Dona Floraci foi mais uma vítima da droga, esta praga social “silenciosa”, apesar do tratamento histérico e estéril dispensado pela mídia – de forma geral – às conseqüências que ela provoca (que bom que o Prêmio BB tenha sido dado a uma reportagem séria sobre o tema.) É uma pena, mas daqui a uma semana dona Floraci não terá mais o nome publicado nos jornais, restando aos seus entes e amigos mais queridos a terrível dor da saudade.

  O assassino de dona Floraci, conhecido como “Geraldinho”, pode mofar na cadeia, ou se tornar, lá dentro, alguém muito pior do que já é, com o impulso que lhe foi dado pelas drogas – esta presença tão constante nas almas vazias (e mais e mais elas se multiplicam, hoje). É possível até que ele próprio, o novo inimigo público “número 1” da sociedade alagoana (pelo menos por uma semana), venha a ser, também, a próxima vítima da “morte matada”, destino de tantos que chegam a esse caminho quase sempre sem volta.  Não advogo a inimputabilidade para o criminoso, muito menos a sua execução sumária como pena pelo crime que praticou. Há leis no Brasil, que precisam ser cumpridas independentemente da origem social e econômica daqueles que as ignoram.  Mas defendo um debate mais profundo, uma discussão permanente para que possamos entender como e por que proliferam “Geraldinhos” a cada esquina, nas áreas nobres e na periferia de cada cidade brasileira. A juventude, é importante que se diga, “não quer só comida”, e não é um prato farto a cada dia que constrói uma pessoa solidária e humanizada. 

Para além do tratamento espetaculoso e de mau gosto dado pela mídia aos casos de violência (o ex-cabo Everaldo virou o “pai da Eloá,” não tivesse ele vida própria no mundo da morte), devemos pelo menos buscar a formação da consciência crítica, que, no coletivo, pode nos ajudar a compreender por que chegamos até aqui e, aí sim, indagarmos para onde queremos ir. 

A visão cínica de que “o mundo é assim mesmo” é o pior legado que podemos deixar para os nossos filhos.  A “banalização do mal”, de que nos fala Hanah Arendt, encontrou sua tradução “perfeita” nos veículos de comunicação de massa. A doença passou de fora para dentro das redações, na base do “quer sangue? Tome sangue!”. 

A barbárie está em toda parte: dentro das casas, no trânsito, nas escolas mais caras e festejadas. A estas dirijo algumas  observações à parte: muitas delas – as mais “modernas” – viraram fábricas de arrivistas, promovendo a segregação interna entre vencedores e vencidos precocemente. Prefiro entender que farei muito menos mal ao mundo se ajudar a formar – entre os meus mais próximos –  profissionais medianos, mas bons caracteres, do que ter contribuído para jogar na sociedade mais um canalha, ou um alpinista social, indiferente ao entorno. 

Que modelo é este de "mundo"  que estimula em cada um os piores sentimentos e trazem à tona os mais temíveis instintos? O que está sendo construído serve para quê? Este discurso hipócrita do socialmente responsável, do  politicamente correto, em que tem melhorado o mundo, as famílias e, principalmente, as novas gerações?  

Elas são, e as estatísticas estão aí para provar, as principais vítimas e algozes deste modelo perverso. Nenhuma família está ou estará livre de abrigar entre os seus mais queridos uma dona Floraci ou o um Geraldinho. Os dois, de um jeito ou de outro,  são vítimas da droga. Que busquemos encontrar “as portas de entrada” para este mal e, então, tentemos fechá-las. É difícil, muito difícil, mas a cada dia parece ainda mais impossível encontrar a porta de saída. 

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  • Artur

    NÃO TEMOS O QUE COMENTAR, SÓ LAMENTAR E QUE LOGO ESSE BICHO ESTARÁ NAS RUAS. LEIS SEM VALIDADES E CHEIAS DE BRECHA PARA BENEFÍCIAR BANDIDO.

  • Manú

    QUEM ESTÁ PRESA PARA SEMPRE É DONA FLORACI. Esse marginal por ser de uma família influente, será bem acolhido no presídio. Lembram de um (atual) deputado estadual, que assassinou um jovem em um pré-carnaval na cidade de Arapiraca, e preso, distribuía dinheiro e fazia festas para os agentes.

