Qual é o instante mágico em que escolhemos o time do coração, aquele pelo qual vamos torcer por toda a vida, sem admitir, nem de brincadeira, virar a casaca? Pois é, não sei e duvido que você saiba a resposta. Por que um time e não outro, irmãos revivendo a sina de Caim e Abel por conta dos homens que chutam a pelota – quanto mistério há nas nossas preferências clubísticas!

Como não podia ser diferente, eu já nasci regatiano, por obra e graça do seu Luiz Mota. Foi meu pai quem me levou ao estádio (onde cheguei assustado e deslumbrado) pela primeira vez, e por lá eu o acompanhei em boa parte da vida que compartilhamos. Vibramos com o galo, xingamos juízes, sofremos com os “azuis”, mas dividimos – ou somamos -, principalmente, a condição de torcedores do alvirrubro da Pajuçara. Tudo bem.

Mas como eu me tornei uma ovelha tricolor habitando um ninho de vascaínos? Desconfio que foi por causa daquela fotografia da revista Placar (cuja assinatura o poeta Sidney Wanderley quase perdeu, como castigo paterno, quando entrou para o movimento estudantil – na versão do Joinha), que trazia os campeões cariocas de 1969, e estes vestiam a camisa do Fluminense. Lá estavam: Félix, Oliveira, Galhardo, Assis e Marco Antônio; Denílson e Didi; Cafuringa, Samarone, Flávio e Lula. Eles deram nomes e rostos ao meu time de botão, que eu treinava com táticas específicas para cada adversário. (Meu pai chegou a ficar preocupado com a minha sanidade mental de adolescente ao me ver treinar, horas a fio, com os meus botões.)

O São Paulo foi uma descoberta da maturidade. Eu, como toda a minha geração, vibrava com o Santos de Pelé – era como torcer pela Seleção Brasileira. Mas o Rei se foi sem deixar herdeiro, e aquele amor de infância foi se esmaecendo até perder a cor. Caso raríssimo no futebol, eu comecei a torcer pra valer pelo tricolor do Morumbi por causa de um técnico, Telê Santana, cuja morte, há alguns anos, me comoveu como se fosse ele alguém próximo e muito querido. Telê foi um dos meus maiores ídolos, e ainda hoje eu vejo futebol pelos olhos do Mestre.

Com o tempo, eu descobri também que, para o torcedor, tão importante quanto o ídolo é o adversário a ser gozado. Se não houver ninguém para se “zoar” depois de uma vitória acachapante, de muito pouco ela terá valido. É esta rivalidade que mantém o futebol – ainda – como parte da alma brasileira. Mesmo que meu amigo Fredão, do Palmeiras, bata o telefone ao meu ouvido quando o Porco se esparrama na lama da derrota, é por demais agradável sabê-lo sofrente pelas dores do amante traído pelo seu onze mais querido. Repito apenas o que seu Luiz Mota já fazia com seu Joaquim, pai do Fred, e vice-versa (só de vez em quando, é claro).

Não há nisso qualquer relação com as gangues de hoje, que se apresentam como torcidas organizadas. Formadas, na maioria, por rebeldes sem causa – os novos bárbaros -, estas organizações criminosas só afugentam os verdadeiros torcedores dos estádios. Futebol virou, praticamente, um espetáculo para se ver na TV. Lamento, porque não esqueço do catártico encontro com a torcida! Hoje não dá mais – é correr risco até de morte.

Já não choro ao travesseiro as derrotas do meu time, mas ainda sinto aquele friozinho na barriga, o coração acelerar, quando assisto a uma partida de futebol. O meu filho, ao modo dele, também vibra e sofre com os nossos times (os mesmos, por mera coincidência, é claro). Trago na minha memória de torcedor passagens inesquecíveis, de muita alegria e também da mais profunda tristeza. No dia em que o Brasil perdeu para a Itália na Copa de 1982, eu simplesmente não consegui dormir. A minha alma ficou de luto – foi aquela a minha maior frustração futebolística.

O fato é que a minha vida teria perdido muita da sua graça se não houvesse o futebol. E por estranho que pareça, um gol de placa me torna ainda mais humano.

Agora aposentado, Luna começa "segundo turno" da campanha ao Senado
Mentes perigosas
  • Clau Soares

    Ricardo,
    futebol é apaixonante mesmo.
    Todos os meandros dessa paixão são
    abordados de forma tão sensível em seu texto que foi impossível não lembrar do
    meu amor pelo ASA.
    Ser torcedora fiel é ótimo, melhor ainda é torcer com civilidade. Ir ao campo é uma experiência única, embora hoje seja tão perigosa… Concordo com você, gangues só atrapalham nossa paixão.

