Eu sei que nem toda sabedoria popular é exatamente sábia. Mas, ora, como é bom conhecê-la um tanto. Faz bem à alma, e, por um momento, deixemos o corpo de lado – depois a gente retoma.

Zé do Cavaquinho é desses personagens que marcam sua passagem pela vida enquanto vivida, e ainda que seu universo geográfico predominante não seja grande – falo da gigante Viçosa, a Princesa das Matas –, suas estórias se espalham por um mundo, vasto mundo, que ele não conhecia.

Ao ser indagado, um dia, por que não gostava de tomar banho, o Zé, cavaquinista de primeira, teria dito:

– Eu nunca vi passar aqui na porta do Trovador Berrante (seu bar) nenhum enterro de gente que tenha morrido de sujeira. Já afogado, passou um monte.

E mesmo que não cultivasse os melhores hábitos de higiene ou os ensinamentos de educação sanitária – como a maioria de nós, brasileiros –, o autor de Escorrego do urubu se gabava de não ter verminose.

Prevenção ou cura, eis sua fórmula (ele chamaria de método):

– Logo que eu acordo de manhã, boto um copo cheio de cachaça e aviso: “Istambo, toma que lá vai leite”. As bichinhas lá dentro abrem a boquinha e ficam esperando descer. Quando chega é o álcool, que mata tudinho.

É verdade que muito se fala do homem, e nem tudo é mentira.

Na minha casa, na velha Buarque de Macedo, prevenção e/ou tratamento para verminose também se dava por via oral. Tomávamos, eu e meus irmãos, uma garrafada de um preparado de jurubeba, que ficava por dias debaixo da terra e tinha um inesquecível sabor de castigo – por algum pecado ainda não cometido.

Posso até imaginar, seguindo a lógica do mestre do cavaquinho, que as “bichinhas” morriam porque não suportavam nem o cheiro daquela misturada intragável. (Mastruz com leite, para combater anemia, alguém aí já tomou? Eu também.)

Havia, naquelas décadas da segunda metade do século XX, as temporadas das doenças infantis. E os boatos, então, já se se espalhavam pelos bairros de Maceió com grande velocidade e uma tremenda carga de terror. Talvez tivessem um pouco menos de perversidade, até porque crescemos muito neste quesito – me parece assim, no momento.

Sarampo, catapora, coqueluche e outras viroses da mesma estirpe eram correntes e recorrentes. Sabíamos rapidamente em que casa a enfermidade da hora fazia visita, e evitávamos chegar perto, alertados por pais, vizinhos e os fofoqueiros de plantão – e aqui não é uma questão de gênero; é de espécie.

Mas se um de nós, da minha casa, contraía o vírus do momento, o caminho que nos parecia natural era a infecção coletiva: todos adoecíamos e, com sorte, seguíamos adiante, e chegamos até aqui.

É claro que contávamos também com a ajuda de uma benzedeira que morava próximo à nossa casa. Era uma pretinha velha, magrinha, de cabelos longos, presos por uma fita, descendente direta de escravos, e que rezava baixinho, cobrindo toda a área visível do corpo do doente com os movimentos precisos que fazia com um ramo de arruda – suponho. Num ritual que era a própria expressão do sincretismo religioso: entre ave-marias e padre-nossos, ela replicava palavras e gestos herdados dos seus ancestrais sequestrados na África.

Íamos, é claro, ao doutores ou eles vinham a nós, desde que a questão fosse considerada mais grave, o que não parecia nas situações mencionadas, num tempo em que todos os seguidores de Esculápio vestiam branco, como uma identidade profissional.

Os avanços da medicina, por óbvio, recomendam outros meios, não só de tratamento, mas, principalmente de prevenção a doenças infectocontagiosas.

As vacinas são, sem dúvida alguma, uma das melhores conquistas da Humanidade, em todos os tempos. Há os que não as usam, entretanto, renegando-as, até, e expondo seus filhos e a comunidade aos males que são evitáveis.

Talvez porque ainda não descobrimos a vacina para a estupidez (nem para uma “gripezinha” que vagueia célere pelo planeta).

Aos 62 anos, estou no "home office"
Alfredo Gaspar: "Eu seria candidato com ou sem apoio de Rui e Renan"
  • Joao da TROÇA anarco-carnavalesca BACURAU da Rua NOVA do Sertão – em St’ANA!

