A mudança no futebol acabou com o camisa 10? – Blog do Marlon
CSA jogou uma final e conquistou seu objetivo
Sem jogo coletivo, CRB vence na entrega e na individualidade

Quem acompanha o futebol acostumou-se a ver um jogador diferente, com mais habilidade, com visão de jogo, com um toque refinado. Ele era o jogador que pensava o jogo, que fazia o time andar, ele era o ‘fora de série’, ele era o camisa 10.

Este jogador era simplesmente o meia e foi imortalizado com jogadores clássicos e completamente diferentes. Pelé, Zico, Gérson, Rivelino, Platini, Maradona são alguns dos grandes camisas 10 que assistimos com estas características, que ouvimos falar ou que ainda conseguimos ver a sua arte. Na nossa realidade posso citar dois nomes: Romel no CSA e Márcio Ribeiro no CRB.

Mas o futebol mudou. Com a mudança do futebol, o camisa 10, clássico, tradicional, talentoso, sumiu, ele não existe mais.

Na atualidade, o meia ganhou sobrenome. Ele é um meia-atacante ou um meia –armador – que se aproxima um pouco mais do antigo meia. Nos dias atuais, os meias precisam ser dinâmicos, ter comprometimento tático, fechar espaços e recompor na marcação. As características deste jogador clássico foram violentadas. A mudança foi tão significativa que nas divisões de base, a robotização do futebol, a troca do talento, da individualidade, da improvisação deram lugar a obediência tática, ao jogo coletivo. O meia clássico sumiu, nem ‘fabricado’ está sendo mais. Neymar e Messi também podem ser colocados neste hall.

Os ‘novos meias’ são atacantes ou aqueles que ainda tem um talento diferente estão sendo recuados e fazendo funções de um segundo volante.

Poderíamos mostrar para aqueles que nos acompanham qual o grande meia em atividade hoje no Brasil. A primeira resposta está na ponta da língua: Diego, que joga no Flamengo. Ele é talentoso, desequilibra, mas sua principal característica é a dinâmica. Quem vê futebol já coloca ‘dinâmica’ como a grande qualidade para contratar o novo meia. João Feijó já falava sobre a importância da dinâmica para esta posição e para este jogador.

Em Alagoas, apenas o CSA tem um meia em extinção. Daniel Costa é um jogador talentoso, que faz o time jogar, que pensa o jogo, mas que tem pouca dinâmica. No CRB, por exemplo, o camisa 10 é o Chico. Não é um jogador clássico, não é um meia que pensa o time. É um meia atacante, que inclusive recompõe. Mesmo o Elvis não é um meia clássico é também um meia atacante.

O assunto gera grandes discussões entre amantes e apaixonados pelo futebol. Para apimentar esta discussão ouvi três jornalistas, comentaristas e apaixonados por futebol sobre o assunto: Paulo Vinicius Coelho (PVC), Alberto Oliveira e Wyderlan Araújo.

 

PVC – Comentarista esportivo no canal Fox Sport

Eu acho que sempre teve dois tipos de camisa 10. Um que é o Ganso, Zidane e Gérson que é cara de amarração, outro que é ponta de lança, que é o homem de encostar no atacante, que o Pelé, que é o Zico. São dois tipos de camisa 10.  Hoje em dia se fala muito de extinção do armador, o jogo está dinâmico de fato, mas se você tiver um cara que tenha dinamismo para fazer isso, é o caso do Neymar, que joga como 10, encosta no ataque, faz a ligação e a bola passa por ele. Ele é menos ponta de lança que o Zico, mas também não é um Ganso, nem um Gérson.  O ponta de lança é o segundo atacante. Se não tiver intensidade, não joga. De certa forma, o Flamengo de Zico já era assim.  Porque  o 10 era o ponta de lança. E quem era o 10 no Flamengo do Júnior e Zinho em 1992? Era o Júnior, que era 5. Essa é uma questão relativamente antiga. O Palmeiras de Luxemburgo, o 10 era ponta de lança é o 11 Zinho, fazia o papel de 10. Mas não era o clássico, Estamos falando de 25 anos atrás. Diego Souza é um segundo atacante. Mas é uma opinião não é uma verdade absoluta.

 

ALBERTO OLIVEIRA – Jornalista esportivo no Jornal Gazeta, Editor Geral do portal esportealagoano e comentarista na Rádio Correio/CBN

“Quem viu, viu. Quem não viu, não verá mais. O futebol mudou, perdeu a característica de ter um jogador com menos participação do jogo, mesmo tendo mais poder de decisão. Hoje o aspecto físico e o esquema tático estão se sobrepondo a qualidade técnica de outros atletas. Normalmente, o atacante referência já é um jogador de menos mobilidade e se você tiver outro jogador sem dinâmica, com menos movimentação, o time será engolido pela maioria dos adversários. O tempo do camisa 10 clássico já passou. A dinâmica do futebol exige um jogador com dinâmica, que entenda e execute funções diferentes. O camisa 10 tradicional foi extinto até mesmo nos trabalhos de formação de jogadores, nas divisões de base e não vejo nenhum tipo de movimento para que eles sejam reinseridos, principalmente, nos trabalhos de base, na formação de atletas.

