O presidente Jair Bolsonaro se alimenta da guerra.

Tem sido assim até bem antes da eleição que o levou ao Planalto, mas imaginava-se que ao tomar posse, mesmo que defendendo os seus (misteriosos) pontos de vista, ele pudesse dar algum sossego à população – que precisa de paz.

Ainda que seja puramente intuitivo, Bolsonaro acredita que deve manter seu “exército virtual” permanentemente mobilizado para o ataque, que pode ter como alvo os oposicionistas, as organizações internacionais e até o Papa.

Este é o seu incansável marketing político-eleitoral.

É impressionante como, por exemplo, em defesa dos “valores da família brasileira”, ele publique um vídeo pornô nas suas redes sociais, use palavrões em série – talvez por falta de vocabulário mais rico -, e, como agora, alimente os grupos que acreditam que o melhor caminho para o “governo” seja atacar as instituições, até fisicamente, ao invés de apostar no debate de ideias.

É verdade: aposta quem as tem.

O seu marketing de guerra tem gerado protestos os mais variados, inclusive internacionais, mas é preciso que as instituições vão além dos pronunciamentos formais, cobrando explicações, enquadrando o presidente e turma às normas constitucionais.

Eleito pelo povo, Bolsonaro ainda pode, embora seja improvável, entender que é presidente de todos os brasileiros, e não apenas dos tuiteiros que carecem de algo mais produtivo a fazer pelo país.

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