A matéia abaixo é a primeira de uma série feita pelo repórter Caio Junqueira, do jornal Valor Econômico, aqui em Alagoas. Marcando os vinte anos da campanha de Fernando Collor à presidência da República, as reportagens mostram a movimentação do senador por Alagoas visando 2010. Caio Junqueira conversou com vários alaiados de Collor. Veja trecho da matéria.

Vinte anos depois de sua eleição à Presidência da República, o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) prepara-se para tentar retomar o cargo de onde saiu para disputar o Palácio do Planalto: o governo de Alagoas. Aos 60 anos, voltou à velha forma agressiva que marcou sua ascensão à política. Controla a TV, rádio e jornal das Organizações Arnon de Mello que o projetaram no Estado, selou uma reaproximação com um antigo aliado, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), e explora, com eficiência, perante os alagoanos, a aura de injustiçado pelo impeachment.

 Além de velhos companheiros de 1989, agregou novos entusiastas, muitos dos quais na mira da Polícia Federal. Entre os principais articuladores, está o deputado estadual Cícero Ferro (PMN), preso pela Operação Taturana, que apurou desvios de mais de R$ 280 milhões de recursos públicos. Ferro é ardoroso defensor da candidatura: "Collor é carismático, tem serviços prestados ao Estado e junta todas as lideranças".

 

O deputado federal Augusto Farias (AL), irmão de Paulo César Farias, é outro importante articulador de Collor. Com reduto eleitoral no litoral norte alagoano, a família Farias permanece envolvida em acusações de corrupção. A mais recente foi nas eleições de 2008, quando a PF prendeu seu irmão, Rogério Farias, candidato à reeleição em Porto de Pedras; sua cunhada, então prefeita de Barra de Santo Antônio, Rume Farias; e a filha deles, Camila Farias, candidata em São Miguel dos Milagres. Todos são do PTB.

 

Ainda integra o grupo do senador no Estado mais dois deputados presos na Taturana: Antonio Albuquerque, ex-presidente da Assembleia Legislativa, então no DEM, hoje sem partido; e o deputado estadual João Beltrão (PMN). Junto com Ferro, os dois são acusados pela PF de crimes de pistolagem. Afastados do cargo, puderam retornar, junto com outros indiciados, por decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

 

Nenhum desses "colloridos", no entanto, faz sombra ao poder de articulação de Renan Calheiros (PMDB-AL). O dueto de Renan e Collor no Senado, repete-se no Estado. Renan afastou-se do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), candidato à reeleição em 2010 e contra quem Collor pretende concorrer. O afastamento foi selado pela Operação Navalha da PF, em 2007, que prendeu Adeilson Bezerra, secretário de Infraestrutura de Alagoas, apontado como responsável pela ordem de pagamento à construtora Gautama em troca de propina. Ele havia sido indicação de Renan.

 

Constrangido, Vilela o demitiu e não devolveu o posto a Renan. Depois disso, o MST invadiu a principal fazenda dos Calheiros, em Murici, e o governador não se esforçou para retirá-los de lá. Some-se a isso o afastamento da dona do cartório da cidade suspeita de favorecer os Calheiros em processos de grilagem de terras e a fiscalização do frigorífico Mafrial, acusado de passar notas frias da compra de bois para abate a Renan.

 

No início deste ano, Renan retirou a última Pasta que tinha no governo, a da Saúde e, pouco depois, indicou Collor para presidir a poderosa Comissão de Infraestrutura do Senado. O movimento teve por objetivo sinalizar que, em 2010, estarão juntos. Segundo seus aliados, Renan avalia que, com Collor, sua reeleição ao Senado corre menos risco, tendo em vista que seu prestígio no eleitorado alagoano caiu muito devido às denúncias feitas pela ex-namorada de seu envolvimento com a Andrade Gutierrez, que culminaram com a renúncia à presidência do Senado em dezembro de 2007.

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