Todas as manhãs atravesso a cidade para chegar ao trabalho. O que parece incômodo pelo horário – saio de casa às 5h da manhã – para mim é prazeroso. São 40 minutos de trajeto sem engarrafamento, buzinadas e com a sensação extra de bem-estar pela temperatura amena. O sol ainda desponta no horizonte.

Mas acreditem, há pessoas que já acordam aflitas (se é que dormiram) e têm a capacidade de andar em velocidade exorbitante pelo corredor viário, cortando e assustando quem segue pacificamente.

Não há respeito pelo espaço do outro, há pressa. E muita.

Quando usava transporte coletivo, vivenciei várias freadas bruscas no já incômodo aperto matinal dos ônibus. A impressão é que somos gados e que estamos à mercê da própria sorte, nas mãos de um motorista também estressado pelo tráfego. Alguém precisa ceder.

A impressão é que o trânsito é um sistema orgânico onde cada veículo é um membro diferente e que o corpo formado por eles está doente.  

O estresse diário já é algo que precisamos cuidar para não sobrecarregar a saúde emocional. Exercite a paciência e com ela, quebre a barreira de ódio que algumas pessoas desenvolvem ao tocar o volante.

Seja amável com quem pode estar tendo um dia tão difícil quanto o seu.

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É preciso lembrar que dentro do outro carro segue uma pessoa e que mais à frente há um semáforo, onde você provavelmente irá encontrá-lo, mesmo com toda a pressa do mundo.

Na volta para casa, meio-dia, encaro o sol e a avenida Fernandes Lima, o que já é desafiador. Mas quando me preparo para sair, respiro fundo e tento me colocar no lugar dos outros. Nem sempre consigo, nem sempre há paciência suficiente.

Se tiver de chocar, choque pela empatia.

Seja diferente.  

Nem sempre a culpa é do outro motorista: a ansiedade e um possível atraso podem estar afetando seu comportamento ao volante.

Dica: assista esse desenho da década de 1970 e me diga se mudou alguma coisa nos comentários.

  • Charmyson Diego de Vasconcelos

    É mesmo assim. Trabalho no transporte coletivo de passageiros, e, presencio essa realidade todos os dias. Falta de cortesia , respeito , abuso , cada um que tenha mas presa que o outro , é um tomando o espaço que é do outro. É muito difícil pra quem trabalha diariamente no trânsito brasileiro , precisamos de uma educação de trânsito , não só de leis , mas , de respeito e cultura.