    Um BOM domingo no conforto do LAR,
    caro Ricardo Mota … com (+) músicas e (-) leituras?

    Ao redor das praias e céus de Maceió,
    agresteando MATAS rumo Sertões caatinga fulorada!

    Talvez até relendo o Livro do Desassossego,
    assinado por Bernardo S: + 1 dos 127 heterônimos de F-Pessoa.

    Como ora faz o craque do Tri do ZagaLLo em 1970,
    o intrépido Dr TOSTÃO médico nas horas vagas um pensador.
    > Toda a vida humana é um movimento na penumbra. … diz Tostão.
    – Vivemos num lusco-fusco da consciência, nunca certos … Dólar a R$ 5?
    – com o que somos ou com o que nos supomos ser. … Barrados no B(r)aile!
    > Somos qualquer coisa que se passa num intervalo de um espetáculo;
    – por vezes, por certas portas, entrevemos o Q tvz ñ seja senão cenário. [21mar20]
    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tostao/2020/03/o-mundo-e-o-futebol-nao-serao-os-mesmos-quando-terminar-a-pandemia.shtml

    • BETE irmã de NESTOR tios, ela mãe d’Diogo: ZAP finado em 6 msgs

      > Em cOnto isso, apreÇadinh’u$ pelo Euro a + de R$ 5/ Libra inglêsa … rsRs
      – Apois brasileiro em Portugal vale (-) Q boliviano em SPaulo de EDusek dsd 1983!

      $$$ … Sim, gentEeee das redes,
      Vi$h! … – A 09jan1983 a música no FANTÁSTICO da Boba!

      # Em PORTUGAL somos venezuelanos em Roraima, caribenhos en Mexico rumo EeUu
      – Enchendo PINICO de mImImI peidiado p’voltar à pátria ensolarada, BRASIL entr’outras a mil … Kkkkk

      * Ela num macacão de plástico, eles corpos elásticos a se divertir
      – Cooper ginástica numa bombástica aPPplicados pra NUM dormir
      ¨¨ Ela incrível, ELE reversível gente de nível casal vinte XiXi daqui, óh!

      # Foram barrados no baile da Disney por ma’U$ elementos alheios a BbMarley
      – Cá fora efedapês (SoB in english) documentos, cambada! … ‘T´´aQpariU em o4’ 46″!
      https://youtu.be/FFviOhJE_YA

  • Democracia ao PONTO: garçon + 1 cana, tira gosto SARDINHA péÓóRrrrr sem ELA!

    # Êita Gota Serena, cadê o ÁLCOOL ingerível por eles com elas?
    – Tá difícil com tudo fechado na ORLA e nas periferias, caro Ricardo.
    … QUEM passaria incólume SEM convívio social? – Êita Maceió.

    #1. ALEGRIA ‘tá nas coisas supérfluas – o resto é necessidade fisiológica.
    * Da COMIDA à mesa em família ao cocÔ no mato sem cachorro, descarrêgo!

    #2. RESTAURANTE do verbo “restaurar. – Recuperar-se das feridas físicas e espirituais.
    * Band Aid em casa é MASSA: miojo e pizza congelada! [21mar20]
    https://cozinhabruta.blogfolha.uol.com.br/2020/03/21/a-peste-e-o-apocalipse-dos-restaurantes

    • Meu NOME é Gal desejando rapaz: SEM cultura NEM crença OU tradição, AMO igual!

      Em 1979 houve Ricardo Mota aos 21 de maioridade consumível … rsRs
      Nascido n’asas de JK construindo PAfonso no Sertão energia da TV Pajuçara em 2020.
      E tão bem Brasília intrigando o fi de Seu Mota: Q q’a bahÊana tem, menino? … Kkkkk

      # Toda menina baiana tem um SANTO, que Deus dá (4 Xs)
      – Tem DEFEITO tbém q Deus dá, p Q sim: Deus deu ela pronta!

      * ELA entendeu dar a primazia – p’u$ bem ou pro mal de primeira
      – demão de zarcão escuro na Bahia, 1ª missa: e 1º índio abatido, td BEM?

