Caro Ricardo! Veja só o que me ‘aprontou’, por conta de sua verve singular(‘verve’, dos idos do ‘catafalco’): diluí-me entre ‘frouxos de risos’ e forte emoção. As generosas referências com que me presenteou no comentário  do ‘blog’,neste domingo, 28, bem assim as gratificantes considerações de seus leitores, uns, amigos e companheiros de longa data, outros, sobre os quais a memória sexagenária me trai, ensejam a este velho ‘agitador das massas’ o contraponto da frustração. Depois de passagem pela TV  Alagoas e Rádio Gazeta-AM, concomitante com o Cesec do Banco do Brasil,  botei a boca no trombone a partir das ‘Diretas-Já’, mobilizações sindicais e movimento popular, sem veleidades de salvador da pátria. Éramos, os da linha-de-frente e os periféricos, estes tão decisivos quanto aqueles,  pretensos ‘construtores do novo tempo’. Passadas estas últimas décadas, Alagoas se vê a braços com novos ‘atores’ de uma ‘ópera-bufa’ que nos degrada e consome. Sinto, nas entrelinhas do anexo de comentários ao texto com que me distinguiu, indignada angústia de nossos ‘concidadãos'(com naftalina, ‘please’,  para preservar a dinossáurica expressão imemorial).  Pesa-me que o discurso arrebatador daqueles tempos pouco ou nada produziu para neutralizar notórios malefícios, hoje multiplicados por mil e sem controle. Divagávamos, àquela época, em lucubrações ‘dialéticas’ e acabamos por nos atolar no lodaçal ‘metafísico’ de nossa própria inconsistência. As camadas sofridas e deslustradas da população continuam como antes, apesar de infestarem Maceió e o interior com  ‘faculdades’ para todos os gostos, sob o freio de uma economia escravocrata e retrógrada. Resultado: mesmo de canudo à mão, as novas gerações são induzidas ao cacoete das antigas: o folclórico cabide do emprego público, na massa falida estadual ou municipal. Uma ‘assessoria’ aqui, outra acolá, com salários via-de-regra atrasados, e vamos que vamos!  Nas entrelinhas desse ‘samba-do-crioulo-doido’,  cada qual se vira como pode(ou não pode), permeável a ‘jeitinhos’ bem brasileiros que levam à corrupção e outros descaminhos.  Ainda assim, creia-me sofrer à distância, impotente, embora aqui envolvido em  tantas lutas similares, porque não cabe a nenhum de nós jogar a toalha, certos de que poderemos virar o jogo no último instante da prorrogação. Apesar do pântano fétido  em que aí se meteram, até o pescoço, algumas de nossas mais caras instituições públicas, continuo confiando no amanhã. Ainda que fiquemos pela estrada, nossos filhos e netos verão a ansiada luz rasgando a escuridão, no fim do túnel. Por enquanto, para não perder o hábito, vamos batendo, que ‘eles'(delinqüentes de variadas linhagens) um dia quebram. Quem viver, verá. Um abraço, com admiração. O Antônio Manoel Góes – Rio de Janeiro.

 

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  • Paulo Antonio Branco

    Antonio Manuel e Ricardo, diante de tantas surpresas e disparates só uma coisa não podemos fazer: ESMORECER JAMAIS!!!! Continuemos a bater que um dia eles se quebram……………pois é através da mudança de cultura (aos poucos, eu sei..) e com atitude é que conseguiremos alguns bons frutos.

  • Gerd Nilton Baggenstoss Gomes

    Manoel,esperamos q esta frase não se repita daqui a ums anos quando estivermos relembrando o q Alagoas passa neste momento..” discurso arrebatador daqueles tempos pouco ou nada produziu para neutralizar notórios malefícios, hoje multiplicados por mil e sem controle”

  • Fernando Amorim

    Caro Ricardo, não conheço ANTÔNIO MANOEL GÓES, passei a conhecê-lo através desse PRESENTE que você Ricardo (sem egoísmo) nos deu. Texto digno de um GRANDE escritor. Acho até que se Machado de Assis, Graciliano Ramos e Rui Barbosa fossem vivos, tirariam o chapéu para esse anônimo.

