Reação da Braskem foi frustrante, principalmente como aceno ao futuro dos moradores dos bairros atingidos pela nossa mais recente tragédia urbana.

A solidariedade a estes é positiva, mas ao apontar para a necessidade de analisar e comparar o laudo da CPRM com os estudos dos profissionais que ela mesma contratou, omitiu uma posição que seria necessária, já agora: a empresa afirmar, textualmente, que vai assumir todas as suas responsabilidades na situação (como fez André Vieira, diretor nacional da Braskem, em entrevista a este blog).

O que isso pode significar?

Uma longa batalha jurídica. O texto integral do laudo não pode abrir espaço para especulação no campo jurídico, que só tem começo, com final imprevisível.

E, cá pra nós: a apresentação dos estudos encomendados pela empresa às vésperas da divulgação do laudo da CPRM – quando houve o adiamento – não foi exatamente algo que mereça elogios.

Acho importante a permanência da Braskem em Alagoas, mas começar uma nova relação tem de ter como base a sinceridade e confiança.

O cientista que previu há 40 anos os danos da mineração do sal-gema
Qual será o futuro da Braskem em Alagoas?
  • JEu

    Acho muito difícil, nesse meio da atividade econômica, que exista uma relação com base na “sinceridade e confiança”… se não entrar os “lucros”, nada mais vale… é como na atividade politiqueira: se não entrar a vantagem dos votos, também não há “sinceridade e confiança”… afinal, esse, ainda, é o caráter da nossa humanidade: egoísmo, vaidade e orgulho… e amor ao próximo passa a muitas “léguas” de distância… infelizmente… gostaria de pensar que tudo seria diferente… e que a Brasken (leia-se, Odebrecht…) fosse capaz de demonstrar alguma compaixão pela dor alheia… mas só olham para os próprios bolsos, tudo indica… assim, restará ao povo fazer valer o dito Constitucional: todo poder emana do povo…!!! e não adianta a Brasken dizer que precisa de tempo, pois tudo começou a se deteriorar há cerca de um ano atrás, e o povo é quem está sofrendo as consequências das atividades da empresa…

  • Luiz

    Caro Ricardo.

    O que acho interessante nisso tudo é que um engenheiro alagoano onde em épocas passadas foi Presidente do IMA o qual se diz “entendido” no assunto, elaborou um “estudo profundo” com data de 27/03/2019 que está circulando nas redes sociais sobre o tema “ Pinheiro – O Intrigante caso de movimentação do terreno“ em suas conclusões apontou a risível causa: “…rebaixamento de águas subterrâneas somadas à rupturas de galerias e sumidouros, e eventuais vazamentos de água…”
    Ora, seria trágico se não fosse cômico, era muito melhor ter ficado calado para não passar um vexame de tamanha ordem.

  • Adson Freire

    Prezado Ricardo, creio ser muita ingenuidade, para usar uma terminologia mais amena, você achar que a Braskem deva continuar prospectando o salgema sob Maceió. Tudo isso fundado em uma “nova relação” que “tem de ter como base a sinceridade e a confiança”. Acho que você já está bem crescidinho para acreditar em fadas, duendes, papai Noel e na Braskem. 45 anos de ocultamento de um problema tão sério não são 45 dias. Sinceramente…