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Os números desfavoráveis ao atual presidente da República dizem muito – mal – de nós mesmos.

Senão, vejamos.

Temer atingiu o mais baixo patamar histórico de popularidade para um presidente: apenas 5% dos brasileiros dizem apoiar o atual ocupante do Palácio do Planalto.

Em outra pesquisa do Ibope, divulgada esta semana, 81% dos entrevistados defendem que o Congresso Nacional aprove a continuidade da investigação contra Temer, acusado de corrupção pelo Ministério Público Federal.

Mas nada disso tem importância para Temer e seu grupo, hoje ocupados tão somente em garantir 172 votos na Câmara Federal para barrar a investigação – 1/3 da Casa, apenas. Esquecemos rapidamente as conversas de corredor de presídio entre ele o Joesley  Friboi.

Em pouco menos de dois meses, o governo federal liberou mais de R$ 3 bilhões em emendas parlamentares, garantindo os votos de que precisa, em mais uma explícita compra do que está à venda.

Eis o que pesa contra nós, povo brasileiro: estamos completamente excluídos do jogo em que deveríamos ser protagonistas, mas permanecemos abúlicos.

O país está calado, as ruas, que andaram barulhentas e tão cheias de ‘virtudes’ no passado recente, foram esvaziadas, e não há qualquer sinal de vida nos que cantaram com fervor o Hino Nacional em tantas batalhas pela democracia e/ou contra a corrupção. A nossa indignação era puramente seletiva, eis o que se nos apresenta.

E não há de se falar que somos um “povo pacífico”, porque esta é uma mentira que os números desmentem sem nos dar a mínima chance de defesa.

O Brasil é o campeão mundial de assassinatos, em números absolutos: 60 mil homicídios por ano.

Sem contar as mortes violentas no trânsito: são mais 40 mil a cada ano – 100 mil/ano, no total, mais do que em qualquer país do mundo, mesmo os que estão em guerra.

Para que tenhamos uma ideia da grandeza desses números, em 12 anos de guerra do Vietnã morreram 52 mil americanos.

É muito, mas é pouco para os índices de crueldade a que chegamos.

Em qualquer país do mundo, um presidente da República sem nenhuma credibilidade estaria acuado, hoje, tentando salvar o que ainda fosse possível da sua biografia e da sua honra (?).

Mas Temer não tem o que temer. Nós, sim, mesmo que nada façamos para evitar que o que já é ruim fique ainda pior.

O que torna este dia tão desimportante quanto qualquer outro na vida da República em tempos de bocejos e tédios.

Preferimos a futrica, política, inclusive, nas redes sociais, do que defender, pacificamente, mas com alguma altivez, aquilo que dizemos ser a nossa crença mais sentida, o que pretendemos ser como Nação.

Temer é o que é porque nós somos o que somos.