 

WYDERLAN ARAÚJO – Estudante de Jornalismo, comentarista esportivo na Rádio Gazeta e apresentador na TV Mar

O futebol brasileiro que sempre buscou aquele camisa 10 a moda antiga, que era aquele jogador que quando a bola chegava nele ele sabia ter um boa passe, sabia ter a visão de jogo, ás decidia na bola parada, mas tinha um ritmo muito lento. Temos alguns exemplos aqui em Alagoas. Marcos Antonio é mais aproveitado que Daniel Costa, que Francisco Alex, o CRB que tem o Elvis, que ainda não conseguiu ser decisivo nesta Série B. O futebol hoje começou a se reinventar neste sentido devido à escassez deste tipo de jogador.  O camisa 10 foi perdendo espaço, até no Vasco Nenê perdeu espaço , foi sacado da equipe, e passou a jogar diferente, aprendendo a marcar, recompor para se adaptar ao modelo do técnico Milton Mendes. Hoje o futebol exige dinâmica em vários setores do campo.

 

E você amigo internauta? O que acha? Opine. Discuta. Debata conosco.

  • Carlos alberto (calberto)

    Perfeito sua analise meu amigo, é por ai !

  • Luiz Pires

    Prezado amigo Marlon há poucos dias ouvi numa entrevista do Técnico Net da Mata do CSA que o futebol ficou ruim, trocaram a técnica a individilidade dos “craques” pela força física e pela tática fazendo com que qualquer um que tenha um bom condicionamento físico é uma boa disciplina tática se sobreponha sobre o bom jogador, o craque.achei perfeita a definição.
    Quanto a “mudança ” no futebol que só meu ver foi para pior deve-se aos esquemas táticos que priorizam e são montados para tirarem a essência do futebol que é o GOL.
    Porque não esquemas táticos que permitam aos vencedores serem aqueles que façam mais gols nas partidas e não os que tomam menos gols.
    Um jogo de 5 x 4 valem os mesmos 3 pontos de um sofrido 1 x 0, entretanto as emoções de 5×4 são outras para todos, torcida, imprensa e jogadores.
    Um exemplo nosso o CRB do Mazolla fazia gols e tomava gols, só que fazia mais do que tomava e por pouco não chega a série A, o CRB do Léo Condé não fazia ou fazia pouco e tomava mais do que fazia, resultado, zona de rebaixamento.
    Portanto está na hora de defendermos o futebol de muitos gols inclusive com pontos bônus para estimular as equipes que assim procedam.
    Grande abraço.

  • Carlão

    A pura realidade do futebol foram muito felizes nas declarações.

  • Jr. Malafaia

    Discordo. Não foi o estado atual do futebol (novas táticas e esquemas) que fez o camisa 10 sumir.
    Simplesmente não surgiu nos últimos 10 anos, em parte alguma do mundo, um jogador que preste pra essa função

  • Zito

    Meus Parabéns ! Que excelente artigo , prof Jose Mário compartilhou e me despertou a curiosidade. Fantástica discussão e com opiniões de relevante conteúdo .

  • ivo

    Não somente o camisa 10, mais também 0 camisa 7, daqueles que iam a linha de fundo e cruzava na cabeça do atacante para fazer o gol. Quem não lembra Roberval Davino, Mané Carangueijo, Enio Oliveira e tantos outros, tempos do futebol alegre, onde torcer tinha um fundamento. Lembro de um meia chamado Djair, jogava muita bola,Gilmar,o cavaleiro negro, outro camisa 10 dos bons,e o que dizer de Peu, muito pouco lembrado, mas que jogava demais, Ney Conceição, o melhor que vi jogar no nosso futebol. Na realidade, nós procuramos imitar e muitas vezes para pior. Em 1974 surgiu uma seleção jogando um futebol diferente, futebol competição(holanda o carrocel)mais tinha um jogador chamado Cruijff, o diferencial do time. LOgo começamos a imita-los, e quem imitava esquecia que aquele futebol praticado pela holanda tinha um 10 que desequilibrava. Para nós sobrou esse futebol insosso, sem tecnica. Acabaram primeiro o 7, e por fim o 10, e agora é um bando, isso respeitando as devidas proporções lógico, quem pode arma um time com os melhores,mais nem sempre é o campeão, como aconteceu com a laranja mecânica, que naquele época perdeu para o futebol tradicional da Alemanha, aquele praticado em qualquer campo da época, na nossa terrinha.

  • CARLOS FRANCISCO DE FARIAS

    Muito bem,o camisa 10 que vi jogar no futebol alagoano nos anos 70 com muita categoria chamava-se Luis Carlos.O cara jogava muito.Colocava a bola onde queria,era um craque,um maestro com a bola nos pés.

  • Diogo Castro

    Parabéns Marlon !
    ótimo tema trazido por você, por isso que cada dia mais estamos vendo jogadores como Mateus Gaudezane, Paulinho, Weverton Heleno entre outros vontantes chegando na cara do gol se se tornando protagonistas das partidas nos dias atuais…

  • Aldair Vicente da Silva

    Desde de 2016 venho falando que o 9 e 10 acabaram só existem o número, mas o que fico bobo é ler e escutar parte da Imprensa antiga ainda insistindo e inflamando a torcida que o clube tem de contratar um 9 e um 10, isso é voltarmos no tempo e viver do passado. Hoje são 10 jogadores de linha, marcando muito, armando, ligando, atacando e fazendo gols, os objetivos quase o mesmo, ou seja, querendo ou não ou aceitamos ou ficamos pra trás, voltar ao passado só ouvindo às grandes músicas, que chamamos de hinos, mas o futebol mudou e muito.

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