O historiador, professor e escritor Zezito de Araújo está  lançando o livro Quilombo dos Palmares – negociações e conflitos, dedicado a estudantes do ensino fundamental e ensino médio.

A sua preocupação e dedicação a um tema que não perde a atualidade e ganha cada vez mais importância vem desde os tempos de estudante na UFAL, na década de 1980.

Ele lembra que “nos ensinaram sobre a princesa Isabel, mas não sobre a escravidão”, ajudando a perpetuar o racismo que faz parte da alma brasileira, por mais que reneguemos.

Convidado do Ricardo Mota Entrevista – que volta ao horário normal, domingo, às 10h30 –, o professor Zezito destaca o ódio e a violência com que os negros são tratados no Brasil, com vários relatos envolvendo a polícia, que reproduz a visão dominante na sociedade:

– Um jovem negro é visto como um bandido em potencial. A condenação já está na cor da pele.

Os fatos, infelizmente, comprovam o seu desabafo.

No livro que lança agora, ele ressalta o papel de Ganga Zumba, destacado por ser “um grande negociador”, num perfil diferente do seu sucessor, Zumbi dos Palmares. Durante algum tempo, este foi um tema que dividiu o  movimento negro no Brasil:

– Mas esse debate acontece em todos os movimentos sociais. Ele serviu para que nós crescêssemos na compreensão dialética.

O racismo continua presente na alma e na vida brasileiras. Para vencê-lo, o investimento deve ser principalmente nas crianças, antes que elas assimilem em definitivo um sentimento tão destrutivo e baixo quanto o racismo.

É conferir a ótima conversa.

Ricardo Mota Entrevista

Domingo, às 10h30, na TV Pajuçara

Convidado: Zezito de Araújo – professor e historiador

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  • Antonio Carlos Barbosa

    Pois é, ninguém nasce racista. A sociedade é quem faz brotar o racismo. O racismo é uma das grandes vergonhas da humanidade, se não a maior delas. Vamos mudar o jogo com nossos familiares e conhecidos, pois alguns poucos amigos, são antirracistas, na base do diálogo, apesar dos governantes, principalmente com o péssimo exemplo do Bolsonaro, por todos os seus atos> Bolsonaro afirmou que no Brasil não existe racismo, declaração vergonhosa de quem nada sabe, que não tem olhar humano para ninguém, um verdadeiro ser das trevas, e com seu preposto nomeado na Fundação Palmares, um negro ignorante, imbecil e racista, entretanto, ele representa o que sente e pensa Bolsonaro e seu Clã. Vamos conferir no programa a entrevista com o Zezito.
    Vida que segue.

  • Luciano B. Carvalho

    Preconceito não se acaba com leis e muito menos com educação. As leis são burladas, aliás, nossa especialidade. A educação cria um preconceituoso polido e hipócrita. Só a fraternidade acaba com os preconceitos. Um grande abraço.

  • Laskdo

    Confesso que nunca entendi, a tal “libertação” dos escravos pela princesa Isabel por meio do que se chamou de Lei Áurea. Vamos analisar um pouco mais para trás.
    A lei do “ventre livre”. Alguém acha que um bebê recém nascido, livre, ficava livre mesmo? A mãe colocava na porta da fazenda e dizia: “está livre meu filho, pode ir?” ou entregava para um “orfanato”? Claro que não! Ele ficava com ela e continuava trabalhando como escravo, pois se não, o dono dos seus pais o colocava para fora sem nada. E quem tinha coragem de ir embora? poucos, muito poucos!
    Imagina a lei sexagenária, que libertava o escravo quando ele chegava aos 60 anos. O que poderia ser uma aposentadoria, era na realidade um pesadelo. O escravo tinha trabalhado, literalmente, a vida toda e agora estava “livre”. Sem direito a nada; sem FGTS, sem seguro desemprego, sem moradia, sem dinheiro e o pior: sozinho. Porque sua família ficou na fazenda, mulher, irmãos, sobrinhos e filhos. Agora se coloquem no lugar deles, imaginem que depois 35 anos trabalhando vc foi demitido? E descubra que sua empresa, nunca, depositou FGTS, tão pouco recolheu suas contribuições previdenciárias, tranquilo né? Não? Mas vc recebeu salário a vida toda, provavelmente tem casa, tem uma reserva, bens e o melhor: sua família por perto. Mesmo assim vc está arrasado, pensando em tirar a sua vida, porque se sente um inútil? Fique em paz, vc tem educação, vc estudou, pode facilmente se virar. Agora reflita sobre aquele escravo idoso sem nada.
    Agora imagine a Lei Aurea? Centenas de milhares de homens, mulheres e crianças jogados no olho da rua só com a roupa do couro. Muito diferente da libertação dos escravos do Egito, que levaram todos os seus pertences e tinham um príncipe culto os guiando para tomar posse de uma terra fértil. Sem falar, que inicialmente o irmão deles, José, mandava e desmandava no Egito. Muito diferente dos escravos libertos do Brasil. Os escravos libertos no Brasil não tinham ninguém que os orientassem, tão pouco terras para trabalhar e produzir, que era a principal coisa que sabiam fazer. Qual a consequência? Sem ter pra onde ir, a maioria, ficou a margem das cidades, sobrevivendo das migalhas das pessoas das cidades, praticamente até os dias de hoje. É muito fácil dizer: “mas se estudassem seriam gente!”, Mas como estudar se precisam sobreviver?
    É pessoal, eu não tenho nenhuma dúvida, embora eu seja branco de olhos claros, que o Brasil tem uma dívida enorme com essa raça tão forte e corajosa.

  • Aurelio

    Imperdível, será uma aula de conhecimento e história !

  • Há Lagoas

    É salutar defender bons argumentos, que espero, não caia em clichês e ladainhas da pura e simples vitimização de uma cor.
    E pelo que foi posto, o simples fato de jogar luz sobre a figura de Ganga Zumba, demonstra um comprometimento maior com os fatos.
    Vamos conferir.

  • Paulo

    Antonio Carlos criticou o governo de Bolsonaro por ter colocado segundo as suas palavras um negro imbecil, ignorante e racista na Fundação Palmares. Essa declaração também não é racismo? ou eu estou precisando estudar mais sobre interpretação de texto?

    • Antônio Carlos Barbosa

      Prezado Paulo, Bolsonaro é branco e racista. O seu preposto na Fundação Palmares é negro e racista, um sujeito apaixonado pelos seus algozes, que ataca e ofende aos negros. Um ser abjeto, que continua escravo. Segue o seu eterno patrão Bolsonaro. Deveria defender os negros e não ajudar a massacra-los, lutar contra o racismo e não negá-lo.
      Simples assim, entendeu.

  • Pedro

    Os casos de racismo tendem a se repetir. Se temos um incompetente e de má índole na Presidência, é porque uma boa parte do povo gosta das malfeitorias que ele prática. Presente racista é resultado de uma sociedade também racista. Espero que venha uma nova geração menos cruel que a nossa!