A Universidade Federal de Alagoas pode quebrar uma tradição democrática (tomara que não), que foi criada a partir da Constituição Federal de 1987.

A questão é a escolha do futuro reitor da UFAL.

Lembrando que em agosto houve a consulta à comunidade universitária, vencida pelo professor Josealdo Tonholo, que obteve 55% dos votos, conquistando a maioria do eleitorado nos três segmentos: estudantes, professores e funcionários da instituição.

Na sequência, vieram a atual reitora, Valéria Correia, com 31,74% do eleitorado; José Vieira, com 8,74% dos votos; e Alexandre Toledo, que ficou em último lugar, com 3,94%.

A surpresa aconteceu na última sexta-feira.

O professor Toledo, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, protocolou um documento ao Conselho Superior da UFAL em que pede que a escolha da lista tríplice, a ser encaminhada ao presidente da República – a quem caberá a nomeação do futuro reitor –, seja feita em votação secreta de cada um dos 62 conselheiros.

É uma novidade que pode quebrar uma já consolidada tradição democrática. O argumento usado por Toledo é de que a medida “visa evitar possíveis constrangimentos”.

O que tem ocorrido, desde sempre, a cada pleito, é que cabe ao candidato vencedor apresentar dois nomes – além do dele – para a “disputa” no Conselho, prevalecendo, por óbvio, a escolha do mais votado na consulta (informal, mas legítima).

Do ponto de vista legal, qualquer professor doutor da Universidade Federal de Alagoas pode se candidatar ao cargo de reitor junto ao Conselho Superior, se inscrito em tempo hábil.

Em tempos tão estranhos, como usa dizer o ministro Marco Aurélio Mello (STF), a proposta causa ainda mais preocupação: abre espaço para nomes que nem ao menos tenham disputado o voto da comunidade universitária.

Há de se ressaltar que o professor Josealdo Tonholo, com votação tão expressiva, conseguiu quebrar a polarização interna também existente na UFAL – dentro e fora da instituição, o ambiente político é em tudo semelhante.

A reunião do Conselho acontece em 22 de outubro, e cada um dos seus integrantes tem direito a escolher apenas um dos candidatos inscritos.

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