      > Deuses de todas as magias em 1º chão na Bahia:
      – 1º carnaval, 1º pelourinho MEU bem em o4′ 18″
      https://youtu.be/ydczMo1z8Rg

  • Antonio Moreira

    O vírus da moda atual parece que começou de cima para baixo, atingindo até Banqueiro e certamente ele morreu não por foi falta de dólar/real e outras moedas do mundo.
    Seria obrigatório de fato e não escrito em papel :
    O pobre com educação, morar em condições onde tenha água e os agregados para higiene, alimentos básicos para a sobrevivência e etc.
    Eu digo isso porque não tenho saudade da minha infância apesar que nunca passei fome, embora, muitas vezes deixei de comer pão e não comi e não foi por falta de vontade de
    comê-lo…
    Morar numa casinha onde não tem água, fazer necessidades fisiológicas nos matos e usar o próprio mato como se fosse material higiênico e voltar para casa com as mãos sujas, como não pegar vermes e outras doenças?
    Era uma cacimba coletiva onde todo mundo jogava o seu balde dentro para pegar água. Para tomar banho tinha que ir para o rio(não é ir para Rio de Janeiro, não,viu!). Era comum a meninada tomar banho nu onde as senhoras lavavam roupas e até louças… Uma mulher disse uma vez, hei menino já está muito “grande” para tomar banho nu!
    Vestia um calção para passar o dia. Se já existia cueca, sinceramente eu não sabia.
    Dona Maura e sua mãe eram negras e eram/moravam vizinha da cacimba. Ela dizia comigo – abre os olhos menino para olhar para Jesus!(Eu ria de olhos fechados) – A mãe da dona Maura era Benzedeira. Era comum enquanto benzia, parar a rezar para repreender com palavras/palavrões meninos traquinos assim com os filhos do bolsonaro, sendo que os meninos da minha época eram bons e não faziam maus para Brasileiros…
    Fui a Caixa na última sexta-feira, um funcionário estava de máscara e pediu para eu falar mantendo a distância dele. E se eu tivesse espirrado, será que ele iria dizer, saúde idoso!!!

    • CAETéLâNDIA 1817-Miami 2018: Florida REINVENTAR Brasil 2019-2022!

      Bolas pra frente solidariamente Tonho!

      Apois somos todXs superação com louvor,
      com FÉ a cantar PARABÉNS coletivo, puro amor!}

      E o saco é q’estica c’a IDADE da paciência, ái!
      O periga é saltar pra frente, omeletando
      prensa n’OVOS sob a tampa da privada, úi!

      Um bom domingo a todXs ! ! !

  • JEu

    Bom dia, Ricardo. Que bom que começamos o dia com muito bom humor… e isso é muito bom, pois a bom humor aumenta a capacidade do sistema imunológico… assim, pois, antes de nos aterrorizarmos por qualquer coisa, até mesmo “uma gripezinha que vagueia pelo mundo”, vamos pensar sempre na oportunidade de nos unirmos em pensamento e ações que possam nos ajudar na proteção contra o “vírus” do momento… e olhe que, apesar de toda a virulência deste, ainda não chega e nem chegara aos pés de uma “peste negra” dos tempos medievais… e a humanidade saiu vitoriosa… talvez pela ação de muitas “velhinhas benzedeiras”, pois não existiam bons médicos, medicina avançada e nem sistemas de saúde… agora, creio que o maior vírus que precisamos combater e exterminar é o vírus da corrupção… esse sim é perigoso, pois mata sem que ninguém o possa identificar e tem até muitas pessoas que gostam da presença de um portador: o corrupto… pois se apresenta sempre muito bem trajado e coberto de honrarias e proteções legais… e ele, agindo sempre nas sombras da alta posição social, surrupia milhões e milhões em recursos que deviam promover um melhor atendimento médico às populações e segurança higiênica para todos… e, portanto, milhares morrem todos os anos por falta de hospitais, leitos, UTIs, remédios e limpeza nas unidades hospitalares, permitindo as contaminações e contágios dentro do próprio sistema… esta praga, a corrupção, também mata esperanças e futuros de pessoas, as quais muitas vezes dizemos defender por serem carentes de tudo, pois faltam boas escolas, professores estimulados e, até, merenda escolar que contribuem para combater o enfraquecimento do corpo por falta de ingestão dos nutrientes necessários… é a maldita corrupção que bloqueia o crescimento do país, gerando emprego e renda para um número cada vez maior de trabalhadores, ao impedir a melhoria e o aperfeiçoamento da infra-estrutura existente, atraindo mais e maiores investidores nacionais e internacionais… isso sim, deve ser sempre temido e caçado até seus últimos redutos, pois, para a corrupção, não existe “época” ou “pandemia”, o que existe é uma “endemia” permanente (desculpe-me a redundância)… então, em vez de nos preocuparmos com algumas palavras (que são só palavras e não matam…) e nos preocupemos com o essencial… Bom domingo com muitas alegrias para todos, para fortalecer o sistema imunológico…

