Segundo algumas pesquisas os seres humanos são programados para procrastinar

Mais um ano se passou e com ele muitas promessas, algumas realizadas e muitas outras recolocadas na lista de prioridades para 2018. Um novo ciclo se inicia e com ele folhas em branco, ansiosas para serem preenchidas e coloridas pelo melhor senso de criatividade e inovação. É nesta fase que desejamos realizar novos projetos, criar novas possibilidades e nos permitir a viver novas experiências, mas com o passar do tempo vamos deixando algumas ações para o amanhã e assim nossos propósitos vão se esvaindo, chamamos isso de procrastinação.

Se você é daqueles que negocia mais 10 minutinhos com o despertador ou sempre acha que vai dar tempo de entregar os relatórios as véspera da reunião, sim, essa conversa é com você e por favor, não deixe para ler depois. Em 2014 foi publicado um estudo intitulado “Genetic Relations Among Procrastination, Impulsivity, and Goal-Management Ability Implications for the Evolutionary Origin of Procrastination”, que constatou que a procrastinação pertence ao nosso DNA e vem sendo aprimorada ao longo dos anos.

Quando nos transportamos para época das cavernas podemos compreender que o homem primitivo não se preocupava com previdência privada, investimento na bolsa de valores ou financiamento de uma nova casa. Seu maior objetivo era saciar suas necessidades básicas que estavam diretamente ligadas a sobrevivência de sua geração. Eis que com a evolução natural da raça humana desenvolvemos o instinto de reagir a estímulos imediatos, desfocando nossa atenção. Concentrar-se por muito tempo em determinadas atividades virou um desafio na atualidade, hoje o urgente supera o importante.

Quando nos permitimos a procrastinação deixamos de cumprir prazos, obrigações e acabamos decepcionando alguém ao nosso redor, além de perdermos credibilidade e possíveis oportunidades. Essa análise serve para vida conjugal, convívio social e carreira profissional, pilares esses de grande importância na sustentação de uma vida bem sucedida. O procrastinar sempre vem acompanhado do fator estresse em detrimento da sensação de culpa inconsciente, sem falar na perda da produtividade e potencialização do constrangimento diante do ciclo social.

O professor de comportamento organizacional da Universidade de Calgary, no Canadá, o Dr. Piers Steel, produziu um estudo sobre a natureza da procrastinação e em seus escritos ele fala sobre os quatro pilares que se apresentam sempre quando deixamos algo para depois.

Atividades de valor baixo: sempre quando percebemos alguma atividade como chata, desconfortável ou pouco importante para nossos objetivos de vida, tendemos a deixa-la para depois.

Perfil do procrastinador: a personalidade é um fator esclarecedor no entendimento deste processo. Nossa genética associada ao ambiente em que vivemos é uma equação precisa que definirá nosso grau de procrastinação. Isso nos revela que algumas pessoas podem procrastinar mais do que outras.

Percepção da dificuldade: só de imaginar que uma atividade será difícil a gente deixa ela para o fim da lista de prioridades, que por algum motivo desconhecido, ela passa para o dia seguinte, e seguinte e seguinte…

Receio em falar: um dos pilares mais resistentes que se apresentam na procrastinação é o medo de errar. Possuímos muitos projetos, ideias grandiosas e sacadas únicas, mas quando se pensa em colocar elas em prática, eis que o medo, muitas vezes inconsciente se apresenta maior do que nossa vontade de fazer acontecer, o que nos faz adiar tal execução.

Aprenda como reduzir a procrastinação

Mindfulness: a consciência plena nos ajuda a nos manter conectados com a atividade que precisa ser feita, realizando-a o quanto antes. Permitindo assim, que nossa mente entenda que é fácil prosseguir.

Estabeleça passos controláveis e claros: Quando não estabelecemos metas concretas e alcançáveis tendemos a adiar nossas atividades. Proponha-se a comer frutas em vez de fazer promessas que esse ano “eu vou ser fitness”. Experimente pesquisar sobre as profissões do futuro, talvez o ajude na meta de fazer uma nova graduação.

Respeite seu funcionamento mental: Evite castigar-se por procrastinar, quanto mais ansiedade, estresse e raiva sentir por isso, mais distante estará da sua boa forma e possível redefinição profissional.

Ancore-se em seus bons hábitos: Aproveite as atividades que você já desempenha com tranquilidade e as use para comprometer-se com novas metas, quando perceber seu índice de procrastinação terá diminuído.

Imagine-se no amanhã: Como será sua vida daqui a 30 anos? Esse projeção simples o ajudará a agir hoje, seja comendo com mais qualidade, andando mais um quarteirão ou poupando mais dinheiro para um conforto futuro.

Portanto entenda a real diferença entre urgente e importante, isso tornará seu dia muito mais leve e interessante. Encontre uma agenda que lhe proporciona uma visão holística sobre seu dia e conquiste a satisfação de entregar um trabalho com antecedência, exprimindo sua proatividade e excelência. Ah e não se esqueça, se a tarefa realmente não for prazerosa intercale ela com alguma coisa que lhe traga prazer.

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