  • Fernanda

    Todos deviam pensar um pouco mais em suas palavras, principalmente os pais e mães para educarem seus filhos os mais conscientes e responsáveis possível. Certa vez ouvi que Amar é Proteger e não ensinar a irresponsabilidade. O bom e ruim, o bem e o mal, qualquer um sabe diferenciar.

  • Pedro Mota

    eu te pergunto Ricardo.oque aconteceu com nossa cidade que antes era um bom lugar,tranquilo e calmo pra se viver.Eu quero saber se o advogado safado dessa assassino vai perguntar ainda,por que tanta repercussão agora que a senhora morreu.

  • Márcia

    Quando olhamos p/ a questão das drogas como um todo,não vemos solução. Mas todos temos filhos, sobrinhos, amigos, filhos de amigos, afilhados, irmãos. Vamos cuidar dos que estão próximos. Cada grupo cuidando dos seus, melhoramos o todo.

  • bergson sarmento

    seus comentário são sempre de extrema reflexão , parabéns …. porém seus cometários as vezes por leigos sem fundamento no caso : em definir o advogado como “safado” ora um profissional diga-se de passagem um bom criminalista DRº FRANCISCO SALES . RESPEITO É BOM E NÓS TODOS MERECEMOS

  • João Neves

    A idade não o está deixando mais sábio,mas preconceituoso. Tenho netos em escola que você chama “moderna” e eles são estudiosos,solidários,conscientes,religiosos,gostam de esporte,ler,boa música etc. A escola importa pouco se a família é forte.Não o contrário.

  • João

    Desde quando tentar ser um excelente profissional exclui a possibilidade de ser também um grande cidadão? Não é melhor um profissional “mediano” sensível às coisas do mundo.É melhor um ótimo profissional com essa mesma sensibilidade.Chega de culto à mediocridade.

  • M Almeida

    Na verdade, todo mundo evita discutir o óbvio: a corrupção é o nosso maior problema. Quem tem interesse em discutir? As redes de tv, emissoras de rádio e jornais, em fim, a mídia é beneficiada por ela! Precisamos da pena capital, mas, primeiro aplicá-la nos casos de corrupção.

  • M Almeida

    A família desse vagabundo deveria, no mínimo, ser detida e prestar esclarecimentos. Saiu na mídia que o pai dele certa vez deu um carro de presente a ele. Sabem o que ele fez? Um assalto! Ninguém notava nada de estranho no comportamento dele?

  • rodrigo

    Acho q vc poderia ter ampliado um pouco mais a visão. Poderia ter feito um pararelo, por exemplo, entre os taturânicos (leia-se: corrupção x ausência de políticas públicas) e o assissinato da dona Floraci. No mais, meus encômios.

  • Paulo Chancey

    Como sempre, brilhante abordagem. Seu texto é o grito que precisa ecoar na sociedade, para que as pessoas não precisem ter um ente querido sinistrado para deflagrarem campanha contra a violência. É preciso se fazer algo preventivamente. A violência iminente nos espreita a todos!

  • V SILVA

    Brilhante seu artigo, mas inoportuno do ponto de vista social, em se tratando de um criminoso da chamada “elite”.Deveria ter sido escrito qdo fosse da periferia, que por falta de oportunidades sao levados (as vezes até empurrados) para o crime. Qdo é da elite é doente, qdo é pobre é marginal

  • Joaquim

    1.Será que existe lugar tranqüilo nesse País onde se possa viver sem o medo da violência? 2.Quando o governo vai olhar de frente para esse problema chamado violência? 3.Será preciso voltar a ditadura para o governo tomar conta da situação? 4.Será que pena de morte é a solução?

  • JORGE H DE O SANTOS

    EXCELENTE ARTIGO! ME FEZ LEMBRAR O DISCURSO DO TENENTE-CORONEL FRANK SLADE (AL PACINO), EM DEFESA DO JOVEM CHARLIE SIMMS (CRIS O’DONNELL), NO FILME PERFUME DE MULHER! PARABÉNS!!

  • francisco

    Eu só tenho certeza de uma coisa, quem mata criança, idosos tem vida curta na cadeia.

  • Marcos Paredes

    O que se pode esperar de uma sociedade normopata (normose), o modus operandi de roubar,matar, corromper, lesar os cofres públicos, prostituir-se por emprego, está sedimentado na mente dos 3 poderes. Conheça a verdade e ela o libertará. Eu já conheço e não espero nada de bom de canalhas.