  • Há Lagoas

    “Tomávamos (…), uma garrafada de um preparado de jurubeba, que ficava por dias debaixo da terra e tinha um inesquecível sabor de castigo – por algum pecado ainda não cometido. Mastruz com leite, para combater anemia, alguém aí já tomou? Eu também”. Acrescento ainda, o fígado de boi cru, com ovos de pata e um tal de biotônico fontoura, batido no liquidificador e tomado na marra em doses generosas…
    Se nossos mitos se resumissem apenas a isso…

  • Interiorano

    Eu passei pelo tempo da coqueluche, do sarampo, da catapora, do tempo em que se tomava banho de rio nu, em que se bebia água de cacimba, que não existia papel higiênico, em que não existia banheiros (era um buraco feito no chão), depois é que começou a se fazer privadas, etc.! Quem é do meu tempo, se lembra do primeiro vaso sanitário, chamado CELITE! E graças a Deus, aos Doutores, as vacinas e as benzedeiras/curandeiras/rezadeiras e os famosos chás da época (mastruz, erva cidreira, mate, capim santo, jurubeba, boldo, aroeira, etc.) sobrevivemos a essas pandemias ! Essa semana, eu ia passando na rua e alguém disse com um bêbado (no popular, “cachaceiro” ) que ia cambaleando : “esse aí, não morre de coronavírus”! Vai que a cachaça contenha algo que o torne imune e talvez, esse tal de coronavírus, não o afete, replicando o Zé do Cavaquinho! O fato é que muitos estão criando uma paranoia! Até pouco tempo atrás, se alguém tossia, quem estava ao lado, por educação, dizia saúde! Agora, se alguém tossir, muitos já saem correndo, achando que quem tossiu está com coronavírus! É lógico que devemos ter nossas precauções, mas, sem se deixar levar pelo pânico! Leiam o Salmo 91!

  • Mudido do poico

    Verdade Ricardo !!!
    Por falar em doença ,acho engraçado e me recordando aqui, eu quando criança , no inicio da década de 70, minha velha babá a Geogina ,que hoje mora no céu, junto com minha mãe , qdo fui acometido de caxumba , também conhecido como “papera” naquela época, no intuito de fazer sumir a doença, pois diziam ainda que poderia descer para os testículos , caso eu não ficasse quieto e sem repouso, em meu pescoço penduravam um colar de uma planta chamada de” carrapateira” dai , a medida que o colar fosse secando , a doença ia desaparecendo..Lembro que fui dizer que aquilo era tudo mentira delas , que a planta estava secando , porque foi arrancada da terra ,querendo arrancar o colar de meu pescoço , com vergonha das crianças de minha rua ficarem zombamdo de meu colar. Não deu outra , quase que apanho das duas , pois era autonomia e respeito que se tinha pela as duas..
    Quando eu estava com soluço, muito criançA ainda me recordo , deitado no colo da velha Georgina ,a minha babá, não deu outra , ela puxou de uma calça que ela usava , um fiapo de linha vermelha , onde molhou com a baba da boca dela, e colocou colado na minha testa , sob a alegação que o soluço iria passar, e outra coisa , só servia o fiapo de linha se fosse vermelha , outra cor nao curava não, e ai quem a discordar dessas simpatias Catarro., gripe e tosse . Oxi… era um tal de lambedor ..feito a base de açúcar e cebela pequena e roxa, que qdo eu colocava no nariz para sentir o cheiro antes de experimentar, só me dava vontade de botar os bofes para fora..
    Mas sobrevive até hoje, onde hoje todos nós , somos reféns dos fármacos químicos das grandes indústrias farmacêuticas do mundo .