Caberá ao juiz Sebastião Vasques, da 4ª Vara da Justiça Federal em Alagoas, decidir a partir de agora as questões envolvendo a Braskem e as alterações geológicas no Pinheiro, Mutange e Bebedouro – que prejudicaram e prejudicam milhares de famílias em Maceió.

A não ser que ele próprio, o experiente magistrado, decida fazer retornar à Justiça Estadual a ação que tramitava por lá até sexta-feira da semana passada. O que parece improvável a esta altura. Este é o primeiro ponto que precisa ser esclarecido.

O segundo, e não menos importante: a mesa de negociação comandada informalmente e com muito boa vontade pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Tutmés Airan, pode, sim, até ajudar a população dos três bairros afetados.

Mas a Braskem garante que não está esperando o novo Mapa de Risco para dar início às conversações com os moradores do Pinheiro, Mutange e Bebedouro, visando futuras indenizações – nada disso.

Neste momento, que fique claro, a empresa está apenas se propondo a ajudar na solução dos problemas emergenciais. Sem que isso represente – para ela – assumir a responsabilidade pelas modificações geológicas identificadas pela CPRM, com as consequências já conhecidas.

Aliás, este é o terceiro ponto que precisa ser esclarecido: a Braskem afirma que ainda está esperando que a CPRM encaminhe os dados técnicos e anexos que embasaram o laudo ou relatório apresentado em Maceió, no último dia 8 deste mês.

Ou seja: a mineradora do sal-gema quer confrontar o resultado dos estudos realizados pelo Ministério das Minas e Energia com aqueles que a empresa encomendou a outros especialistas.

Eis uma discussão ou embate jurídico que está apenas começando. É uma pena, mas é a realidade.

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Braskem diz que CPRM ainda não entregou 'anexos' que embasaram laudo do Pinheiro
  • Alagoano T

    A empresa tem o direito legal de se defender e o fará. Vamos ser realistas, quem de nós não se defenderia de qualquer ação contra a gente? Agora cabe à justiça agilizar ao máximo , dentro da lei, para que os prejudicados sejam indenizados. Fora disso nada mais haverá, isso é a lógica fria e o resto é apenas emoção e compaixão, infelizmente.

  • JEu

    O que precisa ser sempre enfatizado é que, se há problema para as finanças da empresa e de seus acionistas, o prejuízo maior sempre pende para o lado do mais fraco, no caso os cidadãos proprietários de imóveis e negócios nas áreas atingidas… e além das perdas e danos materiais tem ainda, e muito, o problema emocional, pois a insegurança sobre o futuro ronda a mente de muitas famílias, principalmente aquelas que tem como único imóvel o que possui na região… por isso é que alguém precisa assegurar a esperança e algum conforto material e emocional para essas pessoas, antes que casos graves de desespero comecem a acontecer entre essas pessoas… então, que tenha compreensão, compaixão e se coloquem no lugar dessas vítimas da atividade de mineração do sal-gema, combinada com fatores geológicos (com certeza conhecidos pela empresa desde há muito tempo…) na região…

  • Morador de Bebedouro

    SINCERAMENTE TODA ESSA QUESTÃO. ENVOLVENDO ESSA EMPRESA DO DEMÔNIO, ESTÁ CAMINHANDO PARA UMA GRANDE PIZZA. TAMBÉM ACHAMOS QUE, TODA ESSA DEMORA PARA A DEFESA CIVIL LIBERAR O NOVO MAPA DE RISCO. TEM ALGO NEGRO SENDO NEGOCIADO, ENTRE PREFEITURA, GOVERNO E A FAMIGERADA BRASKEM. CABE AO MP E DP, FISCALIZAREM. É LAMENTÁVEL TUDO ISSO QUE ESTAMOS PASSANDO!

  • WAL

    Alguém já ouviu os responsa´veis do IMA, a época, em que a BRASKEM, recebeu a licença, para afundar o solo Maceioense ????
    Duvido…
    SÓ DEUS NA CAUSA.

  • Andre

    Na época do Código de Talião o Homem pensava duas vezes antes de cometer um mal desse tamanho a outro Homem.

    Hoje, ahhh!! Hoje não tem ninguém, nem haverá de ficar sequer preso!!
    BRASIL.

  • Autônomo

    CONCLUSÕES
    Estudos sobre a instabilidade do terreno nos bairros Pinheiro, Mutange e Bebedouro, Maceió (AL) Volume II – Relatórios Técnicos. I. Geofísica – Eletrorresistividade
    Os resultados obtidos evidenciam que, diferentemente do que se esperaria encontrar em uma bacia sedimentar, as camadas geoelétricas não estão dispostas de maneira horizontalmente estratificada. Constatam-se importantes descontinuidades geoelétricas verticais e horizontais no substrato das linhas estudadas, indicando que tal substrato sofreu ou vem sofrendo alguma atividade que provocou tal alteração.
    O estudo indica que pode estar havendo percolação de material fluido superficial por zonas preferenciais da parte superior do solo para o aquífero. Estas zonas preferenciais estariam possivelmente associadas a falhas e/ou fraturas localizadas nestas regiões. O fluxo deste material, em grande volume e localizado em pontos específicos, acelera o processo de erosão e lubrificação das fraturas e/ou falhas, deixando o solo friável, descompactado e instável. Este fenômeno provavelmente é efeito de outra condição que favoreceu e potencializou o aparecimento destas zonas preferenciais de percolação de fluidos. Como se trata de um método indireto, toda interpretação necessita de confirmação direta.
    RECOMENDAÇÕES
    Visando mitigar os efeitos deste fenômeno, se faz urgente realização de obras de drenagem e saneamento em toda região, de modo a evitar que águas pluviais e o esgoto acelerem o processo erosivo do solo e contaminem o aquífero e a lagoa.
    Intensificar as vistorias da defesa civil nas projeções das zonas condutivas. Monitorar a qualidade da água do aquífero superficial.