  • Geraldo de Majella

    Ricardo, o Antonio Manoel de Goes é um dos lutadores que ajudou a ampliar os horizontes da esquerda em Alagoas. Você através do seu texto lembrou essa bela figura que, agora, mora no Rio de Janeiro estou certo que seu coração bate por Penedo e por Alagoas e do lado esquerdo. Geraldo de Majella

  • JORGE H DE O SANTOS

    DE PARABÉNS ANTONIO GÓES E DE PARABÉNS RICARDO MOTA. ELE VIU SUA MISSIVA, RICARDO. LEMBROU. RECORDOU. E RESPONDEU. É ASSIM QUE OS VERDADEIROS AMIGOS DEVER SER TRATADOS! A DISTÂNCIA NÃO SEPARA AS VERDADEIRAS AMIZADES! APROVEITO PARA LHE PARABENIZAR PELO BLOG! SOU LEITOR ASSÍDUO! PARABÉNS!

  • Petrucio Manoel Correia de Cerqueira

    UM TEXTO DESTE, SÓ PODERIA NASCER DE UMA PESSOA DA ESTIRPE DO ANTONIO MANOEL!

  • Bel

    “Por enquanto, para não perder o hábito, vamos batendo, que ‘eles'(delinqüentes de variadas linhagens) um dia quebram.” Com o olhar no futuro vamos lembrar ao povo das Alagoas que ele precisa se posicionar em favor do futuro de nossa gente. “eles um dia quebram” com seu voto!

  • Dakson Pereira

    Antonio Monoel é daqueles que sempre deixam sua marca por onde passam, e sempre uma marca forte e inabalável. Alagoas deve muito a ele. Tenho a honra de ser colega de trabalho do AM. Vi e participei de várias de suas lutas cívicas. Saiba AM, hoje, em Alagoas, estamos lavando a alma.

  • antonio pereira

    Após décadas de combate, Antonio Manoel (“companheiros bancários”) continua com a mesma esperança do início da sua trajetória. Exemplo como o dele nos faz continuar fazendo a nossa parte. Viva o povo brasileiro.

  • Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

    Esse é o Antônio Manoel que conheci em 1990 quando fui trabalhar com ele, no Sindicato dos Bancários, no departamento de Comunicação. Apesar do tempo continua o mesmo, sempre combativo e de luta.

  • Marcos Tchôla

    Caro Ricardo, foi bom vc ter trazido novamente o Antônio Manoel para nós. Em 1992, ainda estudante, me emocionava com o texto lido por ele chamando a todos para pedirem o impeachment de Collor. Ao som de “Alegria,Alegria- Caetano Veloso” pintamos a cara e vencemos. Antônio vc faz falta!

  • sidney wanderley

    Meu colega no Banco do Brasil e incansável militante das causas populares, bateu-me um misto (quente) de alegria e saudade perceber o “velho” Antonio Manoel com a mesma verve, indignação e combatividade de vinte anos atrás. Estamos esperando você para uma cervejada na Massagueira, irmão.

  • André Holanda

    O “grande” Antonio Manoel tá fazendo falta em Alagoas, principalmente no momento histórico ora vivenciado pelo Estado. Um abraço!

  • lucila tenório

    “AM” assim o chamávamos no sindicato dos bancários onde tive a honra de fazer parte da diretoria na mesma época de Antonio Manoel e mesmo com tantas lutas externas e, principalmente, internas, esse ser humano, que eu tanto admiro, portou-se sempre como um cavalheiro.

  • maoel

    Companheiros do Banco do Brasil !!! Ainda hoje sentimos o seu chamado. Pena que o sindicato dos Bancários não é o mesmo. Mas Antonio Manoel será sempre bem lembrado. Valeu Ricardo Mota