Uma das coisas que aprendi sobre a fofoca é a de que ela é um exagero ou uma mentira semeada na mente de quem está disposto a deixá-la brotar. Ou ainda uma verdade contada através do filtro da vida de quem a espalha, ou seja, pode torna-se algo completamente diferente a depender da intenção o fofoqueiro.

Ninguém assume que gosta de falar dos outros, mas a verdade é que todos nós temos algum grau de curiosidade e, em alguns casos, prazer, em saber da vida de A ou B. A questão é quando o veneno contido na mensagem repassada azeda relações de anos e muitas vezes deixa um dos envolvidos sem saber o que está realmente acontecendo.

Verdade seja dita, se a fofoca não for alimentada, morrerá. E se envolver alguém que te é importante, chegue para a pessoa e pergunte se é verdade. Após saber o que está acontecendo ela vai te agradecer pela transparência, e se isso não acontecer, você terá sua consciência tranquila.

Quando você alimenta a maledicência e a compartilha, o principal personagem é seu caráter, não a vítima da fofoca.

O historiador e conferencista Leandro Karnal explica que as redes sociais turbinaram ainda mais o instinto de quem pratica o falar mal dos outros como um esporte. “No Facebook, por exemplo, você pode espalhar palavras de ódio contra quem as vezes nem te conhece”, observou Karnal. “Estamos perdendo o senso de distinguir liberdade de expressão de calúnia, que as palavras podem ferir, causar danos e nos tornando especialistas em um mundo líquido onde criticamos temas aleatórios dos quais temos qualquer preparo”, disse ainda o historiador.

Assista:

Minha amiga / psicóloga Pompéia Borges explica que a única fofoca que surte algum efeito positivo é a que adverte os outros de que determinada pessoa é tóxica. “não nos esqueçamos do que Freud disse: “o homem é escravo do que fala e dono do que cala. Quando Pedro me fala de João, sei mais de Pedro do que de João”. Então é isso, a fofoca fala muito mais sobre quem a faz do que sobre o que ela traz. Preste atenção”.

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Fofocar é um comportamento muito interessante. A Wikipedia nos diz que “a fofoca consiste não somente no ato de fazer afirmações não baseadas em fatos concretos, especulando em relação à vida alheia, mas também em divulgar fatos verídicos da vida de outras pessoas sem o consentimento das mesmas, independente da intenção de difamação ou de um simples comentário sem fins malignos.” Analisando essa definição, podemos ver que a fofoca – como quase tudo – tem um lado negativo e um lado positivo. O lado negativo é fazer afirmações não baseadas em fatos concretos, ou seja, você divulgar informações baseadas no que você acha, de acordo com suas crenças e preconceitos, sem ter dados reais sobre o assunto. O tal “achismo”. Outro aspecto negativo é divulgar fatos que realmente aconteceram sobre uma pessoa que não queria que esses fatos caíssem na boca de Matilde, ferindo o sagrado direito à privacidade, previsto na nossa Constituição. Já dizia Millôr Fernandes, “quando todo mundo quer saber é porque ninguém tem nada com isso”. Pois é! Mas a fofoca tem lado positivo, dizem os estudos da Universidade de Berkeley (EUA). As pesquisas mostraram que têm fofocas boas, chamadas de "pró-sociais", que advertem as pessoas sobre aquelas outras que não confiáveis, ou seja, ajudam a impedir que pessoas desonestas prejudiquem outras.  Isso explica porque fofoca é um comportamento ancestral e porque perdura até hoje. Ela tem um fator protetivo, um mecanismo de defesa, e desempenha um papel decisivo na manutenção da ordem social. Segundo os mesmos estudos, fofocar é terapêutico. Pense bem se não é! Quando divulgamos “alertas” que consideramos úteis para outras pessoas, principalmente se isso ajuda a salvar alguém de exploração, nos sentimos gratificados. Sabe quando você adverte alguém pensando “se fosse comigo, iria gostar de saber” e se sente reconfortado com isso? Continua nos comentários

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Eu ainda prefiro retribuir o julgamento com acolhimento. Para os fofoqueiros, o silêncio. E se alguém mesmo assim escolher acreditar na fofoca e não em mim, o tempo se encarrega de sarar a dor da perda. Simples assim.