Deixemos claro: as duas vítimas eram personagens e personalidades absolutamente antagônicas.

O que têm em comum?

O fato de que foram vítimas de crimes de pistolagem, pelos quais o mesmo algoz foi condenado: o ex-oficial da PM, Manoel Cavalcante.

Mas as coincidências não param por aí: em ambos os assassinatos, covardes e bárbaros, os mandantes – e todos sabem que eles existem – nem ao menos sentaram no banco dos réus.

E assim se escreve uma parte triste da história patriarcal de Alagoas, terra dos crimes de mando sem mandantes.

As “falhas” começam na investigação e terminam no Judiciário, que se apequena, tantas vezes, diante de quem é grande.

Por essas terras, quem pode um pouco pode muito.

Juiz manda excluir nome de Lula Cabeleira como réu na morte de Fernando Aldo
Sem solução à vista, Pinheiro será herança para os próximos governos
  • Pedro Antônio

    “Nossa” justiça, nossas leis… E o dinheiro!

  • Luiz Maciel

    Que falta faz um Moro em cada Estado…. em todas as esferas do judiciário!

  • RAO

    Por lá apenas 5% dos crimes praticados transformam-se em processos e somente em 1% deles o criminoso é punido. “A impunidade é perversa”, diz Ruth Vasconcelos, coordenadora do Núcleo de Estudos sobre a Violência em Alagoas. Professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Ruth fez seu doutorado analisando dados sobre a violência no Estado em um espaço de dez anos (1998-2008) e concluiu que nada mudou nesse período. “É incrível, mas os mesmos políticos e policiais que estavam envolvidos no passado com pistolagem aparecem da mesma forma hoje”, diz.
    #tbt https://istoe.com.br/20917_FAROESTE+EM+ALAGOAS/
    Reportagem da Revista Istoé de 2009.

  • Lucas Farias

    Prezado Ricardo, a impunidade em ambos os crimes, além de outros que você corajosamente relembra para que não sejam esquecidos, está relacionada com as históricas relações espúrias entre políticos e empresários que contratam agentes das diversas carreiras policiais como milícias particulares, fornecendo proteção e garantia de impunidade para os crimes que cometem a mando daquelas autoridades. A existência da própria Gangue Fardada demonstra isso: alguns policiais e militares financiados por determinados membros da elite política e econômica que eliminavam desafetos e dominavam lucrativas operações criminosas, como extorsões, roubos de cargas, sequestros etc. O livro do jornalista Jorge Oliveira, “Curral da Morte”, que certamente você conhece, faz uma análise do poder do Sindicato do Crime em Alagoas desde o século passado e suas relações com a elite estadual. O poder das milícias não pode ser ignorado, Ricardo. O Rio de Janeiro é um exemplo: o relatório final da CPI das Milícias, presidida pelo deputado Marcelo Freixo e com a colaboração da Marielle Franco, concluiu pela denúncia de 225 políticos, policiais, agentes penitenciários, bombeiros e civis que se aproveitavam de seus cargos e posições privilegiadas na máquina estatal para dominar territórios, extorquir moradores e comerciantes e assassinar moradores. A milícia prospera onde não chega o Estado de Direito, com seus instrumentos de justiça, de pacificação social, de promoção de oportunidades e de redução de desigualdades. Basta lembrar que aqui em Maceió há conjuntos habitacionais que levam o nome de um político assumidamente chefe de milícia, acusado de inúmeros crimes mas que comanda sua comunidade com mãos de ferro. É por isso que não podemos ser tolerantes com nenhum político que tenha qualquer tipo de envolvimento com milícias. Sejamos resistentes contra os adeptos da violência física e verbal no trato de problemas sociais, de apelo à Lei De Talião (olho por olho, dente por dente), da rejeição aos direitos humanos, ao devido processo legal e às regras de civilidade, da exaltação da barbárie com ideias do tipo “bandido bom é bandido morto”, linchamentos, execuções sumárias e afins. Um abraço.

    • JEu

      Gostaria de acrescentar na lista, o combate ao crime de colarinho branco… o combate à corrupção… o combate incansável à entrega do erário público do país à alguns países ditos “alinhados” com ideologias comunistas… de resto, estou de acordo com o dito no texto só acrescentando que é preciso, também, garantir ao cidadão o direito à uma vida segura, sem ter que ser assaltado dentro e fora de sua casa… e isso não se faz somente com polícia nas ruas, pois sabe-se que não é possível aos três níveis da administração pública ter efetivos que garantam uma patrulha em cada rua 24 horas por dia, sete dias na semana…

