O embate entre o ex-prefeito Marcos Santos e sua sucessora, Conceição Tavares, segue a linha do ex-amigo é pior do que inimigo.

Os dois já foram aliados na conturbada política de Traipu e hoje são inimigos para valer.

Sem fazer qualquer julgamento sobre a atuação de ambos à frente do Executivo Municipal, há de ressaltar que a promotora Karla Padilha tem caracterizado a  atuação dela pela coragem, combatividade e independência (não tenho procuração para defendê-la).

Apontar, porém, conluio da sua adversária-inimiga com a representante do MP é muito grave, e deve exigir provas do acusador.

Santos é um dos mais leais aliados do senador Collor, a quem sempre acompanha nas viagens ao interior do estado. Foi em Traipu, também, que o ex-presidente lançou sua candidatura ao governo do Estado, em 2010.

Nem por isso consta que Collor tenha intervindo no julgamento realizado pelo TRF da 5ª Região, em Recife, no ano passado, que resultou na condenação de Santos, conforme matéria abaixo.

(Também não foi por aliança entre a prefeita atual de Traipu e da promotora que isso aconteceu.)

Prefeito afastado de Traipu é condenado por desvio de recursos federais

Marcos Antonio dos Santos recebeu pena de quase 20 anos de prisão, além de multa de 350 mil reais e perda dos direitos políticos por oito anos

Publicado por Procuradoria Regional da República da 5ª Região (extraído pelo JusBrasil) – 10 meses atrás

O Pleno do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), no Recife, julgou procedente a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e condenou o prefeito afastado de Traipu (CE), Marcos Antonio dos Santos, pelos crimes de responsabilidade, fraude em licitação, corrupção, lavagem de dinheiro e quadrilha. Ele recebeu pena de 19 anos, 10 meses e 15 dias de prisão, além de multa de 350 mil reais e perda dos direitos políticos por oito anos.

Também foram condenados Marcos Douglas Medeiros dos Santos, filho do prefeito, Eurípedes Marinho dos Santos (ex-assessor parlamentar da Câmara dos Deputados), Francisco Carlos Albuquerque dos Santos (ex-secretário de administração de Traipu) e Álbson Pimentel Cavalcante (funcionário da Meca Construções e Comércio Ltda.).

Segundo a denúncia do MPF, Marcos Santos comandava uma organização criminosa montada para desviar verbas públicas federais repassadas ao Município de Traipu. Quando exercia o cargo de secretário geral do município, ele criou empresas fictícias em nome de terceiros (os chamados “laranjas”) e manipulava editais de licitação para beneficiá-las. Para fraudar as licitações, contava com a conivência de servidores que atestavam o recebimento e entrega da obra, serviço ou produto que não haviam sido efetivamente realizados. O esquema desviou mais de cinco milhões de reais.

As empresas Alvorada Construções Ltda., Construtora Alagoense Ltda., Metropolitana Construções e Comércio Ltda., Construtora Cavalcante Ltda., Novo Horizonte Construções Ltda., Amazonas Construções Ltda. e Meca Construções e Comércio Ltda., todas comandadas por Marcos Santos, foram constituídas por sócios com os mesmos telefones e endereços, em novembro de 2000, mesmo ano em que Marcos Santos foi eleito prefeito de Traipu.

Os fatos criminosos que levaram à condenação do prefeito afastado de Traipu foram apurados na chamada Operação Carranca, realizada conjuntamente pelo MPF, pela Controladoria-Geral da União e pela Polícia Federal. A denúncia foi oferecida pela Procuradoria da República em Alagoas à Justiça Federal naquele estado. Quando Marcos Santos assumiu a Prefeitura e adquiriu foro privilegiado, os autos foram encaminhados ao TRF5 e o caso passou a ser acompanhado pela Procuradoria Regional da República da 5ª Região.

 

Judson: "Assembleia hoje dá prejuízo à sociedade"
CNJ dá 30 dias para o TJ julgar falência do Grupo JL
  • maria da silva santos

    Q SEJA FEITA A JUSTIÇA DE DEUS, INFELIZMENTE PERDEMOS UMA PESSOA MUITO QUERIDA.

  • José carlos

    Ricardo, faltou esse mais recente (sanguessuga)!

    APELAÇÃO CÍVEL (AC556513-AL)
    AUTUADO EM 10/04/2013
    ORGÃO: Terceira Turma
    PROC. ORIGINÁRIO Nº: 200880010007597 – Justiça Federal – AL
    VARA: 8ª Vara Federal de Alagoas (Competente p/ Execuções Penais)
    ASSUNTO: Dano ao Erário – Improbidade Administrativa – Atos Administrativos – Administrativo

    APTE : MARCOS ANTÔNIO DOS SANTOS

    Em 18/07/2013 09:00

    Julgamento – Sessão Ordinária
    [Sessão: 18/07/2013 09:00] (M328) A Turma, por unanimidade, negou provimento à apelação, nos termos do voto do relator. Participaram do julgamento os Exmos. Srs. Desembargadores Federais Luiz Alberto Gurgel e Marcelo Navarro.Relator: Desembargador Federal Élio Wanderley, convocado.

  • jeconias justino

    A sociedade certamente quer o mesmo trabalho, rigor, desprendimento de outros promotores em muitas outras cidades alagoanas, pois nem sempre é observado isso, afinal de contas é a função dos promotores promover a justiça.

  • mirya tavares pinto cardoso ferro

    cada dia, mesmo sem conhecer Ricardo Mota, tenho orgulho desse alagoano…Meus agradecimentos pela postura, pela cultura, pela imparcialidade e, pela coragem em reconhecer a honestidade…

  • JUSTIÇA FEITA

    EXCELENTE TRABALHO FEITO PELA PROMOTORA CARLA. MAS PRECISAMOS LEMBRAR DO EXCELENTE TRABALHO REALIZADO PELA D.E.I.C. NA PESSOA DE SUA DIRETORA A EXCELENTÍSSIMA ANA LUIZA NOGUEIRA.
    AH RICARDO. FAZ UMA MATÉRIA PARA DIZER QUE NO DEIC NÃO HÁ VAZAMENTOS COMO HOUVE NA PF. SERÁ QUE O DEIC MERECE CONFIANÇA?

  • Diogo Alexandre dos Santos Nobre Silva

    Engraçados os comentários que acabo de ler em outros blogs a respeito do tema em testilha. Pois bem! É reclamação diária e de uma boca só da população alagoana no que tange à ausência de punibilidade quando se senta no banco dos réus algum ‘Coronel’ da política local. Aí vem o contrassenso: Quando se investiga, também se critica, pois apontam a atuação do Judiciário e do MP como tendenciosa. Alagoas, terra amada, és realmente terra de poucos! Se houve prisão temporária, como medida cautelar à instrução criminal, é porque a respeitável Promotora, a Dra Padilha, encontrou elementos necessários e suficientes para formar o convencimento do Magistrado. Ninguém foi condenado. O que há é um processo criminal em trâmite. O fato aconteceu: Alguém foi assassinado. E precisa ser investigado, seja qual for o seu autor [sujeito ativo]. A atuação do MP não pode, por essa razão, ser fustigada. Deve ser, pelo contrário, elogiada e, a um só tempo, nos encher de esperança, pois Esperança é só o que resta para o Povo alagoano. Se não tivermos mais isto, melhor buscar outra terra amada!