  • João Henrique

    Parabens, Ricardo pelo post hoje tá perigoso ir ao bar da esquina, pois em todo canto tem gente intolerante e estupida com o diferente que não sabe ganhar que sá perder!Abraço

  • Cavalcante

    A felicidade, quando da vitória do timaço do coração é uma arma perigosa. Hoje vibramos com a emoção da conquista…amanhã, ah! o amanhã! Fomos derrotados!…quem diria! No trabalho, na escola, com a vizinhaça, com o amigo, com o irmão menor que insiste em lhe castigar o ouvido com o refrão da equipe adversária vitoriosa…só o futebol nos tempos idos tinha essa força de mexer com a placidez. Hoje, somos forçados assistir em casa pela tv um espetáculo coletivo. Paciência…

  • Davi Ferreira

    Meu caro jornalista parabens por mais um otimo texto só quero ressaltar duas coisas: Em seus sofrimento esqueceu-se de mencionar o Meu Glorioso Asa e quanto ao destaque aos times do Sudeste fico um tanto triste por não enteder a nesceciadade de torce por times de lá se de lá niguem torce pelos o daqui.Abraços.

  • Luiz Carlos Godoy

    São Paulo
    São Paulo entrega 250 toneladas de donativos ao Rio
    Gazeta Press

    O São Paulo concluiu na quinta-feira sua campanha de ajuda às vítimas das fortes chuvas no Rio de Janeiro. Depois de ter recebido doações até a noite de quarta, a comitiva tricolor seguiu com seis carretas para Niterói, onde fez a entrega de 250 toneladas de donativos.

    As doações, que foram recebidas desde a semana passada no estádio do Morumbi, foram então armazenadas em um ginásio disponibilizado pelo 12 Batalhão de Niterói.

    Na viagem, a comitiva tricolor também visitou o morro do Bumba, que foi bastante afetado pelas chuvas. Representante do departamento de Relações Públicas do São Paulo, Orandi Mura, o Nino, enalteceu a iniciativa.

    “Não são apenas os jogadores e a comissão que formam um time de futebol. É como uma bola, em que cada gomo é um trabalho a ser feito. O São Paulo tem de usar este nome que tem e o carinho que recebe de todos para reverter em ações sociais”, afirmou, ao site oficial do clube.

    Salve o tricolor paulista,
    Amado clube brasileiro.
    Tu és forte, tu és grande.
    Dentre os grandes és o primeiro!
    Tu és forte, tu és grande.
    Dentre os grandes és o primeiro!

    Ó tricolor,
    Clube bem amado.
    As tuas glórias
    Vêm do passado!!!

    Ó tricolor,
    Clube bem amado.
    As tuas glórias
    Vêm do passado!!!

    São teus guias brasileiros
    Que te amam eternamente.
    De são paulo tens o nome,
    Que ostentas dignamente!
    De são paulo tens o nome,
    Que ostentas dignamente!

    Ó tricolor,
    Clube bem amado.
    As tuas glórias
    Vêm do passado!!!

    Ó tricolor,
    Clube bem amado.
    As tuas glórias
    Vêm do passado!!!

    Tuas cores gloriosas
    Despertam um amor febril
    Pela terra bandeirantes
    Honra e glória do brasil
    Pela terra bandeirante
    Honra e glória do brasil

    Ó tricolor
    Clube bem amado
    As tuas glórias
    Vêm do passado
    Ó tricolor
    Clube bem amado
    As tuas glórias
    Vêm do passado

    Trazes glórias luminosas
    Do paulista imortal
    Da floresta também trazes
    Um brilho tradicional
    Da floresta também trazes
    Um brilho tradicional

    Ó tricolor
    Clube bem amado
    As tuas glórias
    Vêm do passado
    Ó tricolor
    Clube bem amado
    As tuas glórias
    Vêm do passado

    São paulo clube querido
    Tu tens o nosso amor
    Teu nome e as tuas glórias
    Tem honra e resplendor
    Teu nome e as tuas glórias
    Tem honra e resplendor

    Ó tricolor
    Clube bem amado
    As tuas glórias
    Vêm do passado
    Ó tricolor
    Clube bem amado
    As tuas glórias
    Vêm do passado

  • Fernando Dacal

    Ricardo,
    Parabéns pela crônica. A essencia do futebol é torcer sabendo zoar do adversário. Conhecío azulino FREDÃO ba década de setenta, quando entrávamos na UFAL, e o glorioso GALO partia para o bi de uma série de quatro, inéditos, títulos, dentre outros conquistados enquanto cursávamos Engenharia. Era gostoso aguardá-lo as segundas feiras após um clássico para gozá-lo e mais gostoso, ainda, é manter esta amizade por mais de trinta anos. É uma pena que o nosso futebol não é mais o mesmo.

