A depressão é considerada o mal do século

Pensei muito antes de iniciar estas linhas, na tentativa de encontrar as palavras que façam os leitores do blog não só refletirem sobre o tema, mas também avaliarem o momento pelo qual estão passando.

Quase que diariamente recebemos na redação do TNH1 relatos de pessoas que tiraram a própria vida e agora com a chegada das redes sociais, além dos relatos também chegam imagens das vítimas.

A pergunta que muitas vezes recebemos é: “Por que vocês não noticiam suicídios?” E a resposta vem dos especialistas. Existem estudos na área da Psiquiatria e da Psicologia que comprovam que o comportamento suicida leva outras pessoas, que também estão precisando de ajuda urgente, a imitar o mesmo ato.

Muitas dessas pessoas estão esperando um gatilho para tomar a mesma atitude. O gatilho não pode partir da imprensa por uma questão que vai além da ética: é de responsabilidade com a vida de quem está consumindo nosso conteúdo. É uma questão de cuidado por entendermos que crianças e adolescentes também têm acesso às nossas matérias. Neste contexto, reforço o perigo de compartilhar a morte de alguém nua e crua em grupos de pessoas que sequer conheciam a vítima. Como se estivessem consumindo a morte, desconsiderando a vida que se foi.

DADOS

A última pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre o tema mostra que em 2016, a cada três segundos, alguém tentou se matar e a cada quarenta segundos uma dessas pessoas conseguiu. Naquele ano, 800 mil pessoas deram fim a própria existência o que levou o suicídio a ser a 18ª causa de morte no mundo. No mesmo ano, no Brasil, 11433 mortes autoinfligidas foram registradas. Em Alagoas, o Hospital Geral do Estado (HGE) atendeu 299 pessoas que tentaram morrer. Ano passado, foram 358 atendimentos.

Ainda segundo a OMS, a faixa etária mais sensível está entre 30 e 59 anos, porém o número de jovens que desistem de viver tem aumentado também. Em 2016, o suicídio foi a segunda maior causa de óbitos entre adolescentes e jovens com idades entre 15 e 29 anos, no mundo (a primeira foi acidentes de trânsito). No Brasil, no mesmo ano, foram 3097 mortes, 281 a mais que em 2010 e 955 a mais que no ano de 2000.

FAMÍLIA

Vivenciei dois suicídios na minha família. O primeiro há muitos anos e outro recentemente, de alguém próximo, de beleza rara e muito comunicativa. Ambos sequer davam sinais de que estavam doentes e que iriam tirar a própria vida.

Com quem fica o lugar vazio à mesa, o silêncio no lugar das gargalhadas, a ausência do abraço e a dor que pais, irmãos e filhos que tentam amenizar a saudade todos os dias? A quem interessa saber – quem realmente se importa – com a perda? Cuidar de quem fica e dar o apoio necessário é mais importante que contar detalhes mórbidos de como aconteceu para pessoas que talvez não tenham saúde mental para absorver.

Pedir ajuda pode salvar vidas

ONDE PEDIR AJUDA?

Se você está precisando de apoio psicológico ou simplesmente de uma conversa aberta e sigilosa sobre um momento difícil que está passando, o Centro de Valorização da Vida (CVV) pode lhe atender de três formas: por telefone (disque 188 e aguarde), chat (bate-papo pela internet) e e-mail.

Você ainda pode buscar atendimento nos postos físicos, em alguns estados do país. Em Maceió, o posto de atendimento fica na Praça Cipriano Jucá, no bairro de Mangabeiras.

Em todos esses canais, o atendimento é feito por voluntários com sigilo e tudo de forma gratuita.

Respeito acima de tudo. Por quem lê e reconhece que precisa de ajuda, pelo parente que luta diariamente para não deixar a morte vencer, e pelas famílias que precisam se reconstruir após uma perda tão dolorosa.

Peça ajuda. Você não está só.

  • André COSTA

    parabéns pela matéria.

  • Rayane

    É importante lembrar que a psicoterapia com o Psicólogo é necessária, será uma escuta qualificada e com acolhimento para que possa atender a demanda de cada pessoa.

  • GLEICE

    É um sentimento sem igual, a única coisa que sabemos é que não pertencemos a este mundo, então o silêncio toma conta da nossa voz. Não adianta conversas, bate papos, quando se decide…Ninguém muda o final.
    Já nascemos assim, e se alguma coisa piorar esta situação o final, ninguém pode mudar, porque deixamos de escutar a razão para ouvir o que a alma pede, e assim damos um ponto final ao sofrimento silencioso que ninguém pode ouvir.

