É claro que não é fácil lidar com informações sustentáveis nesses tempos de redes sociais, em que não se respeita ao menos uma meia-verdade.

Para começar: o Ministério Público Estadual e a Defensoria Pública não pediram o encerramento das atividades de mineração da Braskem em Alagoas – para o todo o sempre.  Nada disso. O que as duas instituições reivindicam, com base no laudo da CPRM, é a interdição de quatro poços de extração do sal-gema, até que se prove e comprove que não há riscos para a população.

Aliás, MP e Defensoria deixam claro que o objetivo não é acabar com uma atividade econômica importante, mas sim garantir aos moradores dos bairros atingidos pela tragédia urbana que eles não corram mais riscos nem tenham mais danos do que já tiveram.

Por outro lado, é importante destacar que a Braskem não está fechando as portas em Alagoas – e isso é bom. A empresa anuncia que está paralisando as atividades neste momento, o que me parece prudente, até que as coisas fiquem mais claras. Fora isso, seria pura chantagem com a já tão sofrida população alagoana.

A Braskem tem interesse de continuar operando em Alagoas porque aqui há fartura de matéria-prima, de ótima qualidade, o que é raro, não se acha em qualquer buraco. Estamos falando, nesse caso, de negócio, não de afetos.

Se é possível continuar a mineração? O próprio Thales Sampaio, geólogo e chefe da equipe da CPRM que fez o laudo sobre a situação de Maceió, já disse que sim. Mas as condições, agora, deverão ser outras, considerando a existência dos acidentes geológicos já identificados, com a adoção de medidas rigorosas de controle e acompanhamento da exploração do sal-gema. E, acima de tudo, atuando com transparência absoluta.

Gente merece sempre ser tratada com respeito.

JHC foi uma das ausências mais notadas na divulgação do laudo da CPRM
O cientista que previu há 40 anos os danos da mineração do sal-gema
  • WAL

    A defesa da BRASKEM, vai ser essa; encerrar suas atividades em Maceió, e jogar os proximos vechames, como: DESEMPREGO, nas mãos do povo que pede seu fechamento , para as mãos dos promotores e do governo .
    Simples assim…
    É BRASIL… terra do MAX BELTRÃO e ARTUR LIRA, viram a lambança de ontem na votação no congresso ???

  • JEu

    Excelente comentário, RM… creio que o caminho deve ser esse, porém que a empresa assuma logo sua culpabilidade e se disponha a iniciar, imediatamente, as negociações individualizadas para ressarcir os prejuízos de todos os moradores e negociantes das áreas atingidas… e que, depois, compre toda a área, passe uma cerca, faça um cinturão verde e adote as medidas cabíveis para garantir e manter a estabilidade do solo… então, que continue com suas atividades lucrativas de extração do sal-gema… Já os governos federal, estadual e municipal devem adotar as medidas para a ampliação da orla lagunar até o bairro do Fernão Velho, para garantir a mobilidade e acessibilidade necessária na região, incluindo uma nova rota para o VLT e manter, através dos órgãos especializados, uma fiscalização mais qualificada das atividades de mineração, promovendo, ainda, a necessária transparência dos laudos e avaliações realizadas, com o conhecimento para o público em geral… façamos essas pequenas coisas e tudo vai dar certo…

    • breno

      Eita JEU vc acredita mesmo que a Braskem vai negociar indenizações e ressarcir algum prejuízo? Ou será que ela vai deixar o processo se arrastar na justiça por décadas e o tempo correr em seu favor?

  • Luiz

    Caro Ricardo.
    Análise friamente o quadro geológico da região das minas, até um leigo de baixo conhecimento sobre o tema percebe claramente que todas os 35 poços estão comprometidos, ou seja, em toda sua extensão de lavra existem cavernas que há 40 anos se retira salgema e não se repõe nada para sustentar o teto das cavernas.
    Ora meu caro, você ainda acredita que a Braskem poderá continuar com a extração de salgema na região do Pinheiro, mutange e Bebedouro? Acho muita inocência de quem acredita nessa possibilidade.

  • Zé MCZ

    Caro Ricardo,
    Continuar com a exploração é um risco imenso, mesmo a Toupeira S/A utilizando as práticas de análise geológicas, como ela mesma afirma veementemente nas notas oficiais e que não evitou o enorme problema. Teve que a CPRM comprovar o inegável. Se a empresa continuar com a exploração apenas irá ampliar o raio da área de risco que vemos no mapa. Aí quando estiver a ponto de chegar ao Aldebaran vão alertar: Êpa, aqui não!
    Ou quem sabe, darão um jeito de se mudarem para outro lugar. Afinal, o dinheiro é o que há de mais importante, para quem a vida das pessoas é irrelevante, como estamos constatando com essa tragédia que, se não foi anunciada, estava adormecida e a própria Salgema, Braskem, todos os dirigentes envolvidos nesse crime fecharam um pacto. Cada um deles ganhou o seu naco, uns bem mais outros bem menos e deixaram para o resto dos maceioenses tapar os buracos. Tudo em nome do progresso, mais empregos, mais impostos, etc.
    E ninguém se importou foi com o retrocesso…
    É isso! O show (Braskem) tem que continuar!
    Show de…

  • Anderson

    Alguém por favor , belisca Jeu quê ele tá sonhando!