  • Latravea

    Rodas de amigos, cerveja e a conversa predominante é futebol, eu… nunca gostei, nunca senti emoção, não gosto de futebol… mas eu penso que deve ter sido… quando tinha 12 anos… ficar sabendo da procedência de um dirigente… desde então assisto um jogo de futebol só para manter alguma aparência…

  • Frederico Farias

    Tinha que aparecer um bambino para solidarizar-se contigo, entoando a triste sina dos bambis.
    Em asim o sendo, em homenagem ao bambino solidário, aqui vai uma paródia:

    SALVE O TROCHOLOR DAS TRICHAS,
    MAL AMADO CLUBE BRASILEIRO,
    ÉS UM TIME DE BYCHARLISSONS,
    DENTRE OS BYCHARLYSSSONS,
    ÉS O PRIMEIRO.

    ÉS UM TIME DE BYCHARLISSONS,
    DENTRE OS BYCHARLYSSSONS,
    ÉS O PRIMEIRO.

    OH TRICHOLOR,
    CLUBE MAL AMADO,
    TUA TORCIDA, SÓ TEM BYCHARLISONS.

    OH TRICHOLOR,
    CLUBE MAL AMADO,
    TUA TORCIDA, SÓ TEM BYCHARLISSONS.

    SÃO TEUS GUIAS AS SEIS RENAS,
    QUE GUIAM PAPAI NOEL,
    TEU ESTÁDIO MEIA BOCA,
    É O GAIOLÃO DAS LOUCAS,
    TEU ESTÁDIO TEM UM NOME,
    QUE SE CHAMA PANETONNE.

    OH TRICHOLOR,
    CLUBE MAL AMADO,
    TUA TORCIDA, SÓ TEM BYCHARLISSONS.

    “Nós separados nas arquibancadas, temos sidos tão chegados na desolação”.

  • Nas cores da Previdência.

    A Previdência tem tanto dinheiro do governo federal que se tiver de devolver para o Instituito (INSS) ficará numa situação MUITO desconfortável, já que não pode ir a falência. É aí que mora o perigo, o governo ESCONDE e muitos que escrevem sobre o assunto o ajudam (por interesse). O superávit primário é, nada mais nada menos, do que dinheiro da Previdência. A DRU-Desvinculação de Receitas da União retira 20% de todos os IMPOSTOS+CONTRIBUIÇÕES. A DRU, só na Seguridade representa uma retirada conforme Anfip, de 11% do total da Seguridade (saúde+assitência+previdência). As renúncias previdenciárias, só em 2010 será de R$ 19.000.000.000,00 ou R$ 19 BILHÕES, é um descaramento sem igual. Tem mais desvios, mas para citar todos é preciso de muuiitto espaço. Digo eu agora, para que ter inimigo com um governo assim. Importante salientar que isto vem de longos anos, FHC e Lula só incrementaram e sofisticaram o planejado GENOCÍDIO DOS APOSENTADOS. Bronca da Marlene Gazzana, de Porto Alegre – RS. E vamos complementar que tudo farinhas do mesmo saco, os candidatos Serra de FHC, Dilma de Lula, Marina que bajula FHC e Lula, e o Ciro diz ser de FHC+Lula. Quem são FHC e Lula? A dupla que PAGOU R$ 1,078 Trilhão de Juros, tendo FHC PAGO R$ 278 Bilhões e Lula PAGO apenas R$ 800 Bilhões só de Juros, agora prestam atenção, de uma dívida de R$ 61 Bilhões em janeiro/1995 e hoje de mais de R$ 2,1 TRILHÕES. Pode? E você Eleitora, vc. Eleitor ainda tem coragem de votar nos candidatos do MAU, como Dilma, Serra, Marina e Ciro, que pensam somente em PAGAR JUROS desta maldita Dívida Pública, que certamente já foi paga? Vote certo em 2010, pense em sua Família, Filhos e Netos. P/Arabutan.

  • SERVIDOR PÚBLICO

    O MINISTÉRIO PÚBLICO E O GECOC DEVERIA FISCALIZAR UM GALPÃO CHEIO DE VEÍCULOS(TÁXIS E VANS) APREENDIDOS AO LADO DA ACADEMIA DA POLÍCIA MILITAR/AL, COMANDADO PELO CHEFE DE GABINETE DO PREFEITO CICERO ALMEIDA, O TEN. CEL.VALTER DU VALLE, ONDE ENTRA MILHÕES DE REAIS!! QUEM SABE DÁ PARA PAGAR O AUMENTO DOS SERVIDORES MUNICIPAIS DE MACEIÓ EM ESPECIAL DOS GUARDAS MUNICIPAIS!!