    Obs: Nem todos podem compreender, e muitos não querem aceitar nossa missão aqui.
    Não somos daqui, não pertencemos a este mundo.

    • Dayane Laet

      Gleice, vc não acha que vale a pena tentar encontrar uma maneira de lidar com as dores da alma? Vc tem razão em dizer que não alcanço entendimento da dimensão de sua dor, mas espero ter levado ao menos algum acalento até vc. Não desista. Sinta-se abraçada.

  • Rafaela Batinga

    Parabéns Day a matéria ficou muito boa

  • Karla Costa

    Matéria maravilhosa!
    Você é maravilhosa, tem uma sensibilidade incrível e um coração cheio de sentimentos nobres.
    Parabéns Day😘

  • Sueli Araújo.

    Ótima matéria, parabéns.
    Vamos olhar o outro com mais carinho e sensibilidade.
    Só vemos a aparência, mas muitas pessoas estão gemendo por dentro.
    Vamos nos desligar mais dos celulares e nós aproximarmos mais do Autor da Vida . Vamos falar coisas positivas e desejar o bem, pra tudo tem solução.
    Que o Deus Eterno abençoe a cada um de nós.
    Abraço Dayane.

  • Jose Heleno

    parabéns pela matéria. as pessoas querem ver sofrimento alheio e não pensam que podem passar pela mesma situação a partir do acionamento desse gatilho, que funciona de forma inconsciente. já fomos vitimas dessa tragédia e sabemos o quanto causa de destruição na família.

  • nada

    “Eu nao posso causar mal nenhum a nao ser a mim mesmo”. Parabéns pela matéria, saber que existem pessoas capazes de compreender eh um grande passo. Muito obrigado!

  • Lins

    O suicida comete não comete o ato por ser fraco. Ao contrário! O suicida tem tamanha força e coragem que põe um fim a sua vida devido a dor e sofrimento que sente diariamente.

    Triste, mas é a realidade.

    Até.

  • Juliana Duarte

    Day obrigada pela delicadeza das palavras! Sabemos bem a dor que sentimos por causa desse ato de desespero, e pensar que basta pedir ajuda.

  • Rodrigo Silva

    Dayane, a imprensa vem esquecendo a ética, divulgando cada vez mais casos de suicídio. A cobertura midiática do massacre em Suzano pode ser considerada até criminosa, pode ter certeza que outros massacres virão por culpa da divulgação em massa promovida pela nossa “querida” imprensa, que teima em enxergar apenas o próprio umbigo em busca de cliques e audiência.

  • Bruno

    Parabéns pelo texto!

  • Juliane

    Parabéns pela matéria !!!

  • Mariluce Rocha

    Mari

    Excelente matéria. Parabéns!

  • Jerônimo Veras

    Cada vez mais cedo somos alfabetizados para, através da leitura, compreendermos e adquirirmos conhecimentos que nos possibilitem desenvolver habilidades para lidar com palavras, números, objetos etc. Crescemos e nos tornamos especialistas (professor, engenheiro, nutricionista, jornalista, médico…). Entretanto, no ambiente interno, dentro de nós, nas cavernas do nosso comportamento, geralmente permanecemos analfabetos: não aprendemos o complexo alfabeto emocional, reconhecendo apenas o a,e,i,o,u de algumas emoções. Consequentemente não nos capacitamos a fazer leituras adequadas dos nossos estados afetivos, não desenvolvemos habilidades para lidar com os impulsos e não compreendemos muitas das nossas atitudes. Como telespectadores, apenas assistimos aos conflitos dos desejos e à destruição interna, sentindo um vazio. E, à medida que o tempo passa, priorizando a edificação externa em detrimento da erosão interna, a instabilidade aumenta, bem como o risco de destruição. É impressionante como algumas tragédias apresentam semelhanças. E lamentável.

  • Paulo

    Excelente tema, decidamente abordado, parabéns.

  • anadeje

    Por mais que haja desenvolvimento e facilidade para a vida humana,sempre houve carência,havendo motivos quase suficiente para desistir de um vida super complicada, onde ninguem entende o outro e esta falta de comunicação e sentimento,acarreta transtorno emocional impossibilitando cada pessoa de ir encontros ás suas necessidades. O desespero interior é tão grande, a falta de um ombro amigo para apoiar, sente que ninguèm é confiável, a solidão invade seu ser ,por mais que esteja em grande multidão.Esse estágio é muito crítico e insuportável.