As bondades nem sempre são caixas que guardam a beleza daquilo que chamamos “vida”. Para uns, ela é apenas um registro da existência sorteada pelo destino, ora pelo acaso de um caso, ora pelos planos de quem deseja herdeiros; para outros, a única moradia da consciência. Nem antes e muito menos depois ela (chamem-na de vida, apenas como guia semântico) se enquadra como morada da existência. Sim, muitos fazem dela um álibi para esconder seus pecados – não os religiosos, mas os humanos, mesmo, como se a usassem para os fins tenebrosos na certeza do perdão divino. Daí todo tipo de arrependimento, numa clara demonstração de que os desacertos podem ser apagados neste universo esférico cheio de mares, plásticos, automóveis, túmulos e bosta.

Muitos têm a vida – vista por entre as frestas de uma soleira oblíqua – como uma surpresa. Para esses cépticos, ela simplesmente se faz como explosões da natureza – não se refaz e não passa de folhas ao vento; para os crédulos, trata-se de um presente divino que será devolvido ao ser supremo no juízo final. Uma intriga que se resume no seguinte: a vida, para uns ou para outros não escapa da dolorida sentença de que é aquilo que existe enquanto consciência ativa. Sem a armadura de Dostoievski em que “a existência humana reside não só em viver, mas também em saber para que se vive”, o bagaço que sai da mistura heterogênea entre felicidade e tristeza humanas apenas tem sua serventia ou sobejo nos olhos e nas mãos daqueles que ficam ainda plantados neste torrão sem fim. Assim, nesse irônico torpor, a vida existe muito mais para outrem do que para quem é dono dela. Salvam-se aqui todos os incrédulos e condenam-se ao eterno sofrimento da consciência os que, por fim, acreditam numa prorrogação. Todos, por certo, mesmo com seus distintivos desfraldados, sabem do contentamento que os detém em suas próprias histórias.

Quem observou as palavras do narrador-personagem Rodrigo S.M. sobre a morte de Macabéa, personagem alagoana magra e pálida de Clarice Lispector em A Hora da Estrela (uma obra imperdível), sabe que a vida “está por enquanto solta no acaso como a porta balançando ao vento no infinito”. O mesmo narrador crava seu punhal na alma raquítica da mocinha já levada pela brisa cinzenta da existência: “Eu poderia resolver pelo caminho mais fácil, matar a menina-infante, mas quero o pior: a vida.” Tarde demais! Quem teve a vida jogou-a no colo dos que ficaram ou na conta sagrada de quem a criou. “É o macio gato estraçalhando um rato sujo e qualquer, a vida come a vida”.

– E agora — agora só me resta acender um cigarro e ir para casa. Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre.

(Clarice Lispector).

Breves notas sobre o que virá
2018: o ano em que o Brasil foi dividido entre "fascistas" e "comunistas"
  • JEu

    Bom, prefiro acreditar na Vida… o cepticismo é como um câncer que corrói as mais puras esperanças de uma humanidade melhor… a vida puramente biológica é algo muito pequeno para o verdadeiro “ser” preexistente e sobrevivente… realizando sua trajetória ascendente num ir e vir quase infinito… nestas e noutras paragens espalhadas pelo Universo… o Criador é muito mais prodigioso que a simples “via láctea” que enxergamos nas noites mais profundas, principalmente quando não temos a luz artificial das grandes cidades para nos ofuscar o esplendor do mais além do que este pequenino grão de poeira que habitamos no momento… parodiando um filósofo diria: crer ou não crer, eis a questão…!!! e não se trata aqui de crer por que nos disseram… e sim de crer porque finalmente “entendemos” os objetivos e os fins da vida nos mundos mais materializados… universos sem fim, paralelos… dimensões sem fim, universos solidários… tudo indica que a “ciência” oficial está se aproximando da “Verdade” maior…

  • Joao da TROÇA anarco-carnavalesca BACURAU da Rua NOVA do Sertão – em St’ANA!

    Em MACEIÓ, 31dez2008 – Blog Ricardo MOTA há 10 anos … quem ACREDITARIA?
    Este foi um ano ESPECIAL […] agradeço […] a PACIÊNCIA … petiscando o ARRISCADO!
    > Qualquer AMOR já é um pouquinho de SAÚDE, um descanso na LOUCURA.
    – Quis aos 55 em VIDA, o Mestre Guimarães Rosa (1908-1967), nas Geraes
    http://blog.tnh1.com.br/ricardomota/2008/12/31/o-descando-do-inernauta

  • Nu meRmo barco 1500 com CABRAL: BRASIL à PeZãO de TUDO é bix@ da VEZ!

    Caro Epifanio … do antigo HEDONISMO plano, caro Ricardo:
    do prazer acima de TUDO à EUDEMONIA ao redor de TODxS em vida plena e racinal, contudo ATUAL!
    Com a razão grega da ERA plana A-C d’eixos X-Y aos aviões de S-Dumont nas asas de Alberto: o EINSTEIN.
    DE mesquinhos cabos d’ENXADA além tabuleiro, má(u)$ filho$ de dinheiro$ xucro-alcoólatra bi-dimensional.
    > Desleixo e esbanjamento no QUINTAL d’Areias Brancas:
    – luzes VERMELHAS pré-bafômetros SEM pardais da Goes-M à F-Lima.
    Nas asas de DELÍRIOS em 6 dimensões da Ufersa: Univ FEDERAL em Mossoró-RN.
    Entre as melhores UNIVERSIDADES públicas e gratuitas como nunc’antes, ORLA:
    1) Autoaceitação das próprias características PESSOAIS;
    2) Senso claro de DIREÇÃO e objetivos na VIDA mundana;
    3) COMPREENSÃO do ambiente p’atender NECESSIDADES e valores pessoais;
    4) Relações ACOLHEDORAS com outrXs, intíma e mutuamente GRATIFICANTES;
    5) AUTONOMIA, capacidade e independência de pensamento e AÇÕES;
    6) ABERTURA a novas experiências em contínuo desenvolvimento pessoal.
    [Costa, Maciel e Martins, 14 páginas], EdUFERSA 2018, Mossoró-RN. [pág 11]
    https://www.academia.edu/37924852/ADAPTAÇÃO_À_VIDA_ACADÊMICA_E_BEM-ESTAR_EM_TURMAS_DE_DIREITO_E_ADMINISTRAÇÃO_DA_UFERSA?auto=download&campaign=weekly_digest

  • Antonio Moreira

    Já faz um tempinho – Conversava com uma amiga conterrânea, professora de primeira, colega de trabalho, e crescemos na mesma rua.
    Ela falava de uma ótima senhora que uma vez estava em um ônibus e um assaltante roubou todo mundo que ali estava, menos a senhora(sua vizinha). A vizinha rezou e o ladrão não a viu. A minha amiga de disse que isso foi milagre de Deus.

    Tempo depois:
    Viajava em automóvel, a vizinha e o esposo dela e o filho dirigindo.
    Infelizmente aconteceu uma tragédia, só filho o sobreviveu.

    Também conheci o casal, era gente boa.

  • Jorge

    Excelente texto! Tão bom quanto o texto na gazeta de alagoas desse final de semana (OPINIÃO) “O professor não ficará no chão do HGE…”