  • Carlos

    Alagoas, não merece tanto descaso os Bairros do Pinheiro, Bebedouro e Muntangem, onde milhares de famílias estão sendo destroçadas e uma empresa sedenta por lucro e pouco se importante para vidas humanas, que arrastar o problema por via justiça que dura anos e muito morrem pela espera e pelo momento que sendo vivenciado de maneira cruel. Vem agora outra noticia horrível como até estado trata a vida do cidadão pobre dos pobres. O cabo Jonhnerson simões Marcelino, é graduado a terceiro sargento da briosa polícia das Alagoas. Os requisitos da LEI ESTADUAL,NÚMERO 6.514/2004.É aplicado nas seguintes situações . Bravura,tempo de serviço ou invalidez permanente.” Ele merece”?…Olha a situação do militar da briosa das Alagoas é acusado de matar dos irmãos que eram deficiente mentais e um pedreiro pai de família, que ia para o trabalho e estava “no local e na hora errada” e foi atingido pelas balas do policial atirador. Pasmem o que o “heroi ” fez para justificar a ação e enganar a justiça plantou ou melhor colocou arma na mão da vitimas para justificar os crimes… Se estado fecha os olhos para uma situação dessa imaginem uma empresa de fora que só visa os milhões de rais. Cada um que tire as sua conclusões.

  • Gilberto Silva

    O que o pessoal não entende é que as unidades de Alagoas correspondem apenas a 3% do faturamento global da empresa. Paralização de extração não torna viável a manutenção das fábricas operando pois teriam que comprar sal de outro local o que tornaria o custo de produção mais caro. Não é chantagem, são números, a Braskem pode ser importante para o estado, mas como todo bom capitalista a empresa e os acionistas vão visar o lucro em primeiro lugar podendo sim fechar as portas no estado e deixando mais de 20 mil famílias sem emprego.

  • Carlos

    O que deve serem convocados para esclarecimentos os ex-secretários do meio ambiente (IMA),para serem ouvidos dos critérios usados para a perfuração do poços para extração da matéria- prima.

  • Luiz Henrique

    Bom dia Nobre Jornalista. Em momento algum, você vê ou ouve algum representante da Braskem dizer que vai negociar com os moradores. Apenas disseram que iam embora. Seria lamentável, para o estado, como também para eles, pois como você bem mencionou, a matéria prima que eles retiram de nosso estado é boa, e tão boa, que mesmo sabendo dos problemas e prejuízos, continuaram retirando esse tempo todo. Ainda bem que houveram mudanças no País, pois, fosse em outros tempos, jamais a Odebrecht seria a culpada em laudos, até por que era a maior envolvida no esquema de propina que ultrapassou até às fronteiras do Brasil. Já imaginou, se fosse nos governos anteriores ? O laudo diria que a culpa era da Natureza, e aí teríamos que ficar calados, como sempre foi em tempos de outrora. Bom, defendo uma tese comigo: “Tudo aquilo que já vivi sem, consigo viver d novo.” Antes de possuí carro, sempre andei de ônibus, e vez por outra, ando de ônibus para nunca esquecer as minhas essências. Uso telefone móvel, mas aos finais de semana o coloco no modo avião, pois sobra muito mais tempo para a família, então, se a Braskem for embora daqui, fará falta, mas acho que o estado sobreviverá sem ela. É até bom, pois quem sabe nossos representantes criam situações para trazer novas empresas ? E de preferência empresas que não gerem prejuízos !
    Semelhante a você, lamento pelos que lá trabalham, tenho amigos que exercem altos cargos lá, mas por outro lado, não posso deixar de olhar para os que como eu, tiveram suas vidas reviradas pela irresponsabilidade desta empresa, dos órgãos e autoridades que na época, deixaram ela operar aqui, mesmo sabendo que foram alertados para o perigo futuro.

  • Morador de Bebedouro

    Que o povo de Maceió, não se engane. Essas crateras não estão restritas apenas aos 3 bairros atingidos. Dr. Tales da CPRM, foi muito claro. Essas crateras estão crescendo de forma assustadora e sem controle. Ou seja atingindo outros bairros de Maceió. Então essa maldita empresa tem que parar, pra sempre e em definitivo suas atividades. Antes que a Capital de Alagoas tenha que se mudar para outra localidade. Porque a Jazida de Sal está em Maceió. Apenas a falha geológica passa pelo pinheiro. A própria braskem, na audiência do senado. Afirmou que pode buscar o sal, em qualquer localidade da cidade. Porque eles tem tecnologia para isso. Portanto não se enganem. QUANTO AS MULTAS APLICADAS PELO “ATUANTE IMA” Essas foram aplicadas apenas para satisfazer a sociedade alagoana. Porque esse DH nunca entrará nos cofres do estado. Lembram da SAMARCO (vale) em Minas Gerais. R$ 450.000.000,00 multa aplicada pelo IBAMA. Há 5 anos atrás, até hoje ela não pagou 1 centavo a união. Agora se fosse a padaria do “TONHO’ esse estava ferrado fechamento na hora. Ou as redes já costuradas dos pescadores.

