O que fazer quando não se tem tanto tempo ou dinheiro para viajar? Comece conhecendo os cantinhos especiais mais próximos de você.

Decidi explorar Alagoas e procurei uma empresa que fizesse trilhas leves e desbravasse rios e cachoeiras no estado. São muitas, mas depois de uma breve pesquisa, achei uma que se encaixasse no meu perfil.

Foi assim que descobri um novo passeio até a Cachoeira do Anel, no município de Viçosa (86 quilômetros de Maceió). Eu e mais 16 andarilhos partimos do último ponto de encontro às 7h15 e seguimos por cerca de uma hora de van, no último sábado (11).

Do ponto de apoio, previamente preparados com protetor solar, bonés, roupa de academia e muita animação, seguimos a pé por cerca de 40 minutos por uma trilha acidentada, com pedras e muitas descidas (que depois transformaram-se em subidas) até a queda d’água de dez metros de altura.

Um bombeiro civil, uma turismóloga e um guia local nos acompanharam até a Cachoeira do Anel, onde permanecemos em um banho refrescante por cerca de três horas e também nos alimentamos.

O barulho da água caindo sobre pedras gigantes, a temperatura e tudo que cerca aquele lugar traz uma tranquilidade que não tem preço.

Trilhas, quando feitas com segurança e o mínimo de preparo físico, ajudam a se desligar um pouco dessa correria urbana que tanto nos faz adoecer. É trocar o barulho do trânsito pelo silêncio da floresta ou do serrado, respirar ar puro e contemplar o que a natureza tem de melhor. A cachoeira parece ter um poder mágico sobre o corpo, e quando percebemos, sentimos que toda a tensão foi embora junto com a potência das águas.

Veja o que diz um dos maiores biólogos do nosso tempo, Edward O. Wilson, em “A Criação: Como Salvar a Vida na Terra”:

Gratidão ao colega Ricardo Mota pelo empréstimo deste ótimo livro

Já faço trilhas há quatro anos, desde que ganhei uma viagem à Chapada dos Guimarães (MT) como prêmio por uma matéria que tratava do trabalho de sucateiros. Longas caminhadas pra chegar a cachoeiras incríveis me fizeram desopilar, além da contemplação de lindas paisagens. Jamais esquecerei o pôr-do-sol que vi naquele lugar.

Agora, sempre que posso, dou um jeitinho de escapar. Ano passado conheci a Chapada Diamantina (BA), onde deixei um pedaço de mim numa cidade de nome rústico: Mucugê. Lugar mágico, que parece ter saído de um universo paralelo.

Próxima parada? Desbravar no próximo dia 26 a Trilha de Santa Rita, na cidade de Boca da Mata, também no interior de Alagoas. Os andarilhos seguirão até o topo de uma serra que tem como ponto final o encontro de bicas com uma piscina natural, formando um lindo “Banho Azul”.

Custo: R$75.
Lucro: relaxamento, superação, novas amizades, consciência ambiental e contato direto com mais um pedacinho da natureza desse estado que – estou descobrindo – tem beleza plural, muito além do seu litoral.

Obs: Todo o lixo produzido pelo grupo da trilha que participei foi devidamente recolhido. Não usamos plástico, o que reduziu bastante a quantidade de detritos.

  • Iris Fortes

    Momentos assim não tem preço. A energia renova sem explicação!

  • Sheyla Torres

    “Viajar é como trocar a roupa da alma!” E há toda verdade nisso! Adorei o texto ♥️

  • Marcondes de Aquino Leite

    Viajar é a liberdade que renova o espírito. Se eu pudesse, moraria um ano em cada paz. A monotonia sufoca-me. O contato com a natureza nos “energiza”. Essa cachoeira incrível fica perto de Paulo Jacinto, cidade onde cresci. Parabéns pela experiência, Day.

  • Daniel Torres

    Parabéns pela excelente matéria, Dayane! Você, verdadeiramente, expôs tudo que nós (Andarilhos), sentimos diante da conexão com a natureza. O que levamos desta vida, são as memórias que criamos por meio dessas experiências incríveis!

  • Rosa Maria

    Gostaria muito de participar desses trilhas,como faço?