Likes não produzem real afeto / Arte: Banksy

Eu tive um diário na infância. Na década de 1990 a moda era ter uma agenda onde anotávamos os acontecimentos mais importantes e deixávamos colado algum símbolo daquele momento. No final do ano ela estava volumosa e cheia de pequenas histórias que iam do primeiro beijo a papéis de bala e o tíquete do cinema numa tarde em que deveríamos estar estudando.

Quase ninguém tinha autorização para olhar nossas agendas, apenas as melhores amigas. Eram nossas memórias e mereciam total cumplicidade. Foi uma fase analógica e feliz.

Agendas nos anos 1990 eram diários / Imagem: Google

 Recordando essa fase gostosa decidi abrir mão das redes sociais, ainda que parcialmente. O Facebook eu cancelei há três anos e não me arrependo, por conta do volume de informações jogada na timeline que nem sempre estava disposta a absorver. O Instagram mantenho como ponte entre mim e meus leitores, mas deixei de seguir perfis. Quem me interessa, visito o feed vez ou outra (quando é público) e não me demoro. O Twitter é mantido como fonte de informação profissional, assim como o WhatsApp.

Entendi que expor tudo da minha vida não era bom. E eu perdia muito tempo com o mundo virtual, deixando a realidade de lado. Procrastinava obrigações e deixava de lado meus livros, para ficar curtindo a vida alheia. Quando piscava, duas horas tinham ido embora.

O historiador Leandro Karnal foi uma das fontes de pesquisa que me fizeram abrir mão da “vitrine”. Se tiver tempo, acompanhe estes oito minutos.

Mas o que me fez decidir por esse caminho? Eu estava sentindo falta de mim mesma. Ficar sem fazer nada tornou-se precioso para mim. Estar off-line me acalma os pensamentos e me traz serenidade para continuar de onde parei. Sem procrastinar. Sem perder tempo no universo digital.

Entenda que likes não produzem afeto real. A realidade passa pelo crivo da imperfeição e mesmo assim permanece. Bem diferente do block ou unfollow quando a imagem ou discurso não nos agradam.

Se você se interessou, seguem algumas dicas para fazer um detox das redes:

  • Aproveite seu tempo livre estando mais off-line, seja lendo um livro ou assistindo um filme. Melhor ainda se você puder passar esse tempo malhando;
  • Desinstale os aplicativos das redes sociais do seu celular por um tempo, mas se você acha que não é para tanto, apenas estabeleça um tempo de uso;
  • Faça uma análise crítica de quem você segue na Web. Opte por pessoas que te inspiram ou te divertem. Assim, você muda o foco e aproveita as redes sociais para o bem;
  • Deixe de seguir perfis que provocam comparações desnecessárias e sensações de inferioridade, além de dar aquela sensação de impotência. Entenda: algumas pessoas vivem exclusivamente para a aparência e você pertence ao mundo real; se interfere na sua autoimagem negativamente, não serve.
A diferença entre o veneno e o remédio está na dose / Imagem: Shutterstock

Preserve sua saúde mental. A rede social precisa ser uma aliada para o bem-estar e não de adoecimento.

Deixar de seguir pode te ajudar a seguir em frente.

  • Ionara

    Reflexão simples, mas profunda. Eu aos poucos fui vivenciando essa faceta das redes sociais e hoje reconheço o quanto já perdi tempo e ainda continuo perdendo. DETOX é um desafio a ser superado e extremamente necessário…GRATIDÃO !