Foi uma decisão lógica, a do juiz Geraldo Amorim, da 9ª Vara Criminal da Capital. Ele determinou o trancamento da ação penal que tinha como réu o servidor da Secretaria da Fazenda, Arnaldo Persiano. Põe um ponto final a uma história que revela muito mais do que uma trapalhada policial- mostra como se pode construir uma versão verossímil até, para um crime hediondo, desde que isso interesse àqueles que por aqui detêm o poder.

O caso? O assassinato do fiscal de tributos Silvio Viana, coordenador de arrecadação da Secretaria da Fazenda.Um cidadão pacato, sem inimigos pessoais, que talvez tenha ido além do era então permitido aos que ocupavam postos na administração pública. E foi no dia do servidor público, 28 de outubro do ano de 1996, que Silvio foi alvejado pelas costas e de campana, como bem sabe fazê-lo quem tem a pistolagem como profissão – sem dar chance à vítima e, se possível, sem deixar pistas.

Crime de grande repercussão, teve como primeiro responsável pela investigação o delegado Flávio Saraiva, tido como o de melhor preparo profissional, para elucidar o caso. Com o tempo, veio a se comprovar que ali tinha início mais uma farsa na história de Alagoas. As apurações iniciais apontavam para "o homem do bigode", como era conhecido o tenente-coronel Manoel Cavalcante –  alta patente, já, da criminalidade em Alagoas.

Os indícios diziam muito claramente: fosse quem tivesse sido o mandante, o financiador da trama macabra, o crime havia passado pelas mãos e/ou ordem do depois alcunhado "chefe da gangue fardada" – homem de Palácio e de amigos ricos-poderosos.  Qual não foi a surpresa, veio a ser ele, o mesmo Cavalcante, o responsável pelo "esclarecimento" do homicídio. Apresentou ao públicos aqueles a quem apontava como os assassinos de Silvio Viana: os servidores da Fazenda Arnaldo Perciano e Célio Viana, mais o soldado PM Sandro Guimarães, mais Ebson Vasconcelos – o Êto -, nome já conhecido no submundo do crime. Estava "desvendado" o mistério: não havia na mira da lei nenhum graduado da PM, nem deputado, nem empresário – todas as pistas anteriorers foram apagadas.

Enquanto se dava o embate processual, uma nova investigação apontou para Cavalcante, Gabirbalde Alves, Fernando Fidélis e Silva Filho como os algozes de Silvio – meu vizinho de infância, meu colega de colégio, no "ginásio". Todos foram a julgamento e condenados, mas restava, ainda, do ponto de vista formal, um outro inquérito policial em que Perciano os demais indiciados eram apontados como os assassinos.

O Juiz Geraldo Amorim, que presidiu o Tribunal do Júri em todos os casos de condenção pelo assassinato de Silvio Viana, não poderia agir diferentemente, até por coerência: determinou o trancamento da ação contra Perciano, considerando a perda do interesse da Justiça na acusação feita a ele na primeira versão policial.

Caberá agora aos historiadores – ou a quem como tal vier a agir – irem além. Foram julgados e condenados, até agora, aqueles a quem a Justiça entendeu serem os executores do crime de pistolagem. Restará sempre a pergunta: quem pagou o dedo que apertou o gatilho? Que carreguemos esta indagação entre as nossas vergonhas históricas.

 

 

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  • Torres

    É uma inversão de valores e atitude.Enquanto a população alagoana não tem segurança adequada por falta de contigente policial- o acusado de ser o mandante da morte de Sívio Viana ” símbolo do func.público” é agraciado pelo estado.Sendo posto a sua disposição policiais militares.

  • justo

    Qual o castogo para os Delegados que participaram da farça? MP, com a palavra.

  • M Almeida

    Silvio Viana e Ceci Cunha: duas vidas dignas sacrificadas por uma máquina de corrupção e crimes ainda ativa em alagoas. Nosso estado não tem jeito, os três poderes, aqui, estão podres. Alguém duvida que tem mandante desses crimes em algum dos poderes?

  • Martin Luther King

    Ricardo, quem pagou o dedo que apertou o gatilho?! todos sabem, inclusive, não faz muito tempo, ele foi homenageado no plenáro do Tribunal de Justiça. É na omissão das autoridades que nasce a vingança privada. O que resta para a família? O crime, para o velho usineiro, já prescreveu.

  • Rubens

    Incriminar êsse rapaz, foi uma tentativa macabra de forjar um culpado,e assim desviar a atenção do público e da família dos verdadeiros culpados.

  • Alexandre

    Está aí o que eu chamo de sistema.

  • Torres

    O pior e que a justiça continua uovindo o que esse bandido chamado cavalnti fala.

  • Torres

    Alagoas é terra encantada dos desencantados: Com a políticagem; Impunidade; Prevaricação das instituições públicas na elucidação de crimes; Com as instituições públicas…,etc. Deveriam também investigar o mensalinho.Esqueceram!!!???

  • Gustavo

    Mudando de assunto, cadê o JL!