  • joão carlos uchoa

    A questão meu caro Ricardo Mota é uma só: Falta de Educação doméstica. A grande maioria dos colegas pais de família se consideram liberais. É no que dá. Pais liberais, filhos rebeldes, ops. bandidos, com raríssimas exceções.

  • Marcos Paredes

    Dona floraci, a senhora que está junto de jesus, pode contemplar em todas as dimensões, com sabedoria esta Alagoas que ceifou sue vida, nesta idade tão bela. Mas te peço, em uma preçe, que interceda junto ao Pai, para que os maiores Canalhas (traficantes e políticos) não fiquem impunes.

  • italo

    Todos os dias ando na orla e o que se vê: Guardas municipais que nada fazem juntamente com a equipe da SMTT. Podam as árvores, molham o gramado, pintam o meio-fio, mas não impedem as motos e bicicletas no calçadão e a fedentina na 3a. barraca abndonada na pajuçara, uma latrina a céu fechado.

  • AAraujosilva

    Ora, se o facínora Geraldinho é também uma vítima, logo, logo, os Direitos Humanos estarão a protejê-lo. É a regra vigente. É o “direito” de matar, esfolar, roubar coonestado pela banda hipócrita de nossa falida sociedade.

  • Marcos Paredes

    O mundo do crime tem várias facetas e as autoridades comprometidas com o combate, qundo hierarquicamente não são respaldadas, as mesmas se tornam vítimas dos capos, e… o tempo esquece.

  • Hernolita Lucia Souza Bittencourt

    Gostei da repotagem e digo aos pais dos filhos do futuro:CRIEM SEUS FILHOS COM RELIOGIDADE,CONHECEN DO O QUE DEUS QUER DE NOS E CUMPRINDO ESTES DESE JOS. AMEM A DEUS, A SI PROPRIO ASSIM AMANDO O PRO XIMO.Ass. uma leiga

  • Fátima Ramos

    Infelizmente se as “autoridades” ñ acordarem para realidade, será disso a pior.falta atenção e ação.é preciso trabalhar com prevenção nas comunidades e escolas, antes q + crianças e jovens entrem tb nesse caminho.DROGAS.humanismo e políticas públicas JÁ!!quando quer se faz.

  • Prof Yuri Brandão

    Em certa visita feita ao sistema prisional, um preso me revelou que amava a coletividade sim, mas que sentia ódio por algumas pessoas em particular; por isso, cometera o crime. Imediatamente, lembrei-me de Nelson Rodrigues: “Amar a humanidade é fácil. Difícil é amar o próximo.”. (Cont.)

  • Prof Yuri Brandão

    Um pouquinho de amor ao próximo já evitaria muitos problemas sociais. Entenda-se por amor (latu sensu): respeito às diferenças, atenção, um “obrigado”, um sorriso etc. Isso não inviabiliza in totum, claro, outras medidas preventivas e repressivas. Mas ajuda, e como…

  • aranda

    autoridades, policia, politica, escolas, igrejas, muito bem são responsaveis por isto q acontece na sociedade, vcs são PHD em discutir assunto quando se trata de se DESCULPAR e EMPURRAR A CULPA os outros, pois bem, vamos lá

  • aranda

    O senhor JESUS disse FELIZ AQUELE Q DÁ A VIDA PELO PROPRIO AMIGO, então como a CULPA é dasAUTORIDADES se pais e avos diz, olha a gente nem pode tocar nos “meninos” senão vai PRESO,ora SE NÃO TENS CORAGEM DE IR “PRESO POR TOCAR NOS “MENINOS” é claro q quem vai educa-los é SATÁNAS.

  • Fátima Ramos

    Acho q vc Aranda ñ entendeu!! os políticos são “escolhidos” p/ desempeharem papeis. A constituição DIZ:q temos “DIREITO” a SAÚDE,EDUCAÇÃO,MORADIA e tb LAZER. e o q estamos falando é D saúde.Sei q todos tem que fazer sua parte. E eles o que foram “escolhidos” p/ fazer.

  • Diogo Marinho

    Conto com você,Ricardo,nessa mais recente crueldade cometida por mais uma vítima do mundo das drogas.Sei que fará,como sempre faz,o bom uso de suas palavras para lutar pelos cidadãos de bem,como diz o pupular.No mais,aguardamos que justiça seja feita.