Nunca nos damos conta das mudanças pelas quais vamos passando ao longo da vida. Talvez porque elas nunca acontecem de uma só vez, de repente, a não ser em situações extremas.

Que nós estamos permanentemente mudando, revendo conceitos, recompondo histórias e memórias, disso não há por que duvidar. Mas saber identificar quando as alterações acontecem, eis algo que não haveremos de alcançar – pelo menos com o conhecimento que detemos hoje.

Quando a mudança, mesmo a mais profunda, passa a ser evidente para os outros e para nós, aí já é “tarde demais”. Certamente ela se deu de forma paulatina e cumulativa, sem que a nossa percepção, por mais atinada que seja, pudesse detectar.

O novo em nós, como em tudo na Natureza, se gera a partir do “velho”, sem que este seja – necessariamente – descartável: nada se transforma do nada, eis uma dívida que carregamos para com os outros e para com a gente mesmo.

Uma das mudanças mais profundas que consegui identificar em mim foi o fato de ter perdido, não sei quando e já faz um bom tempo, o medo da morte. Afirmo-o sem alegria, sem tristeza e com serenidade. Mas não considero que a constatação seja um sinal de bravura, de destemor, de desabrida coragem de um homem incomum.

Pelo contrário: é o “destino” comum a todos os homens que me traz esta certeza única. É como ter desvendado, enfim, Heráclito, sabendo que o rio que passa hoje não é mais o rio que passou em qualquer tempo. Nem por isso deixou o rio de existir, mesmo sendo outras as suas águas. (E se avançamos na mesma compreensão: não é a vida que se acaba, somos nós que deixamos de ser para ela.)

Posso observar, também, que outras mudanças ocorridas – e só depois percebidas – estão diretamente relacionadas a esta, talvez a mais dura, tranquilizadora certamente: a de que a morte já não me mete medo.

Eis que, agora, exploro mais aquilo de que gosto e me aproximo ainda mais daqueles cuja amizade e companhia me proporcionam conforto à alma, para além das convivências inevitáveis. O que, ao final, traz um valor ainda maior ao surgimento de alguém ou de alguma novidade que me traga encantamento.

Não entendo, por outro lado, que seja uma condição que leve ao conformismo, à rendição. Pelo contrário, a consciência da finitude, da brevidade, sem dúvidas me arrastou por caminhos talvez perigosos demais, para muitos. É possível que não fosse assim, se ainda carregasse comigo o temor comum a quase todos os mortais (que não admitem sê-lo).

Aqui estão apenas umas poucas e breves reflexões domingueiras, depois de ler uma entrevista com Dom Paulo Evaristo Arns, um dos seres humanos mais admiráveis a quem pude acompanhar, mesmo de longe, na história recente do Brasil.

Aos 90 anos, completados em setembro, ele se debruça sobre o tema incômodo e árido para a maioria – a morte –, com tranquilidade e humor. São dele as palavras que eu tomo por empréstimo para dar um ponto final ao texto:

– Não tenho medo, mas não tenho pressa.

 

 

O Banco PanAmericano e o secretário Luiz Otávio Gomes
Um a um, os conselheiros do Tribunal de Contas
  • Paulo Petuba

    Essa mensagem parece não atingir aqueles que se enganam qjuando pensam enganar a todos com falsas promessas, desdenhos e sub-jugo de pessoas que nelas acreditaram. Veja quantos mais ditadores precisarão morrer de forma indecorosas, nas, literalmente, sarjetas e esgostos da vida pela falta de um único ato humilde de se recompor, refazer-se, reconciliar, ceder, desistir, renunciar, entregar-se. Quantos impérios e imperadores passaram. Enfim, um dia, nossos pelocos de ditadores aprenderão senão com o saber da vida extirpados pela morte.

  • anthony

    A nossa cultura não discute a morte quando somos criança,apesar de vivermos rodeado por ela,literalmente falando…nesse caso,rodeado da morte dos outros.E a nossa,que a cada dia se aproxima mais um pouco? Creio eu que esteja próximo ao que você já chegou.Não temo mais a morte como antes…nossa mente parece aceitar de várias maneiras o inevitável.Isso é bom!Pensar na nossa morte como algo natural nos tranquiliza…nos faz aproveitar melhor os momentos…sem ansiedade.Uma vez numa entrevista,o ator Paulo Gracindo,respondendo a uma pergunta sobre a morte falou: A cada dia que passa meu futuro diminui.Áté então,nunca tinha me dado conta dessa verdade…a partir dessa constatação algo mudou em mim em relação ao pouco tempo que vivemos.Sempre achamos que o tempo é longo demais… Mas viver sob a ameaça de perder a vida nos faz ser mais carinhoso com os que nos são caros.” O mundo anda tão complicado que hoje eu quero fazer tudo por você” antes que seja tarde demais.Abraços.

