Dieldja e a pequena Helena / Arquivo Pessoal

Quem chega no apartamento da família Venâncio Omena, no bairro da Jatiúca, em Maceió, logo percebe que há algo de diferente no ambiente: brinquedos. Pequenos lembretes coloridos de que agora existe uma menina cheia de saúde redecorando os ambientes e deixando tudo mais alegre para o casal, unido há 16 anos. Na TV, o Mundo de Bita é programa oficial, mas meses atrás era a Galinha Pintadinha. “Já decorei todas as músicas”, brinca a mãe.

Mas nem sempre foi assim. Prestes a completar 3 anos, Maria Helena chegou na vida de Dieldja e Clisney após uma espera de dez anos. “Quando já estávamos sem esperanças, minha filha chegou”, relembra a pedagoga de 42 anos, enquanto amamenta.

Conversando com o casal, percebo os olhos da menina me acompanhando como duas jabuticabinhas curiosas (em um desenho animado eles ainda sorririam). Embora ainda fale pouco na presença de estranhos, a pequena parece entender que estamos falando de sua história. Suspeito que ela também queria brincar com meu celular.

Uma pipoquinha chamada Helena

“Parei de tomar anticoncepcional e, dois anos depois, começamos a investigar porque eu não engravidava. Foram exames exaustivos até descobrimos que apenas um tratamento de fertilização in vitro funcionaria. Gastamos nossas economias com um sonho sem saber se ele se tornaria realidade”, relembra Dieldja. “Helena foi nossa quarta tentativa, depois de muita dor, frustração e, principalmente, medo”, acrescentou. “Medo de abortar novamente, de que desse alguma coisa errada, de má formação, de não ser boa mãe. Tudo junto”, desabafou a pedagoga.

Com o nascimento, chegaram também novos sentimentos. “Misto de alegria e realização, mas também de frustração e decepção”, explica a mamãe, enquanto ajuda a pipoquinha a subir no sofá. “Eu romantizei a gestação, mas ela não foi nada tranquila. Esbarrei em uma realidade bem diferente da que imaginei, cheia de mal-estar, enjoos e riscos”, relatou. “Ser mãe requer renúncia e faz nascer dentro da gente um amor capaz de vencer qualquer coisa”.

Dieldja durante a gestação / Arquivo Pessoal

Outra situação não foi planejada foi a interferência externa nos primeiros meses fora da barriga. “Tive de lidar com opiniões diversas, de quem estava por perto e queria me ensinar o que fazer, como, quando… e me afligi um pouco por não conseguir simplesmente ser eu mesma, até que deixei claro que minha filha seria criada com nossos valores, meu e do meu esposo, sem tantas interferências”, relatou.

Helena teve ensaio fotográfico ainda na barriga da mãe, festinhas de aniversário e recebe muito dengo do casal coruja, o que é compreensível e faz toda a experiência valer a pena. A maternidade trouxe brilho para os olhos da mãe, que falava sorrindo o tempo todo. “Todos os dias agradeço a Deus pois sempre quis ter essa rotina. Me sinto realizada como mulher. Sinto que nossa família agora está completa”, comemorou.

Dieldja, Clisney e Helena  / Arquivo Pessoal

Então olhei no relógio e percebi que o tempo do papo tinha acabado. “Hora de se arrumar pra escolinha”, lembrou Dieldja. “Êêêêbaa”, comemorou a pequena, lançando os bracinhos em sua direção.

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