  • Johann Sebastian Bach

    É crime defender quem está destruindo uma capital!!!
    O crime que a mineradora fez com a conivência dos nossos inúteis políticos é infinitamente maior do que se imagina!!!
    É uma questão de sobrevivência, é ela ou nós!!!

  • Ismênia Albuquerque

    Ficaremos mais pobres sem a BRASKEM? Ficaremos, mas pelo menos teremos um chão sob nossos pés. É um ciclo que se encerra, acabou a ilusão de que a extração do sal gema seria a redenção de Alagoas. E acabou muito mal.

  • Maria José da Silva

    Se a BRASKEM não estivesse se instalado aqui, para manter uma boa parte da economia, onde se tem mais de vinte mil pessoas dependendo dela, como viviam todos antes?
    É preferível a sua produção, mão de obra, seu lucro, e que as pessoas nessa área de risco, pouco importa para todos, (seus sócios milionários, políticos, justiça enfim)
    Moro no Edif. Mariana Portela, e…o ano passado aqui, tremeu!!!! E aí????

  • Alagoano T

    Uma dúvida, a Braskem chegou antes ou depois da área do Pinheiro se tornar bairro?

  • junior

    moro no bairro do pinheiro, nao sei se minha residencia foi afetada pois nao vi um mapa claro da regiao. e so acho que a culpa nao é so da brasken, pra um empresa explorar qualquer coisa existe uma grande quantidade de licencas e projetos para que possa operar… e se o estado e municipio liberou eles devem ser responsabilizados igualmente. se alguem na epoca recebeu pra liberar as licencas que sejam punidas tb. entao que sejamos justos na procura dos responsaveis. sem falar da precaridade dos sistema de esgoto da regiao, antigo e sem manutençao, sei que meu condominio paga por unidade quase 50 reais pra uso do ‘saneamento’. culpar a brasken foi a resposta mais rapida pro problema

  • Autônomo

    Meus caros….
    Vocês são geólogos e engenheiros?
    Deixem isso para os especialistas….
    No Japão treme quase todo dia….
    Uma discussão idiota ….

    O cara que ditou o laudo, disse que tem jeito…ponto final ….ninguém vai querer que tudo afunde…

    Se essa empresa fechar…acabou o estado….tudo falido …Aí vcs vão vê o que será crise …..

  • Morador

    Braskem vai encerrar as atividades porque tem uma parada geral já programada. Daí vao chantagear o governo com essa parada.

  • Observador

    ATÉ AGORA, EU NÃO ENTENDI UMA COISA : SE OS BAIRROS DO BEBEDOURO, MUTANGE E PINHEIRO REALMENTE CORREM RISCO DE AFUNDAMENTO, ENTÃO, POR QUE NÃO SE DEFINIR LOGO, A RETIRADA DO PESSOAL DA CHAMADA ÁREA DE RISCO? OU ENTÃO, SE DEFINIR LOGO, COMO E QUEM DEVERÁ PROCEDER COM O PREENCHIMENTO “DAS CAVERNAS”, CONFORME EXPOSTO EM REPORTAGEM FEITA COM UM ESPECIALISTA NO ASSUNTO? O QUE SE LER NOS NOTICIÁRIOS É QUE DETERMINADOS ÓRGÃOS SE REUNIRAM E DEFINIRAM UM PLANO DE EVACUAÇÃO! PERAÍ, E SE PORVENTURA OCORRER UM PRINCÍPIO DE TRAGÉDIA DURANTE UMA MADRUGADA? TENTAR SE EVACUAR DURANTE O DIA É “UMA COISA”, MAS, SE TENTAR EVACUAR DURANTE A MADRUGADA É “OUTRA COISA”!

  • Oswaldo Ramos

    Estou notando uma certa complacência do governo e do judiciário para com a Braskemp. Noto também a preocupação do articulista pela permanência da Braskemp no Estado. Gostaria que a empresa continuasse o seu trabalho aqui com sob condição severa de não causar danos ambientas como o que vem causando. Os moradores do Pinheiro não querem agora uma segurança que se tornou impossível. Eles querem o ressarcimento do prejuízo que tiveram, pois os locais abandonados não poderão mais ser reparados. Talvez daqui a 10 ou vinte anos, se a prefeitura tiver dinheiro para bancar os reparos que custarão muitos milhões. Talvez bilões. Eles precisam ter a sua casa não inferior a que tiveram antes das rachaduras.