  • Fernando Dacal Reis

    Parabéns Ricardo,
    Percebo uma evolução de sua visão espiritual. Transcrevo Chico Xavier: “Cumpramos as nossas obrigações, e a morte será sempre uma passagem para uma vida melhor.”
    Fernando Dacal

  • Goretti Brandão

    Para Ricardo Mota
    “(…)Cabeça a prumo, segue rumo e nunca, nunca mais
    O grande espelho que é o mundo ousaria refletir os seus sinais
    O homem velho* é o rei dos animais
    (…)Os filhos, filmes, ditos, livros como um vendaval
    Espalham-no além da ilusão do seu ser pessoal
    Mas ele dói e brilha único, indivíduo, maravilha sem igual
    Já tem coragem de saber que é imortal”

    De Caetano a Jung: Velho, no sentido de haver compreendido o significado da vida: Um sábio!

  • antonio vieira marinho

    Perdi recentemente um amigo, não, companheiro de idéias, só porque nos meus 73 anos, expus meu conceito sobre a morte, não falava dela, como desastre, apenas sentia saudades do desencarne daquela pessoa amada, a sua falta que fazia de dificil substituição. Tão drástico é o nosso destino, imediatamente somos descartável, em restrito cubículo eternamente, ele não gostou.

  • santos

    É meu caro, acho que ainda não cheguei nesse estágio de transformação, mas, já começo a perceber tal sintoma.

  • alberto laranjeira

    parabéns para o Ricardo filosofo, gostei do tema; porém acho que viver é algo inevitável porque não temos como prever o momento seguinte por isso o viver é uma arte; aliás o homem incomum nunca morre

  • carlos lima

    Parabéns pela beleza e profundidade do texto. Desdramatizar a morte é difícil e quando se consegue a alma se eleva. Apesar disto, espero que sua existência seja longa, pois Alagoas muito precisa de você

  • Osavaldo Epifanio

    “Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
    Não há nada mais simples.
    Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.
    Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.” (Fernado Pessoa — Alberto Caeiro, Poemas Inconjuntos).
    Ricardo, essa sua “mudança profunda” nos contagia, também. O medo da “Senhora Pálida” pertence a quem ainda não descobriu que a vida não nos pertence. Nós é que somos dela. Sim, a existência é esse Rio inquieto de águas turvas e límpidas que passa ileso às nossas cobiças.
    Abraços. Pife

  • cristian lacerda

    É meu caro, te admiro bastante como jornalista que é, mais neste momento peço ao Espírito Santo de Deus que possa lhe dar discernimento para entender que só através de JESUS é que podemos morrer para o mundo e viver eternamente no céu. Para tal vc precisa o aceitar como Senhor e único suficiente salvador da sua vida, pois assim procedendo com certeza o morrer será LUCRO, pois estarás nos braços do Pai celestial. Diferente disso a Bíblia, que é a palavra de DEUS, nos deixa claro que o morrer será um ETERNO tormento. Espero que vc como uma pessoa inteligente que é, possa entender o plano de DEUS para a salvação da sua alma e consequentemente te levar para morar no CÉU, ESCREVENDO TEU NOME NO “LIVRO DA VIDA”….SEGUE ALGUMAS REF. BÍBLICAS PARA QUE VC POSSA CONFERIR:

    JOÃO 3.16
    JOÃO 8.31
    APOCALIPSE 20.14-15
    APOCALIPSE 21.01-08
    APOCALIPSE 22.01-07.

    ABS,

    QUE DEUS LHE ABENÇOE!

  • Celso Tavares

    Burk referia que “estou tão absorto no milagre da Terra e da vida sobre ela que não posso pensar no céu nem nos anjos. Tenho bastante para essa vida”. Nessa perspectiva, a única coisa chata que nos acontece é que um minuto passa a ter somente 59 segundos, 58 … 30 seg e assim por diante, até zerar. O tempo finito nos leva a valorizar a família, os amigos e somente aquilo que é essencial. Uma beleza!

