Nada mais semelhante aos "camisas negras" de Mussolini, nos dias de hoje, do que as torcidas de futebol. Os agrupamentos fascistas (de fascio = feixe) aterrorizaram a Itália desde 1919, com suas ações violentas perpetradas principalmente por jovens. Três anos depois, seguindo a "Marcha sobre Roma", assumiam o poder na Itália, sob os auspícios do minúsculo e ridículo rei Victor Emannuel. Os grupos paramilitares de agora em todo o Brasil, conhecidos como torcidas organizadas, agitam bandeiras dos clubes numa mão, na outra o porrete ou o revólver. 

Que fique claro: o Brasil não vive o risco iminente de se entregar à direita raivosa e violenta. Mas a batalha pela construção de uma sociedade que se guie pela paz, esta, nós estamos perdendo a olhos vistos. Pior ainda, majoritariamente só se enxerga a necessidade urgente da ação policial para conter os "squadristas" com camisas em cores as mais diversas. O problema não está no time pelo qual se torce, muito menos no futebol, o esporte mais popular no mundo inteiro. O fato de serem as torcidas organizadas – principalmente elas – a parte mais visível dessa tragédia social não deve ser o foco central da discussão.

Há que se agir de imediato e repressivamente, sim, antes que os estádios pelo país afora se tornem zonas de guerra, só frequentáveis por quem possui armas letais. Mas é preciso também estender o olhar para ver que a mesma geração reproduz o comportamento irascível e intolerante em vários outros espaços coletivos: festas, escolas, quadras esportivas etc. Produto mais bem-acabado da anomia – que vivemos ao paroxismo -, "os camisas negras" dos tempos pós-modernos encontraram, inegavelmente, o leito natural para a sua manifestação sangrenta no futebol. Mas podem – e por que não? – migrar para outras áreas, quando fechadas as portas dos estádios para essa turma sem "ideologia" ("eu quero uma pra viver " – Cazuza).

São fascistas no comportamento (impressionante!, até no gestual se repetem), mas sem identificar um alvo político a ser atingido. Até porque quando tratamos de política, falamos de coletivo, e vivemos agora a era do culto absoluto à individualidade. Se agem em grupo ("squadristi"") é porque se torna mais fácil exercer a "valentia covarde" no anonimato das multidões. Nada mais há a uni-los. (E política é muito mais do que voto, deputado ladrão, governo corrupto – é a ação cotidiana de cada cidadão no lugar em que ele vive, onde trabalha etc.)

É assim que estamos hoje escrevendo a história do nosso tempo: com sangue derramado tolamente e sem causa. São as novas gerações que assumirão o comando, que hoje ‘vestem’ "as camisas negras" de Mussolini – sem nem ao menos conhecê-lo. A lembrar, a frase repetida por educadores preocupados e engajados: "O mundo que deixaremos para os nossos filhos depende dos filhos que deixaremos para o mundo."

Téo Vilela e prefeitos se enfrentam por dois dias na próxima semana
Ah, se não fosse o violão...
  • brunno

    Ricardo, em S. Paulo o MP deu o exemplo que deve ser seguido pelo resto da federação, ele extinguiu as torcidas organizadas que agiam com violência, tudo dentro da lei.

  • caboco arretado

    EXECENTE ARTIGO MEU CARO RICARDO, AUTORIDADES DOS TRES PODERES DANDO PESSIMO EXEMPLO, A SOCIEDADE ESTA DESBANCANDO PARA A BARBARIE. NÃO SOU PESSIMISTA MAS A COISA VAI PIORAR

  • MOTA

    É verdade pura, eu que frequento os estádios, junto com minha família corremos um risco danado. Outro dia, vândalos da torcida azul contra vândalos da torcida Vermelha aterrorizavam quem passava de ônibus para ir ao estádio Rei Pelé. Disputa com rojões, atirando em quem passava.

  • MOTA

    Saudoso o tempo em que meu pai me levava aos estádios, ele Csa, eu CRB, e ficávamos no mesmo lugar, principalmente do lado da sombra, e não acontecia nada,a não ser as provocações com um tio muito querido, que era CRB, mas quando o glorioso perdia, meu pai não deixava barato.

  • MOTA

    Hoje falta punição, para os de cima, em primeiro lugar, e estes(“das torcidas”), que são massa de manobra do dirigente corrupto,do político ladrão, precisa também de uma punição exemplar, e como sugestão é impedindo que eles não frequente mais estádios de futebol.

  • Pablo

    Meu caro Ricardo, não sei se tem lei específica para o caso, mas deveria ter uma lei exigindo que as torcidas organizadas tenham CGC para que possam ser responsabilizadas criminalmente por destruição do patrimônio público e particular.

  • Pablo

    continuando o comentario anterior: se fosse aprovada uma lei esepecifica, os líderes dessas torcidas – leia-se presidentes, vice-presidentes…, seriam responsabilizados pelos atos dos seus seguidores e as torcidas deveriam pagar em dinheiro pelos danos.