  • Nunes

    Bom dia,

    Sinto o mesmo frio, o coração acelera, só não tive a sorte de ter o filho como torcedor do Flamengo. Ele torce pelo Palmeiras e a filha torce pelo Botafogo. A mulher torce por qualquer um, desde que não seja o Flamengo. Pode?!

  • NELMA BARROS

    Caro Ricardo, minha admiração por você cresceu, pois também gosto de futebol apesar de não entender, por isso sou fiel a vários times, o que me causa bate-boca com alguns ferrenhos torcedores de um único time. Torço por: Santa Cruz, CSA, S. Paulo e Vasco. Gostei demais de sua crônica. Abraços, sua fã.

  • Nas cores do Fugir .

    Quem assistiu o programa Canal Livre neste domingo, não sendo um Dr. Eguus Asinus, já esperava a cumplicidade de dos jornalistas na omissão do enfrentamento cara a cara com FHC, do maior e único problema causador do caos, da violência e falta de CIDADANIA neste Brasil da corrupção, da falta de ética, do enriquecimento ilícito, da impunidade, pq. não dizer também da responsabilidade (afirma o Ministro Joaquim Barbosa do STF) do Judiciário no aumento da corrupção e sem esquecer os currais eleitorais que elegem os MAUS polítcos. Se não notaram a omissão, vamos mostrar que em nenhum momento foi questionado os famigerados pagamentos da dívida pública federal a Fernando Henrique Cardoso, que o trataram ainda como presidente. qdo é o seu colega neoliberal Lula! O FHC qdo. recebeu o governo de Itamar Franco a dívida pública federal era de R$ 61 Bilhões, repetindo R$ 61 Bilhões, em 8 anos de DESgoverno, ele FHC, só PAGOU apenas R$ 278,9 Bilhões de Juros, vamos repetir, R$ 278.913.205.966,00 de Juros. Mas, tem as Amortizações que foram R$ 1,8 Trilhões ou exatamente o irrisório de R$ 1.800.783.056.271,00, que somados, o FHC tão somente PAGOU R$ 2.079.696.262.237,00, ou R$ 2,079 Trilhões, a uma dívida inicial de R$ 61 Bilhões e deixou de quebra como herança maldita uma dívida em 12/2002 de R$ 845 Bilhões. Estes questionamentos não foram abordados, o que mais queria saber o Povo brasileiro, justamente o conteúdo não da caixa, mas certamente do container preto, que compromete a seriedade no trato da coisa pública até esclarecer as verdades do fatos sobre os pagamentos adsurdo da dívida pública. Infelizmente e mais uma vez ficamos a chupar dedos. Vote certo em 2010, assim podemos saber das verdades que o manto do medo encobre. P/Arabutan.

  • Servidor Público II

    Meu caro Ricardo,
    A vergonha de ser maceioense é grande. O nosso futebol é coisa de louco e corruptos (assim como quase tudo em Alagoas), é vergonhoso! O MP deveria investigar o Cel. Du Valle, é coisa das grandes. Aprenda com ele como ficar rico em meses.

  • Paulo Sérgio Moreira

    Lendo seu texto, voltei à infância (bons anos me separam daquele tempo). Recordo a primeira vez que fui a Estádio da Pajuçara, assistir o clássico das multidões. Meu irmão mais velho, azulino “doente”, comprou camisa do seu time e me vestiu, deixando claro que essa seria a condição para acompanhá-lo até o local do jogão. Como sonhava com aquele momento, aceitei sem titubear. Ficamos no lado da torcida azul, barulhenta e imensa. Fim de jogo, o CSA ganhara do CRB. Sem maiores explicações, voltei pra casa, tirei aquela camisa e decidi que a partir daquele momento meu coração teria cor: vermelha. Amor à primeira derrota (risos). Gosto do Fluminense, não tenho razões para paixões por times de Sampa, mas sofro mesmo é com o Galo, mergulhado nessa incompetência de gestões sucessivas que teimam em afundar nosso clube. Minha parte eu faço: vou aos jogos, compro meu ingresso, me “acabo” de tanto gritar e, quase sempre, nesses últimos e terríveis tempos, volto pra casa “doente”! Mesmo assim, a música toca aos meus ouvidos: Galo, eu te amoooooo (não tem jeito)…Parabéns, Ricardo, pelo texto!

  • ascanio junior

    êee bateu saudades de meu CRB, as poucas vezes que fui a campo com meu saudoso PAI ( com ele aprendi a amar o galo e passei para meus filhos essa paixão) pena que devido a essa violência não vou aos estádios com eles

  • Nivaldo Mota

    O que é isso, só tem misto aqui, meu deus, é por isso que o futebol de Alagoas não cresce.
    CRB meu único time!