O presidente Jair Bolsonaro está inaugurando um novo jeito de mudar a equipe de governo: o método é a demissão com aviso prévio. Às vezes, até, com requintes de crueldade, como aconteceu com o ex-presidente do BNDES, Joaquim Levy – humilhado, antes de ser defenestrado.

É lembrar que pela caneta presidencial, na linha do “a fila anda”, já passaram Gustavo Bebbiano, ex-homem de confiança de Bolsonaro; o obscuro professor Ricardo Vélez Rodriguez, que nem ao menos esquentou a cadeira de ministro da Educação; e o general Santos Cruz, que era responsável pela Secretaria de Governo do Planalto, tido e havido como amigo do presidente, como se presidente – ou o poderoso de plantão, qualquer um – tivesse amigo (filhos, sim).

O caso do ministro Floriano Peixoto entra na pasta dos que saíram de ganso a pato.

Em todos esses casos, a que ainda se soma o do general-sindicalista dos Correios – assim definido por Bolsonaro – houve, sim, aviso prévio da demissão. Sempre pela imprensa, o exonerado ficou sabendo que seria descartado.

Cabe ao chefe de governo escolher com quem quer trabalhar e formar a equipe que bem lhe apetece – e isso é a mais pura verdade.

O que chama a atenção, e destoa um tanto da história de demissões de ministros e assessores diretos dos vários presidentes brasileiros (Cristovam Buarque foi outro humilhado, pelo ex-presidente Lula), é que os defenestrados se submeteram à humilhação pública, sem condições de reabilitação.

Simplesmente saíram do governo e, estou convencido, outros seguirão no mesmo caminho: “O homem é o estilo”, numa frase muita cara aos franceses.

Acho, entretanto, que ninguém pode dizer que foi enganado pelo presidente Bolsonaro: ele é e sempre foi assim – intempestivo e emocional.

E coube a ele próprio desmontar um mito que vinha sendo construído no início do atual governo: o de que há ministério de porteira fechada.

Que bobagem (Moro que o diga)!

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  • Adilio Faustini

    Joaquim Levi não foi defenestrado, se auto defenestrou, foi tarde o ex secretário da fazenda do Rio quebrado de Janeiro, Ricardo Velez era muito bonzinho para lidar com com um MEC aparelhado até o talo,O General ex Presidente dos Correios foi indicado por Kassab em Dezembro de 2018, e o Diretor de Operações dos Correios também ex presidente dos Correios também indicado por Kassab, também deve ser olhado com carinho pela equipe do Bolsonaro.Sou a favor que os Correios não deve ser Privatizado, nunca deu prejuizo desde quando faturava 3 bilhões, hoje fatura 22 bilhões e dá prejuizo? Foram as más gestões petistas que levaram a E,presa e seu Fundo de Pensão a ser deficitária. Os Correios prestam uma importante função para a saúde do povo brasileiro, muiyos exames de saude de pequenas vidades do interior são feitos nas Capitais ou em São Paulo envianfo amostras recebendo resultados pelos Correios e um elo de ligação de todo território nacional para alavancar as pequenas Empresas e consumidores, a maioria das transportadoras privadas captam encomendas e as enviam para cidades que elas não cobrem via Correios.

  • Carlos

    Falar do Bolsonaro e esquecer os governos anteriores é no mínimo uma perseguição pessoal do que técnica. Já tinha esquecido do que Lula e sua tropa perversa fez com Cristóvão Buarque e Heloísa Helena….Boa lembrança RM!

  • Lucas Farias

    Prezado Ricardo, lamentavelmente, não foi esta a única inovação de Bolsonaro. É a primeira vez na história democrática do país que temos uma família presidencial suspeita de envolvimento com atividades criminosas de milicianos. Reportagem que saiu na Veja desta semana explora isso (essa revista não pode ser acusada de “petismo bolivariano”): “Em meio aos mais de 20 boletins de ocorrência e à dezena de inquéritos em que Queiroz aparece, há pelo menos dois supostos autos de resistência com sua participação. Um ocorrido em 2002 e o outro em maio de 2003, pouco depois dele conhecer Adriano nas fileiras do 18º Batalhão, em Jacarepaguá, onde trabalharam juntos por apenas seis meses. Os laços de amizade daquela época, no entanto, foram intensos: anos mais tarde, Queiroz recrutou a mãe e a esposa do miliciano, que à época já era notório no submundo do crime, para trabalharem com ele no gabinete de Flávio Bolsonaro, quando este ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro. Ambas são suspeitas de fazerem parte do esquema investigado pelo Ministério Público que apura se Queiroz comandava um esquema de coleta e repasse de dinheiro público dentro do gabinete do “01”.” https://veja.abril.com.br/politica/ficha-corrida-de-fabricio-queiroz-tambem-tem-agressao-e-mortes/?utm_source=whatsapp

    Mas o presidente Bolsonaro também inaugurou, com seus apoiadores, a era do besteirol, com intrigas, ignorância e violência pautando as ações do governo. São as palavras do próprio general Santa Cruz (seria ele um espião bolivariano?), ministro demitido da Secretaria de Comunicação pela força do olavismo espraiado nas redes (anti)sociais: “Se você fizer uma análise das bobagens que se têm vivido, é um negócio impressionante. É um show de besteiras. Isso tira o foco daquilo que é importante. Tem muita besteira. Tem muita coisa importante que acaba não aparecendo porque todo dia tem uma bobagem ou outra para distrair a população, tirando a atenção das coisas importantes. Tem de parar de criar coisas artificiais que tiram o foco. Todo mundo tem de tomar consciência de que é preciso parar com bobagem”. https://www.google.com.br/amp/s/epoca.globo.com/e-um-show-de-besteiras-diz-general-santos-cruz-sobre-gestao-bolsonaro-23753114%3fversao=am
    Tempos sombrios, Ricardo. Um abraço.

  • Jovem eleitor

    Grande texto, Ricardo!
    Parabéns pela coerência e sensatez de sempre. Nessa era dos ânimos a flor da pele, manter-se na racionalidade é uma ação venerável. Grande abraço!

  • Brandolim

    Boa tarde Ricardo! Estamos diante de um governo atrapalhado, sem projetos para o país e que não conseguiu um mínimo de articulação com o congresso nos seus 06 primeiros meses. Não conseguirá entregar ao “mercado “aquilo que prometeu e sera engolido pelo mesmo. Perde tempo nas sociais
    Com uma agenda de costumes extremista, enquanto questões reais que afligem nosso povo são deixadas de lado. Opa, “mas claro que a reforma da Previdência irá resolver tudo”.