É exatamente o que me parece cada vez mais evidente: nunca o fosso entre a população e os governos foi tão profundo.

É bem verdade que este é um problema mundial, que o historiador Eric Hobsbawm já havia identificado desde 2007, no seu pequeno-grande livro Globalização, democracia e terrorismo.

De lá pra cá, a situação só tem piorado, e essa relação – povo e poder – vai se tornando cada vez mais superficial, baseada quase que exclusivamente nas redes sociais (infantilizadoras de adultos).

Num país que quase nunca acreditou nos governos, um momento como o que vivemos exige um grau de confiança entre as partes do qual estamos distantes – e ainda mais distanciados (fanatismo é outra história, que não se explica sem uma dose de boa psicologia de massa).

O isolamento social por aqui não se efetivou, verdadeiramente, seja porque uma parcela significativa da população não pode ficar em casa; seja porque a orientação dos governantes sempre pareceu autoritária, mesmo quando baseada na ciência; e, por último, pela falta de intimidade que temos com os temas científicos.

Creio que devemos nos preparar para uma nova parada pós–abertura, que não vai funcionar, mesmo que necessária. Há de se entender que o que conseguimos até agora se deveu ao distanciamento que alcançamos, entre resmungos e protestos, mas atingiu o limite.

O arremate é também previsível: os governos são o que são porque nós somos o que somos.

Eles vão mudar um dia, quando essa for uma imposição da sociedade.

Azul
Como um país pode passar um ano e meio sem ministro da Educação?
  • Luciano Carvalho

    Boa análise. Nosso povo sempre ridicularizou os governantes, e isso se deve ao trabalho das oposições, ao longo do templo, infatizo, oposições de direita e de esquerda. Sempre os perdedores não se conformam com as urnas, até essas já foram postas em dúvida. Nessa pandemia não podia ser de outra forma. Muitas dúvidas, malícia e até grupos de cientistas com opiniões opostas, somando a falta de disciplina das pessoas, disciplina está ridicularizada pela esquerda no regime militar, ligando pessoas disciplinadas ao regime de plantão. Repito mais uma vez, não houve isolamento, nem vai haver. Quanto isso vai nos custar, só o futuro dirá. Um abraço a todos.

  • Há Lagoas

    É por isso, meu caro Mota, que eu acredito Antônio Vicente Mendes Maciel foi um profeta ao contestar a República.
    Os parasitas da corte misturados aos políticos da época, foram substituídos por nossos votos democraticamente.
    Hoje legitimamos suas práticas espúrias, votando neles, e sendo sugados pelos mesmos.
    O velho Antônio Conselheiro morreu com a alcunha de louco, mas para mim, era um visionário contestador daquilo que seria a República das Bananas.

  • Antônio Carlos Barbosa

    Pois é Mota, Bolsonaro trabalhou para que o caos tomasse conta do Brasil, agora recolhido, esperando o momento de retornar com seu plano do caos, para o seu sonho do golpe militar. A nossa situação não está mais grave, devido aos poderes que tomaram a iniciativa de combater a pandemia, pois o Bolsonaro, trabalhou e trabalha contra todas as medidas de combate ao vírus. Não temos ministro da saúde, aliás, temos, que é o Bolsonaro, o Senhor Morte. O presidente mais irresponsável da história republicana, temos hoje no poder, que é o chefe de um Clã, que ainda vai causar muito sofrimento ao povo brasileiro.
    Vida que segue. Vamos me frente.

  • Luciano Carvalho

    Os comentários provam como as pessoas gostam de ridicularizar os governantes.

  • Antonio Moreira

    Ah, se um dia fosse assim no Brasil:
    Aquele Castelo Ilhado é um abrigo provisório de pouca gente, lá têm conforto e riqueza.
    O povo escolheu você como dirigente e não esqueça, toda riqueza que tem lá e que chega ali, de uma forma ou de outra tem que ser distribuída para o povo aqui, de maneira clara e sem mentira. Mesmo contra sua vontade, será obrigatório passar/dar bons exemplos para nós aqui.

    O Brasil do dia a dia:
    Não serei redundante para dizer aqui o péssimo exemplo do Messias.
    Vi essa semana uma moça fazendo caminhada sem máscara e manuseando um terço na mão (rezando). Já havia um outro dia. Ela tem aparência de coitadinha? Não!
    Vi um rapaz andando sem máscaras e com um fone nos ouvidos.
    Ele tem aparência de coitadinho? Não!
    Quantos que não precisavam receberam o auxílio de R$ 600,00?
    Quantos precisavam e não receberam o auxílio de R$ 600,00?

  • Antonio Moreira

    Já havia visto um outro dia, ela, andando e rezando.

  • pedro

    ate quando o mercado da produção , feira do jacintinho , benedito bentes …….. nao fizerem isolamento de verdade , esse virus nao vai acabar , porem sera a Orla ou o shopping que pagara um pato onde o grande culpado somos todos nos, porem Orla e shopping nao da votos mais sim Benedito bentes, Mercado da Produção… entao nosso governado nunca ira fechar e fazer um verdadeiro Isolamento social pois ate agora o isolamento é para quem o convem , um pena termos governos desse tipo.

  • Carlos

    Coronavirus, pobreza, cultura a pandemia só faz crescer e matar muitos.

  • Laskdo

    Lembrando que a Senzala está na liderança da contaminação pelo o COVID-19 e com a abertura dos shopping, dos salões, das academias e dos bares, deveremos ter um novo equilíbrio na geografia dos contaminados. Afinal garçom, serviços gerais, cabeleira, manicure, atendente e comerciário não moram na Casa grande, ou seja na área nobre de Maceió. Com todo respeito a esses valorosos profissionais. Mas no final o rio vai tomar seu curso, em direção ao mar.

  • Alexandre Batista

    Um sábio! Parabéns pela ponderação!