  • Adriano Soares

    A Natureza, assim mesmo, grafada com letra maiúscula, é um apontar para “algo” maior, transcedente, que vai além da própria natureza. Esse algo que se põe para além de nós, da coisidade da coisa (só para lembrar Heidegger), sá anuncia que a há também uma História para além da história.

    Há uma alma em você e no que você escreve. Sim, as palavras anunciam sempre em nós uma metafísica irrenunciável, mesmo quando ela se ponha para nós como incompreensível e escandalosamente inaceitável.

    Belo texto, Ricardo!

  • tania

    Gostei….” não tenho medo, mas não tenho pressa’, sábias palavras de Dom Evaristo Arns, no seu belissimo texto, adorei!

  • Robson Farias

    MAGNATA DA ESCRITA! SENSACIONAL ! A QUESTÃO É QUE VÁRIOS IMBECIES ACHAM QUE O BOM DA VIDA É TER, 10 APARTAMENTOS, 10 FAZENDAS , ALGUNS BILHÕES É SÃO ETERNOS.

  • darkson

    Só não temendo a morte para ter a coragem que vc tem para enfrentar,os que acreditam que podem tudo. Só conseguindo aceitar o inevitavel, é que o homem, consegue viver a vida com plenitude, ousado, sem ser suicida. A vida é bela, mas só saberemos realmente aproveita-la se aceita-la como ela é. Hoj,e meu caro jornalista, vivo mais tranquilo com relação a este tema, que antes nem queria saber. Mas, sinceramente, ainda não perdi o medo da finitude do corpo.

  • Antônio Carlos Barbosa

    Prezado Mota, o texto contém um bálsamo para alma. Registro que a frase “não tenho medo, mas não tenho pressa” (da morte). Eu adotarei até o momento que eu possa viver com dignidade, sem sofrimento desnecessário e desumano, pois, caso contrário, abreviarei a sua chegada. Não permitirei compaixão e sofrimento, viverei enquanto puder aproveitar a vida, sempre aprendendo algo novo e necessário para me manter amando a vida. Além disso, quero passar para os mais jovens e aqueles que estejam ao meu redor, a beleza da vida, com seus prazeres e sofrimentos, e o verdadeiro sentido da amizade.

  • Mariana Castro

    Este é o problema de todos nós: muitas e muitas vezes perdemos a noção daquilo que é importante e daquilo que não é.
    Ansiamos por coisas sobre as quais não temos nenhum controle e não nos satisfazemos com as que estão ao nosso alcance.Então quando o inevitável chega, são poucos que estão preparados!

  • ariabilio

    Lendo o texto lembrei de uma musica do Titãs “O acaso”. Tem muito a ver como o texto.
    Quem quiser escutar vai no youtube.

  • Joana Bezerra

    Ricardo,
    O tempo e sua inexorabilidade me marcam indelevelmente. Ao tempo em que meus cabelos branqueiam, vou ficando cada vez mais sábia e percebendo o que realmente vale a pena. As coisas mais simples do cotidiano, como conversar com amigos, celebrar com eles mesmo que não haja um motivo especial, ler um bom livro, assistir a um bom filme, admirar e me banhar no mar lindo que banha essa Alagoas, essas são algumas das mais prazerosas coisas da minha vida. Viva a vida, viva você, vivamos nós!!!!!!!!!!!

  • Ecos da Além,ou Vareilo além da Vida

    Aqui jaz, alimento para vermes,
    O corpo de B. Franklin, Editor,
    Tal como capa de alfarrábio
    De páginas devastadas,
    Despojada de letras e adornos.
    Mas a obra não foi totalmente perdida:
    Como ele acreditava, mais uma vez ressurgirá,
    Em nova e aperfeiçoada edição,
    Corrigida e ampliada,
    Pelo autor. (Epitáfio de B.Franklin )
    Dá pá tú refletir , Ricardinho ???

  • Vercingetorix, O Gaulês

    Naitre, Mourir, Renaitre encore et processer sans cesse, telle est la Loi.

    Escrito no Dolmen dum antigo Druida , no Cemotério Père Lachaise

    Au Revoir , Petit Richardin , Mon Guru…hehehehehe

  • Bernardo cintra

    Olha ricardo, atravesso um momento bastante similar ao seu, fiquei mais sereno do que já estava em relação a esse tema tão controverso… repito as palavras.