      • Lucas Farias

        As ingerências polícias de Bolsonaro em órgãos técnicos como o COAF (já extinto e transformado em apêndice do Banco Central), Receita Federal (com troca de comando em unidades alfandegárias ameaçadas por atividades de milícias https://www.google.com.br/amp/s/oglobo.globo.com/brasil/delegado-da-receita-alerta-sobre-sua-possivel-substituicao-pedido-de-bolsonaro-em-area-ameacada-pela-milicia-23884766%3fversao=amp), exonerações em postos de comando da Polícia Federal para evitar o avanço de investigações sobre atividades criminosas de milícias https://www.google.com.br/amp/s/www1.folha.uol.com.br/amp/poder/2019/08/bolsonaro-atropela-policia-federal-e-anuncia-troca-de-superintendente-no-rio.shtml, e o anúncio do Bolsonaro de que não nomeará para a Procuradoria Geral da República o mais votado na lista tríplice do MPF, tornam evidente que o interesse do governo eleito é o de desmantelar a autonomia investigativa de órgãos de controle e de fiscalização, nomeando aliados e apadrinhados, com o receio de que continuem a descobrir mais evidências contra a família presidencial. Fora isso, é realmente necessário o combate constante à entrega do erário, da riqueza e do patrimônio nacional a potências estrangeiras, ao capital privado internacional e a corporações multinacionais por preços aviltantes, abaixo do valor de mercado e em flagrante prejuízo às necessidades estratégicas e de segurança nacional do povo brasileiro, ao contrário do que lamentavelmente o Bolsonaro tem feito com as nossas reservas de petróleo e gás natural (os recursos do Pré-Sal deveriam ser destinados à educação, conforme aprovado nos governos “comunistas” do PT), nosso sistema energético, nossa infraestrutura de portos e aeroportos, nosso sistema de Correios e até mesmo nossa capacidade de imprimir nosso próprio dinheiro (já se anunciou a privatização da Casa da Moeda). https://www.poder360.com.br/governo/conheca-a-lista-de-17-estatais-federais-que-bolsonaro-vai-privatizar/. É de fato um grave problema que causa indignação em qualquer um com um pouco de patriotismo e de senso de responsabilidade estratégica.

        • JEu

          Também não se pode ter estatais somente para servir de cabide de emprego para pessoas desqualificadas e que só tem interesse em receber graciosamente um salário sem a devida retribuição em trabalho, com prejuízos para a empresa e, logicamente, para o erário público. As empresas públicas existem também para dar lucro, seja para sua subsistência sustentável, seja para investimentos. Lógico que esses lucros não podem e não devem ser exorbitantes, mas tem que existir o lucro, para não ficar na dependência do erário nacional.

          • Lucas Farias

            As estatais brasileiras não dão prejuízo e não servem de cabide emprego a um monte de parasitas. Só no primeiro semestre deste ano houve um aumento de 57,5% de lucro em relação ao ano passado https://www.google.com.br/amp/s/economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2019/08/01/lucro-das-principais-estatais-federais-sobe-575-no-1-tri-para-r-246-bi.amp.htm. Os funcionários de carreira que trabalham nas estatais se submetem a rigoroso concurso público, não são apadrinhados. Há, porém, cargos direção que são negociados como barganha política, é isso que deve ser combatido. É falso generalizar os funcionários das estatais como ineficientes e é um equívoco privatizar uma estatal lucrativa por causa da conduta de algumas pessoas. É jogar a água do banho com a criança dentro. É preciso ter discernimento, sem paixões ideológicas, buscar mais informações de qualidade (não fakenews) para fazer uma análise mais adequada da situação.

  • Maria

    Sobre a representação da justiça: A venda é a imparcialidade, A balança: Equilíbrio e ponderação, A espada é força. Millor Fernandes tinha outra interpretação: “A justiça é cega, sua balança desregulada e sua espada sem fio.” São Miguel Arcanjo, Rogai por nós!

  • Lagar dos Tempos

    Sr. Jornalista,

    Uma crônica perfeita. Parabéns!

  • sertanejo cagota

    Isso é uma fala de uma irmâ do cabo Gonçalves:
    “Ana Maria atribuiu o crime a uma trama envolvendo os deputados João Beltrão, o apontando como mandante do crime, Francisco Tenório, que teria dado um vale abastecimento à vítima, usado no dia do crime, e Antônio Albuquerque, que teria participado de uma reunião em uma de suas propriedades na cidade de Limoeiro de Anadia.”
    Mandante tem até demais, só que se fixaram apenas em uma pessoa: ex cel. Cavalcante.

  • JEu

    É bem verdade, RM, que por estas bandas caetés ( e por que não dizer, no país inteiro…) o ditado que impera é o seguinte: manda quem pode, obedece quem precisa e tem juízo… e bem sabemos que aqueles que muito se beneficiam de alguma maneira ilícita, do erário público, seja recebendo “vantagens diversas” desde o não recolhimento de taxas e impostos devidos; seja colocando a mão ilicitamente em recursos públicos através de maneiras diversas tais como: licitações, contratos e aditivos, folhas fantasmas, etc, etc, etc… normalmente reagem de maneira violenta quando são “ameaçados” de perderem suas “boquinhas”… e assim foi o que aconteceu com o Sílvio Vianna, que, no momento de grande aperto do Estado (crise do último governo Suruagy), tentou trazer à tona e cobrar dívidas gigantescas para com o erário público, principalmente relacionadas com “empréstimos” no extinto Produban ou Banco do Estado de Alagoas… e outros casos de não pagamento de ICMS, etc, etc, etc… e deu no que deu… só ele pagou com a vida sua coragem de enfrentar o status quo destinado a beneficiar clãs, famílias, e empresas em funcionamento no Estado… já o Cabo Gonçalves, tudo, ao que parece, não passou de mera “queima de arquivo”…

  • SEBASTIÃOIGUATEMYRCADENACORDEIRO

    RESUMO DA ÓPERA : TERRA SEM LEI E SEM JUSTIÇA . . . TERRA DE BANDIDOS !!! ( TENHO DITO , NÃO !? )