Obra do Museu Malba – Buenos Aires

Ao longo do nosso desenvolvimento vamos construindo nossos vínculos com as pessoas e com tudo ao nosso redor. Tais experiências com nossos cuidadores vão definir a qualidade dos nossos vínculos no futuro. Por vezes nos sentimentos mais apegados a algumas pessoas do que outras, mas também conhecemos alguns amigos que não podem conhecer ninguém que logo se apegam a presença do novo contado. Ah e não podemos esquecer daqueles que não conseguem dividir suas canetas, perfumes e até mesmo um pedaço da barrinha de cereal, por serem tão apegadas as coisas que conquistaram ou ganharam.

Também existe o grupo de pessoas que conseguem apegar-se fortemente a lembranças, sentimentos e experiências negativas que não fazem mais sentido hoje. O passado teve sua contribuição e não voltará mais, assim como não nos permite regressar e modificar o que aconteceu, o que talvez isso seja uma verdadeira sorte para a humanidade. Já imaginou se pudéssemos voltar atrás e modificar as coisas das quais nos arrependemos ou não gostamos? Mas o preço seria alto, perderíamos tudo o que conquistamos, inclusive a maturidade emocional e as experiências adquiridas. Cabe a cada um o peso da escolha e suas consequências. 

Quando falo em passado desejo lhe inspirar a viver o presente, que como o nome já diz, é um verdadeiro presente e só pode ser vivido hoje. Mas tendemos a ficar apegados ao passado ou a um futuro que pode ser que nunca chegue. O apego a lembranças seja ela de momentos especiais com pessoas ou experiências inesquecíveis que vivemos, precisa ser equilibrado, pois não devemos nos privar de viver algo novo por não conseguirmos nos desprender do que passou. Quando não exercitamos o desapegar acabamos que não vivemos o ontem, nem o hoje e consequentemente o futuro não terá espaço.

A compreensão deve se dar no senso de existência de cada experiência, elas existiram por uma razão e propósito, que como tudo nesta vida possui uma validade. Então busque entender que a vida é hoje e não importa por quanto tempo possamos permanecer apegados, em algum momento da nossa vida precisaremos nos livrar de alguns pesos da nossa bagagem para que nosso caminho na estrada da vida possa ser mais leve. 

Outro exemplo é quando nos apegamos as pessoas, ao jeito, ao humor, ao cheiro, a voz, a leveza e ao estilo de conduzir a vida. Esse apego se apresenta em relacionamentos interpessoais, afetivos ou profissionais, mas um comportamento interessante que aparece em cada um destes âmbitos é que o sujeito apegado deseja o motivo de sua admiração apenas para ele, sem dividir com mais ninguém. É nesta fase que o ciúme começa, junto com a chegada da intolerâncias e expectativas ilusórias, momento este que exige moderação e limites, pois devemos entender que não podemos, nem devemos, colocar nossos afetos dentro de caixinhas.     

Portanto a reflexão necessária precisa conceber nosso tempo presente, onde temos o privilégio de acolhe-lo ou de simplesmente deixa-lo passar sem ser notado. Os apegos possuem sua importância ao longo da nossa construção de personalidade e carácter, nos ajudando a compreender o mundo e nos ajustarmos a ele, mas nunca devemos nos esquecer que a escolha do que apegar-se é nossa, onde devemos sempre avaliar o que cada escolha trará como consequências e privilégio.

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