    “Não tenho medo, mas não tenho pressa.” e acrescento ainda há muito para fazermos em prol da nossa consciência e de nossa sociedade.

    Parabéns amigo!

  • josé carlos santos

    Consoada
    Quando a Indesejada das gentes chegar
    (Não sei se dura ou caroável),
    talvez eu tenha medo.
    Talvez sorria, ou diga:
    – Alô, iniludível!
    O meu dia foi bom, pode a noite descer.
    (A noite com os seus sortilégios.)
    Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
    A mesa posta,
    Com cada coisa em seu lugar.

    (Manuel Bandeira)

  • Pablo Hernandez

    Muito bom Gaulês:
    “Nascer, morrer, renascer sempre e continuar progredindo. Essa é a lei.”
    O que Fernando Pessoa, quis nos mostrar com essa frase, ” Navegar é preciso, viver não é preciso”? Se falarmos em “precisão” e não de necessidade ,poderíamos imaginar puramente uma navegação em que navegar exigi-se um conhecimento calculado, medido e previsível,já em relação a vida não temos nada de preciso. A vida é incalculável no sentido de momentos, decisões e medidas.A vida não é exata, não é precisa… Não sabemos como será o dia de amanhã, ou quando morreremos… Ainda assim, vou percorrer por um caminho mais distante, na amplitude para um pensamento filosófico e metafísico em que Fernando Pessoa nos coloca e passaremos a analisar quatro questões: A fuga de si mesmo; (Existencialismo) : O existencialismo considera cada homem como um ser único que é mestre dos seus atos e do seu destino; Fuga do impossível; (Morte); O pensamento chamado (vida); O grande mistério de ( SER), e principalmente de nos aceitarmos e nos valorizarmos.
    Em um raciocínio analítico “Viver não é preciso, o que é preciso é criar”.

  • Leonam Qurino

    Ricardo parabéns pela reflexão. Sobre ELA, um dia escrevi:

    QUE A PEDREIRA DA VIDA NÃO AGUENTA

    LEONAM QUIRINO
    [07/02/2009]

    Ameaça da morte é tão cruel
    Que me fez atender ao seu apelo
    Nunca havia encarado esse novelo
    De juntar duas palavras num cordel
    Comecei a escrever e dar risada
    Pois falar de morte não comenta
    Pesa o ar e a alegria afugenta
    Se brincar só termina em trapalhada
    A marreta da morte é tão pesada
    que a pedreira da vida não agüenta.

    ****
    Sou alegre, faceiro e bonito
    Sou modesto, saudável e bem disposto
    A alegria ilumina o meu rosto
    Me levando quase sempre ao infinito
    No concreto real da empreitada
    Água e pó misturada é lamacenta
    A certeza de outra vida se apresenta
    Uma visão mais alegre e estampada
    A marreta da morte é tão pesada
    que a pedreira da vida não agüenta

    ****
    Se associa sempre a morte à idade
    Isso é coisa que não tem comparação
    Feminina, apresenta mansidão
    Porem chega com intempestividade
    Se mostrando anuncia o fim de linha
    Sendo velho, moço ou criancinha
    Mesmo o Busch viu a bota em sua venta
    A bichota nunca nega a sapatada
    A marreta da morte é tão pesada
    que a pedreira da vida não agüenta.

    ****
    Pedra bruta é formato inicial
    Que o cinzel da vida dá modelo
    Lapidando devagar com maior zelo
    Finaliza seu contato laboral
    Numa luta constante e desigual
    A borracha do tempo afugenta
    O deslize eventual que aparenta
    Uma falácia, por um outro observada
    A marreta da morte é tão pesada
    que a pedreira da vida não agüenta.

    ****
    Finalizo bem ciente que estou vivo
    Atingindo a metade da jornada
    Sabedor de um processo progressivo
    No cultivo de uma árvore já plantada
    Me preparo pra subir mais um degrau
    Combinando de forma consensual
    O momento de vestir a vestimenta
    P’ra atingir a tal porta escancarada, pois
    A marreta da morte é tão pesada

  • CAP. JORJÃO

    RICARDO, PRECISAMOS NOVAMENTE DE UM SER COMO SUA PESSOA NO JORNAL DA PAJUÇARA MANHÃ, NOSSA FAMILIA ESPERAVA COM ANSIEDADE SEUS COMENTARIOS MADRUGUEIROS DE TODA MANHA!. HOJE, ACORDAMOS SEM NENHUMA PERSPECTIVA NOVA! , SEM NENHUMA VONTADE DE ASSISTIR AS NOTICIAS!, POIS NÃO EXISTE MAIS EMOÇÃO , FALTA VERDADE,CORAGEM! SINCERIDADE E AUTONOMIA DOS REPORTERES!,INFELIZMENTE !