  • Roberval Tenorio

    Concordo com voçê e gostaria de propor o seguinte: -QUE A MIDIA PROMOVA CAMPANHAS E CONCURSOS EDUCATIVOS MUSICAIS COM AS TORCIDAS DEVIDO O PODERIO MUSICAL LEVAR A VIOLÊNCIA E A MIDIA TER RESPONSABILIDADES NESSE PROCESSO. -QUE O MPE CONVOQUE ÁS TROCIDAS PARA UM TAC.

  • AAraujosilva

    Antes que seja muito tarde, essas hordas precisam ser extintas, legalmente, e cobatidas duramente. Ainda bem que não há o que fazer nos estádios, pois, futebol, que é bom, não há; faz muito tempo …

  • ARIMATEA LAFAYETTE

    As TO’s estão seguindo o seu rumo, mesmo que desgovernado, uma ausencia de politicas publicas e um entendimento social. As palavras de Ricardo são irrepreensíveis e chamam para atenção iminente de migraçao deste furia para outros setores sociais, senão já acontence, no carnaval.

  • VIVO

    Concordo e deixo mais uma opinião: as ‘organizadas’ existem pelo desejo de poder e por ‘formar machos’, prontos para tudo, aproveitando a brecha deixada pelos pais, que no afã de verem seus filhos ‘homens’, não procuram ver com quem andam se associando.

  • Moura

    Concordo com o Pablo; as TOs deveriam ter identidade para ser responsabilizada pelos atos de seus integrantes, ressarcindo às vítimas por danos causados à vida e ao patrimônio e por atos indecorosos (os gestos e as músicas). Isto não é torcer pelos times.

  • Arísia Barros

    Caro Ricardo, O comentário que enviei pela manhã não passou na filtragem? Infringe normas prescritas?

  • giselda correia

    Tempos bons aqueles que aos domingos ia ao trapichão assistir CRB x CSA, infelizmente não tive o prazer de levar meus filhos ao estádio, por conta da violência da mancha azul e comando vermelho. Até morar na pajuçara hoje é perigoso em dia de jogos.

  • AAraujosilva

    Caro Ricardo, sobre a “Política de Privacidade”, abaixo referida, continuo afirmando que os pseudonimos extrambóticos, embora gozados, são descabidos. Tais pseudonimos, por si só, desacreditam o comentário. Por que não, o nome do suplicante ??? Abs., AUDEMARO.

  • André de Melo Soares (Deco)

    Caro Ricardo, há muito eu digo em conversas com meus amigos que torcida organizada é sinônimo de FORMAÇÃO DE QUADRILHA, com fins da prática de outros crimes (agressões, assassinatos, consumo e venda de drogas, etc.). Quando não há gatos na casa, os ratos fazem a festa!

  • Gláucia Maria da Costa Barros

    Muito oportuno e sensato seu artigo sobre as torcidas organizadas. Além da violência praticada, temos conhecimento de muitos adolescentes que enveredaram pelo mundo das drogas aos seus 12-13 anos, perdendo sua juventude, muitas vezes até suas vidas,levando muito sofrimento aos seus familiares.

  • Alexandre

    A geração vem mudando de pensamento, não é o que os pais transmitem, mas o comportamento dos adolescente. A violencia praticada por alguns torcedores não pode acabar com a torcida organizada (grupo), punir apenas os infratores.

  • Edinaldo Marques

    Caro Ricardo, de imediato somente a repressão para coibir os atos de barbárie vistos nos estádios de futebol. A médio e longo prazos é preciso incluir a disciplina EDUCAÇÃO EMOCIONAL nas escolas, a partir do ensino fundamental até o ensino de 3º grau e pós-graduação.

  • Edinaldo Marques

    As pessoas em geral precisam ler dois livros e refletir bastante. Ambos são de um mesmo autor Daniel Goleman – INTELIGÊNCIA EMOCIONAL e INTELIGÊNCIA SOCIAL. Não há curso para ser pai ou mãe. É na família onde as crianças e adolescentes mais aprendem.

  • santos

    oque falta mesmo é autoridade para punir com rigor esses marginais, sem falar que eles são patrocinados pelos próprios dirigentes dos clubes e protegidos por um tal de direitos humanos.

  • Rodolfo

    O que falta é estudo do caso. Na Inglaterra era bem pior, o fenômeno do ‘hulliganismo’ era amedrontador. Agir repressivamente pode significar muitas coisas, até outro fenômeno, o “datenismo”.

  • Gláucia Maria da Costa Barros

    Não concordo sob hipótese alguma com a denominação dada a essas torcidads alagoanas : MANCHA AZUL e COMANDO VERMELHO. O que é MANCHA ? sujeira. COMANDO VERMELHO ? Organização de traficantes do Rio de Janeiro.