a Lei, e com essa postura já ganhei alguns amigos e muitos inimigos. Sou taxado como chato, radical, intransigente, etc. Todos esses adjetivos por ser cumpridor do dever. É duro ser correto nesse Brasil, mas continuarei ganhando inimigos e fazendo sólidas amizades.
    E terei sempre orgulho das minhas amizades e das minhas inimizades.

  • EUDÓFYO

    Ricardo! Nossos maiores inimigos são inevitavelmente nossos amigos. Nosso inimigos não sabem nada sobre nós, mas nossos amigos sim. Portanto muito cuidado com nossos amigos.

  • Napoleão de Oliveira

    Diga quem são seus covardes inimigos e eu já os considerarei meus também.

  • João

    O desafio, algumas vezes, é não se deixar levar pela tendência a querer ser ser a palmatória do mundo.

  • Lúcia de Mendonça Ribeiro

    Parabéns Ricardo!
    O texto realmente é muito bom e nos leva a uma profunda reflexão. Ótimo momento para o ano que se finda. Sucesso e abraços!

  • Caio

    Caro Ricardo, tu es um exemplo para todo alagoano. Parabéns pelo texto e sua integridade! Quem dera que boa parte desse mundo fosse feita de pessoas quem nem o nobre jornalista.

  • Oswaldo Rogge

    Um texto irretocável, antológico. Espanto-me com a precisão do teu pensamento. Tenho no meu HD uma pasta com teu nome, pois o conjunto de teus artigos e clips constitui a análise da História contemporânea das Alagoas, vista sob a ótica de um homem de altos valores e princípios. Diante da parte deletéria de nossa realidade, tu exprimes a luta que não lutamos, ou que não podemos lutar, ou que gostaríamos de lutar. Eu me identifico com essa luta (afinal, fui perseguido na época de estudante pelos civis capachos dos ditadores militares). Se algo de mau te ocorrer, atinge também a todos nós, porque sinto que a tua luta é, ao fim e ao cabo, a nossa luta, e representa a defesa daquilo que há de mais nobre na nossa mísera condição humana. Tu defendes a dignidade do povo alagoano, e, como a tua luta está inserida na vastidão do nosso campo de batalha, ela é universal pelos valores defendidos. Vem-me à mente as palavras de Jesus (não posso evitar, pois ou católico): “Os mornos eu vomito de minha boca”, e, ainda, “Ai de vós quando todos os homens de vós disserem bem, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas (Lucas 6:26)”. Óbvio que não deveremos provocar intencionalmente inimizades, mas se todos forem unânimes em só nos dizerem bem, alguma coisa estará errada conosco. Será demasiada conivência com todos os valores. Sinal de que não existe nenhum. Os valores impõem limites ante a infindável mutabilidade da índole humana. E os limites irritam muita gente.

  • djair ferreira

    Olá,meu caro Ricardo Mota,
    Ter e ser amigo realmente não é facil, mas volta e meia nós encontramos amigos onde não esperamos encontrá-los.os amigos aos quais estou me referido não são aqueles que dizemos ter-los e sim aqueles que nem mesmo sabemos que temos.Eu particularmente descobri ter um amigo quando me deparei com seus escritos,pois vi nos seus textos a verdadeira transcricão do sentido da palavra amizade,digo isso com alma livre,haja vista,não ser seu colega de escola,não ter morado nem morar na mesma rua que você nem tampouco conhecer-lo ou conhecer seus parentes.Porém,para se conhecer alguém,basta tão somente que tenhamos oportunidade de conhecer seus pensamentos,e essa oportunidade você nos dar sempre.
    Portanto, meu caro amigo Ricardo Mota,nada mais posso
    lhe desejar que trabalho,conquistas vindas com trabalho,sucesso e felicidade no trabalho.

    Parabéns,que Deus o abençoe!

    Feliz Natal!

    Djair Lima