    RICARDO QUE TAL SER CANDIDATO A PREFEITO DE MACEIO! SÓ ASSIM TERIAMOS UMA LUZ NO FIM DO TUNEL! VC TERIA COMO FAZER UMA PREFIETURA INIGUALAVEL, E COM CERTEZA SERIA ELEITO PELA MAIORIA DA POPULAÇÃO DE MACEIO, POIS AQUI AINDA SE CONSEGUE TER DICERNIMENTO PARA O BEM COMUM !
    URGENTE! RICARDO MOTA PARA PREFEITO! TEM O AVAL DE TODAS AS FAMILIAS DE BEM (BEM MESMO)DESSE ESTADO! COM CERTEZA, CONVIDANDO O NOSSO AMIGO FERNANDO BARREIROS PARA SER SEU FIEL ESCUDEIRO NA VICE PREFEITURA !! QUEM SABE ASSIM A GENTE POSSA TER DIAS MENOS PROMISCUOS, E MAIS PROMISSORES EM MACEIÓ !!
    DESEJAMOS A VOÇÊ TUDO DE MELHOR QUE UM SER HUMANO POSSA REALIZAR NESSE RUMO SEM FIM !!”
    O NOSSO ABRAÇO FORTE E VERDADEIRO!

  • Vercingetorix,O Gaulês

    Nobre Pablo Hernandez,
    Nosso Fernando Pessoa também escreveu um Poema chamado : No túmulo de Christian Rosencreuz, ei-lo;
    Parte I

    “Quando, despertos deste sono, a vida,
    Soubermos o que somos, e o que foi
    Essa queda até corpo, essa descida
    Ate á noite que nos a Alma obstrui,

    Conheceremos pois toda a escondida
    Verdade do que é tudo que há ou flui?
    Não: nem na Alma livre é conhecida…
    Nem Deus, que nos criou, em Si a inclui

    Deus é o Homem de outro Deus maior:
    Adam Supremo, também teve Queda;
    Também, como foi nosso Criador,

    Foi criado, e a Verdade lhe morreu…
    De Além o Abismo, Sprito Seu, Lha veda;
    Aquém não há no Mundo, Corpo Seu.”

  • Philipe

    Muito bom o texto, muito sereno!!!

  • Elvis juvencio do carmo

    Valeu Ricardo…O texto é profundo e nos faz refletir,sobre a vida que é uma metamorfose ambulante…viva!!!

  • Márcio

    Ricardo, não cheguei aos 30, talvez por isso não alcansei tal grau de compreensão. Há um bom tempo penso no desprendimento à vida daqueles que se “expoem” em defesa de princípios, da ética e da moral. Indagava-me: Será que essas pessoas não são suficientemente amadas e/ou não amam suficientemente para sobreporem o plano da preservação da vida em relação à luta pelo que é justo? Como funciona a escala de prioridades na vida destas pessoas? O que passa na cabeça de um homem bomba? Não sei se já ouviu, mas se um dia um filho pedisse: Pai, fica quieto, não oferece tua vida em nome da sociedade, entrega-a a tua família. Pra tomar tal decisão quem tem fator peso maior? Será que explicaria se respondesse: Filho, doar a vida à luta por uma sociedade mais justa é a forma mais corajosa de amar a própria família. Será que pra ele isso seria justo? Ele não tem o direito de ter um pai que viva em prol de permanecer vivo? Penso que quem casa e tem família não pode mais se dar o luxo de pedir, e mais ainda, marcar encontros com a dama de preto e de foice na orla maritima da cidade. Ricardo, todo mundo acha lindo esse desprendimento, apoia e aplaude. Mas o sofrinento e a lacuna que a morte precoce de um pai deixam são incomensuráveis. Você acha que vale pensar numa forma mais prudente de combate? Ou és homem-bomba mesmo?