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Eu venho de uma família formada por pessoas especiais. Quatro parentes de núcleos diferentes nasceram com deficiências severas como paralisia cerebral, retardo mental, cadeirantes… enfim: são seres amorosos que carecem de cuidados ao longo de suas vidas e tentamos ajudar como podemos.

“Acho tão lindo quem consegue ser bailarina”, disse uma das minhas primas, que mal consegue caminhar com o auxílio de muletas. Conversávamos sobre sonhos aparentemente impossíveis e ela revelou que sua única frustração era a falta de movimentos para deslizar feito pluma no ar, usando sapatilhas. Bem diferente da realidade que incluiu diversas cirurgias e botas ortopédicas pretas, quase quadradas, que foi obrigada a usar por anos.

Embora na minha família seja algo congênito, me peguei pensando em como tem gente que simplesmente escolhe deixar seus filhos viverem uma vida tão sacrificada por não confiar nas vacinas. Decisão tomada muitas vezes depois de ler uma mensagem falsa, sem o menor embasamento científico.

Fique por dentro

O Calendário Nacional de Vacinação contempla não só as crianças, mas também adolescentes, adultos, idosos, gestantes e povos indígenas. Ao todo, são disponibilizadas 19 vacinas para mais de 20 doenças, cuja proteção inicia ainda nos recém-nascidos, podendo se estender por toda a vida.

Eventuais reações, como febre e dor local, podem ocorrer após a aplicação de uma vacina, mas os benefícios da imunização são muito maiores que os riscos dessas reações temporárias.

É importante saber também que toda vacina licenciada para uso passou antes por diversas fases de avaliação, desde os processos iniciais de desenvolvimento até a produção e a fase final que é a aplicação, garantindo assim sua segurança. Além disso, elas são avaliadas e aprovadas por institutos reguladores muito rígidos e independentes. No Brasil, essa função cabe à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão vinculado ao Ministério da Saúde. 

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O que dizem as autoridades em AL

A Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), informou ao blog que quem opta por não vacinar, deve procurar a Secretaria Municipal do município e assinar um documento onde justifica suas razões e assume os riscos. Em seguida, este documento é enviado ao conselho tutelar da região e também ao Ministério Público Estadual, para que todos fiquem cientes.

Já a Gerência de Imunizações da Secretaria de Saúde de Maceió informou que está elaborando um termo para os pais ou responsáveis que se negarem a vacinar seus filhos. Atualmente, a equipe de vacinação das unidades tenta sensibilizar os pais que apresentam esta conduta e os encaminha para a assistente social da unidade, com o intuito de reverter a situação.

Pais podem responder criminalmente

O coordenador do Núcleo da Infância e Juventude do Ministério Público Estadual (MPE/AL), promotor Ubirajara Ramos, explicou que a saúde da criança é um direito inegociável. “Quando quem deveria cuidar da saúde de seus pequenos coloca a vida deles em risco, é preciso atentar para  o descumprimento da lei de Poder Familiar”, disse em entrevista. “O adulto pode ser multado se a criança adoecer e, se morrer em decorrência da falta de vacinação, ainda responder criminalmente por abandono familiar”, esclareceu o promotor Ramos.

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Convenhamos… vivemos dias em que ouvimos falar de doenças que dizimaram multidões por séculos, graças ao avanço das pesquisas científicas. Vacina não previne doenças, ela salva vidas.

Se você quiser acreditar que a terra é plana mesmo a ciência provando que não, tudo bem, cada um acredita no que quiser. Mas quando sua atitude determinar o futuro de quem ainda não tem o poder de decisão, pense duas vezes.

Para arrependimento não há vacina. Sequer remédio.

  • Felipe M.

    Boa foi este texto. Mas, infelizmente, existem outras situações que impede de vacinar. Eu, por exemplo, ainda não vacinei meu filho de 7 meses porque vive “fungando” e gripando fácil e assim, nem a pediatra e nem as técnicas do posto não liberam para a vacinação. Com tudo isso ficamos apreensivos sem saber o que fazer, já que em breve ele completará 1 ano (em nome de Jesus).
    Gostaria de saber se realmente é proibido vacinar com esses detalhes.